Censo Escolar 2025 mostra queda de matrículas no ensino médio em SP
O estado paulista registrou a queda mais acentuada do país no Censo Escolar 2025, com um recuo de 13,6% nas matrículas da última etapa da educação básica.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 26/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Censo Escolar 2025 revelou um dado alarmante para a gestão educacional paulista: a perda de 251.987 matrículas no ensino médio em apenas doze meses. Enquanto o Brasil enfrenta um declínio generalizado, a retração em São Paulo é desproporcional, representando a maior queda absoluta e percentual entre todas as unidades da federação. Esse “encolhimento” da rede ocorre sem que o Inep tenha registrado qualquer mudança na metodologia de contagem que justificasse tal abismo estatístico.
O colapso das matrículas no ensino médio paulista
A crise no Censo Escolar 2025 em São Paulo atinge diretamente a rede pública, que historicamente concentra o maior volume de jovens. A redução de 13,6% no estado contrasta drasticamente com a média nacional de queda, que foi de 5,39%. Esse fenômeno coloca em xeque a eficácia das políticas de retenção de alunos e de combate à evasão escolar no estado mais rico do país.
Diferente de estados como Amapá, Pernambuco e o Distrito Federal, que conseguiram manter uma estabilidade ou crescimento discreto, São Paulo seguiu o caminho oposto. O número de jovens que deixaram os bancos escolares paulistas supera o total de alunos de muitos estados inteiros, evidenciando uma desconexão entre a oferta de ensino e a permanência do estudante.
Estagnação infantil e o impacto na rede técnica
Além do ensino médio, o Censo Escolar 2025 aponta que São Paulo também sofre com a estagnação no atendimento a crianças de 0 a 3 anos. O fechamento de unidades de pré-escola e a dificuldade em expandir as vagas de creche corroboram para um cenário de imobilismo educacional.
- Evasão Escolar: São Paulo perdeu mais de um quarto de milhão de alunos no ensino médio em um ano.
- Rede Técnica: A modalidade subsequente (pós-médio) teve a maior queda proporcional, dificultando a qualificação profissional.
- Educação Infantil: O estado acompanha a tendência de fechamento de turmas, com mais de 1.100 pré-escolas extintas na rede pública nacional.
O relatório do Censo Escolar 2025 reforça que a redução da população-alvo (jovens de 15 a 17 anos) explica parte do fenômeno, mas não justifica a magnitude da perda paulista. A pressão agora recai sobre a Secretaria de Educação para explicar se essa evasão é reflexo do mercado de trabalho precoce ou de falhas na implementação do Novo Ensino Médio.
Educação de Jovens e Adultos em declínio
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) em São Paulo também não escapou da tendência negativa apontada pelo Censo Escolar 2025. Com a diminuição global de 5,8% nas matrículas dessa modalidade, o estado vê reduzir a última oportunidade de escolarização para quem não concluiu os estudos na idade adequada. O recuo nas turmas integradas à educação profissional sugere um enfraquecimento das políticas de formação técnica integrada.
“Se não entendermos que é preciso ter política pública articulada para aumentar o atendimento, ficaremos novamente longe da meta daqui a 10 anos”, alerta Gabriel Corrêa, do Todos Pela Educação.
Em suma, os dados do Censo Escolar 2025 colocam São Paulo em uma posição de alerta máximo. A queda vertiginosa nas matrículas exige uma revisão urgente das estratégias de busca ativa e de incentivos financeiros para garantir que o direito à educação não seja negligenciado.