Centrão aposta em anistia para conquistar apoio de Bolsonaro a Tarcísio
A anistia é vista como um passo estratégico para fortalecer a candidatura presidencial de Tarcísio nas eleições de 2026
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, representante do partido Republicanos, tem intensificado seus esforços junto a líderes do centrão em busca da anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostas ações golpistas. O cenário político se torna ainda mais tenso à medida que as discussões sobre a anistia se intensificam.
De acordo com relatos de deputados que compõem a base do centrão, essa movimentação surge como resposta às críticas proferidas pela família de Bolsonaro, que acusa os políticos de estarem mais preocupados em explorar o legado eleitoral do ex-presidente do que em efetivamente buscar sua libertação. A anistia é vista como um passo estratégico para fortalecer a candidatura presidencial de Tarcísio nas eleições de 2026, uma vez que o apoio de Bolsonaro é considerado crucial.
Tarcísio tem se posicionado como figura central na campanha pela anistia. Em uma viagem recente a Brasília, coincidente com o início do julgamento de Bolsonaro, ele se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e com Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista (PP). Essas reuniões visaram discutir a viabilização da anistia.
No dia anterior ao início do julgamento, Tarcísio também teve um encontro com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, onde o tema foi novamente abordado e compartilhado nas redes sociais. Ciro Nogueira e Pereira têm defendido publicamente a proposta de anistia.
Na mesma data do início do julgamento, os presidentes dos partidos PL, União Brasil e PP se reuniram para discutir agendas parlamentares, incluindo a questão da anistia. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, também participou dessas conversações.
A defesa da anistia por parte do centrão não se limita apenas a questões ideológicas; é também uma estratégia para garantir maior influência na próxima chapa presidencial. Ciro Nogueira aspira à posição de vice-presidente na eventual candidatura de Tarcísio.
Tarcísio emerge como o candidato preferido por um conjunto de partidos do centrão para concorrer ao Palácio da Alvorada. Entretanto, os filhos de Bolsonaro têm expressado suas preocupações sobre esse alinhamento, sugerindo que a ascensão política de Tarcísio pode ameaçar o legado político da família.
Mensagens divulgadas pela família Bolsonaro indicam um desejo por manter sua relevância política, mesmo com o ex-presidente inelegível. Para Tarcísio, obter o respaldo de Bolsonaro pode ser vital para uma possível transição de foco nas próximas eleições.
A proposta de anistia é defendida como uma demonstração de lealdade ao ex-presidente. Parlamentares acreditam que atender à preocupação primordial de Bolsonaro — sua liberdade — poderia facilitar seu apoio à candidatura de Tarcísio.
Além disso, a defesa da anistia por parte dos líderes políticos visa também acalmar os ânimos dentro da família Bolsonaro. Isso ocorre em um contexto onde um dos filhos do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, considera deixar o PL e lançar sua própria candidatura ao Planalto como forma de resposta à movimentação política em torno de Tarcísio.

Tarcísio tem reiterado que não pretende concorrer à presidência neste momento e que vê a anistia como uma medida necessária para promover a pacificação nacional. Em declarações recentes, ele afirmou que um eventual indulto a Bolsonaro seria uma das suas primeiras ações se eleito presidente.
Enquanto isso, alguns aliados políticos argumentam que aprovar a anistia poderia destravar outras pautas legislativas importantes na Câmara dos Deputados. No entanto, a proposta enfrenta resistência significativa entre os parlamentares e ainda carece de um texto claro que possa ser debatido e votado.
A expectativa entre opositores e membros da esquerda é que Motta não permita discussões sobre a anistia durante o processo judicial em andamento no STF. Nas semanas anteriores ao julgamento, houve um esforço conjunto entre Tarcísio e Ciro para acelerar o trâmite da proposta no Congresso Nacional.
A perspectiva é que as negociações sobre anistia ganhem força após o término do julgamento previsto para dia 12.. No entanto, muitos consideram que qualquer tentativa ampla e irrestrita enfrentará grandes obstáculos dentro da Câmara dos Deputados.
Por fim, cabe ressaltar que acordos políticos entre os partidos centrados no PL visam criar um caminho mais favorável para as propostas em discussão e potencialmente facilitar um diálogo sobre a anistia no futuro.