Censo revela que o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência
Dados preliminares do Censo 2022 apontam que número de mulheres com deficiência superava o de homens nessa condição
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 23/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Os dados preliminares do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (23), revelam que o Brasil contava com 14,4 milhões de pessoas com deficiência, representando 7,3% da população total de 198,3 milhões de indivíduos com dois anos ou mais.
O relatório intitulado “Censo Demográfico 2022: Pessoas com Deficiência e Pessoas Diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista – Resultados preliminares da amostra” também destaca que os idosos com 60 anos ou mais constituíam 45,4% da população com deficiência. Em contrapartida, este percentual era de apenas 14% entre aqueles sem deficiência.
Além disso, a análise evidencia que o número de mulheres com deficiência, que totalizava 8,3 milhões, superava o de homens, estimado em 6,1 milhões. Este fenômeno se repetiu em todas as Grandes Regiões do país e pode ser atribuído à maior expectativa de vida das mulheres na sociedade brasileira.
No Nordeste, a situação é ainda mais alarmante, uma vez que todos os nove estados apresentaram percentuais de pessoas com deficiência acima da média nacional. Alagoas destacou-se como o estado com a maior proporção (9,6%), seguido por Piauí (9,3%), Ceará e Pernambuco (ambos com 8,9%). Fora da região nordestina, o Rio de Janeiro apresentou a segunda maior taxa (7,4%), enquanto Roraima (5,6%), Mato Grosso (5,7%) e Santa Catarina (6,0%) tiveram as menores proporções.
Luciana dos Santos, analista do IBGE, observa que embora os dados do Censo 2022 ainda não permitam uma avaliação clara sobre a relação entre deficiência e renda, existem estudos que sugerem uma correlação entre a prevalência de deficiência e o menor acesso a serviços essenciais como educação e saúde. Ela enfatiza que as dificuldades enfrentadas no Nordeste são frequentemente reflexo das desigualdades sociais e econômicas históricas da região.
Em relação à cor ou raça, o Censo indica que a maioria das pessoas com deficiência se identifica como parda (6,4 milhões) ou branca (6,1 milhões). As pessoas pretas com deficiência somam cerca de 1,8 milhão; os indígenas representam aproximadamente 78 mil; e as pessoas amarelas totalizam cerca de 55 mil.
A dificuldade visual foi identificada como a condição mais comum entre as deficiências reportadas. Aproximadamente 7,9 milhões de brasileiros apresentaram essa dificuldade, mesmo utilizando óculos ou lentes de contato. Em seguida está a dificuldade para andar ou subir degraus — afetando cerca de 5,2 milhões de indivíduos — mesmo com o uso de próteses ou outros dispositivos auxiliares.
Dificuldades relacionadas à destreza manual e funções mentais afetaram cada uma cerca de 2,7 milhões de pessoas. A dificuldade auditiva atingiu aproximadamente 2,6 milhões. No geral, cerca de 2% da população brasileira com dois anos ou mais enfrentou duas ou mais dificuldades funcionais. Entre as regiões do país, o Nordeste apresentou o maior percentual dessa condição (2,4%).