Censo 2022 revela crescimento e desafios da população indígena no Brasil

IBGE revela crescimento de 88,96% na população indígena no Brasil e desafios no acesso à educação e saneamento básico.

Crédito: Tiago Miotto/Cimi

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira, 19 de dezembro, os dados do Censo Demográfico que revelam a situação atual da população indígena no Brasil. O levantamento aponta que existem aproximadamente 1,69 milhão de indígenas em todo o território nacional, representando cerca de 0,83% da população total. Notavelmente, entre 2010 e 2022, a população indígena registrou um crescimento de 88,96%.

O estudo também identificou um total de 8.568 localidades indígenas em 2022, presentes em todos os estados e no Distrito Federal. Destas, uma significativa maioria, equivalente a 71,55% (ou seja, 6.130), está situada em terras indígenas devidamente reconhecidas e regularizadas. As demais 2.438 localidades (28,45%) encontram-se fora dessas áreas. A região Norte se destaca como a mais populosa em termos de localidades indígenas, com 60,20%, abrigando quase metade (44,47%) da população indígena do país.

Em relação à distribuição regional das localidades indígenas, o Nordeste ocupa a segunda posição com 1.764 locais (20,59%), seguido pelo Centro-Oeste com 1.102 (12,86%), Sul com 308 (3,59%) e Sudeste com 236 (2,75%). Fernando Damasco, gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE, enfatizou que a quantidade de localidades não necessariamente reflete a concentração populacional, mas sim as dinâmicas sociais e territoriais dos povos indígenas.

No que diz respeito às localidades situadas fora das terras indígenas, a região Sul apresenta o maior percentual: cerca de 47% das suas 308 localidades estão nessa condição. No estado do Rio Grande do Sul, essa proporção chega a impressionantes 58,93%. O Nordeste também se destaca nesse aspecto, com 39% de suas localidades fora de terras indígenas. A análise por estados revela que as maiores concentrações de localidades fora das terras indígenas são encontradas no Amazonas (1.078), Pernambuco (237), Pará (187), Ceará (159) e Bahia (138).

Em termos de características demográficas, os dados indicam que em 2022 aproximadamente 53,97% da população indígena vivia em áreas urbanas, enquanto 46% residia em áreas rurais. Em comparação a 2010, quando apenas 36,22% estavam em áreas urbanas e o restante em zonas rurais, essa mudança reflete uma tendência crescente de urbanização entre os povos indígenas. Os estados que apresentam as maiores taxas de urbanização são Goiás (95,52%), Rio de Janeiro (94,59%) e o Distrito Federal (91,84%). Por outro lado, Mato Grosso (82,66%), Maranhão (79,54%) e Tocantins (79,05%) lideram as proporções de indígenas em áreas rurais.

A queda nas taxas de analfabetismo também foi um dado relevante apresentado pelo Censo: entre 2010 e 2020 houve uma redução da taxa geral de analfabetismo entre a população indígena de 23,40% para 15%. Nas áreas rurais esse índice caiu de 32,16% para 20,80%, enquanto nas áreas urbanas passou de 12,29% para 10,86%. Dentro das terras indígenas específicas, o analfabetismo diminuiu substancialmente de 32,30% para 20,80%. Para efeito de comparação geral no Brasil nesse período mencionado acima, a taxa média recuou de 9,62% para 7%.

No que tange ao saneamento básico nas áreas urbanas do Brasil como um todo, aproximadamente 97,28% da população tem acesso à rede geral de abastecimento de água ou alternativas adequadas. Entretanto, entre os indígenas que vivem em áreas urbanas fora das terras indígenas este percentual é consideravelmente menor: apenas 89,92%. Assim sendo, cerca de 13% dessa população enfrenta condições precárias quanto ao acesso à água potável. Além disso, somente cerca de 59% dos indígenas em áreas urbanas têm acesso ao esgotamento sanitário adequado.

Por fim, é importante notar a relação demográfica entre homens e mulheres na população indígena: nas terras indígenas existe uma proporção média de aproximadamente 104 homens para cada cem mulheres. Essa razão se altera levemente nas áreas urbanas fora das terras indígenas onde há uma predominância feminina com apenas 89 homens para cada cem mulheres.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 19/12/2024
  • Fonte: Teatro Liberdade