Centro Cultura Serraria exibe o documentário Olympia da cineasta Leni Riefenstahl
Obra retrata a Olimpíada de 1936 e é pioneira na sincronia de som e imagem em movimento
- Publicado: 15/03/2012 00:26
- Alterado: 15/03/2012 00:26
- Autor: Maíra Brandão
- Fonte: SECOM Diadema
Crédito:
Nada melhor do que a obra de uma mulher talentosa, corajosa e polêmica para celebrar o Mês da Mulher. Essas são as características principais da cineasta Helene Bertha Amalie “Leni” Riefenstahl. Leni Riefenstahl, como é popularmente conhecida, viveu duas figuras femininas distintas ao longo de sua vida. A primeira é a figura da mulher talentosa que revolucionou o cinema mundial ao inovar em técnicas de filmagem. A segunda é a mulher polêmica que mantinha relações profissionais com o ditador nazista, Adolf Hitler.
O documentário “Olympia”, uma das maiores obras da cineasta, estará em cartaz no Centro Cultural Serraria no dia 17 de março, sábado, às 19h. O filme se divide em duas partes para retratar a 11ª Olimpíada dos Jogos Modernos, que ocorreu entre os dias 1 e 16 de agosto de 1936. Na primeira parte, a cineasta retratou a história dos Jogos Olímpicos, as tradições dos antigos povos na cidade de Olímpia e os eventos de campo nos Jogos de 1936, em Berlim. A segunda parte mostra as provas de pista e de campo dos Jogos de Berlim.
A obra “Olympia” foi pioneira na utilização de técnicas de edição e som. A habilidade de Riefenstahl possibilitou uma transição suave e emocionante entre os elementos esportivos apresentados. Além disso, a artista também foi pioneira ao incorporar som dentro do filme, em uma mistura de música de fundo e narração que possibilitou a sincronia entre música de fundo e imagens em movimento. Essas inovações técnicas e estéticas ainda servem de influência para a cobertura esportiva atual.
O documentário foi eleito o vencedor do grande prêmio no Festival de Cinema Internacional de 1938, em Veneza, derrotando Walt Disney com “Branca de Neve e o Sete Anões”.
LENI RIEFENSTAHL – Nascida na Alemanha, em 22 de agosto de 1902, na cidade de Berlim, Riefenstahl era a primogenita de um casal de alemães. A mulher que ficou conhecida por suas obras como cineasta, na verdade, iniciou sua carreira como dançarina. Uma lesão no joelho fez com que ela abandonasse a dança e se dedicasse à produção de filmes.
Leni conheceu o cinema por um acaso do destino. Enquanto se apressava para apanhar o metrô na estação berlinense de Nollendorfplatz U-Bah, ela deparou com um monumental cartaz com a propaganda de um filme do realizador alemão Arnold Fanck.
De cineasta admirável, Leni passou a ser conhecida pela polêmica relação profissional que mantinha com o ditador nazista, Adolf Hitler. Em 1933, a cineasta dirigiu um curta-metragem sobre um comício do Partido Nazista. Um ano depois, Hitler pediu que ela filmasse a convenção anual do Partido em Nuremberg. Depois de recusar a proposta e de indicar a contratação de Walter Ruttmann ao cargo, Riefenstahl voltou atrás e produziu o documentário “O Triunfo da Verdade”, considerado por muitos como umas das mehores obras de cinema já produzidas. Leni produziu também o filme “O Dia da Liberdade”, sobre a Wehrmacht.
Mas os anos de glória logo tiveram fim. Após a Segunda Guerra Mundial, ela foi acusada de usar prisioneiros nos sets de filmagem e passou quatro anos presa em um campo de concentração francês. Depois do julgamento, o Tribunal não conseguiu atribuir a ela a responsabidade de apoio ao Nazismo.
Todos esses fatos culminaram em um boicote que impediu a cineasta de conseguir financiamento para suas produções. Mesmo assim, ela não desistiu da arte. Se tornou fotógrafa e publicou dois livros sobre os guerreiros da tribo Nuba, do Sudão. De forma fantástica, assim como sua carreira artistica, Leni sobreviveu de uma queda de helicópetero no Sudão em 2000.
Em seu centásimo aniversário, comemorado no ano 2002, Riefenstahl lançou um filme chamado “Impressionen unter Wasser” (“Impressões Subaquáticas”) com as fotografias submarinas que ela passou a produzir ao completar 80 anos de idade. A artista morreu no dia 8 de setembro de 2003, enquanto dormia em sua casa em Pocking, na Alemanha. No obtuário de Leni estava escrito que ela foi a última figura famosa da era Nazista alemã a morrer.
Serviço
Apresentação do filme “Olympia”
Dia 17 de março, sábado, às 19h
Centro Cultural Serraria – Rua Guarani, 790 – Serraria – Diadema – Tel.: 4056-4950
Ficha técnica do filme
Direção: Leni Riefenstahl
Ano: 1938
País: Alemanha
Gênero: Documentário
Duração: 121’ / preto e branco