Restringir uso de celular pode ser benéfico para crianças e adolescentes

Segundo psicólogo, tecnologia e celular em excesso pode potencializar ansiedade e depressão

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A Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, já está em vigor. Cabe a cada uma das redes de ensino e escolas, públicas e privadas, definirem suas próprias estratégias de implementação. A legislação surge em resposta ao crescente debate sobre o uso desses aparelhos nas escolas, que gera grande preocupação a especialistas e à população em geral, devido aos impactos negativos no aprendizado, na concentração e na saúde mental dos jovens.

Quanto mais tempo a criança fica exposta às telas, menos ela conversa com os pais, o que impacta negativamente o desenvolvimento infantil. A informação é de um estudo recém-publicado no JAMA Pediatrics feito por pesquisadores australianos. O objetivo dos autores era saber em que medida o uso de dispositivos tecnológicos por crianças pequenas afeta a interação com os adultos.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores selecionaram 220 famílias com filhos na faixa de 1 ano de idade, que foram acompanhados até completarem 3 anos. Durante esse período, a cada seis meses as crianças passavam um dia usando um dispositivo de reconhecimento de fala que capta sons ambientes – como sons eletrônicos e ruídos – e registra o número de palavras ditas pelos adultos, vocalizações emitidas pelas crianças e as conversas entre eles. No dia selecionado, as crianças estavam em casa a maior parte do tempo, sem ir à escola, por exemplo, e o equipamento era colocado num bolso da camiseta.

O uso de telas na infância e adolescência faz parte do debate em toda e qualquer família brasileira. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, por exemplo, que crianças de menos de 2 anos não devem ser expostas a telas. Já as crianças entre 2 e 5 anos, o tempo de tela deve ser de ao máximo de 1 hora/dia. Sempre com supervisão de pais, cuidadores ou responsáveis. Entre 6 e 10 anos o tempo de telas deve ser de ao máximo de 1-2 horas/dia, também com supervisão. Por fim, aos adolescentes com idades entre 11 e 18 anos, o tempo de telas e jogos de videogames deve ser limitado a 2-3 horas/dia.

O uso excessivo de telas na primeira infância é preocupante, pois pode estar relacionado a prejuízos para o desenvolvimento e comportamento infantil. “Estudos prévios mostraram que o uso excessivo aumenta os riscos de atrasos no desenvolvimento motor, psicossocial, cognitivo e de linguagem da criança, além de reduzir a qualidade das relações interpessoais. Noto em minha experiência clínica o aumento de casos de depressão e ansiedade nesses jovens expostos ao uso indiscriminado de telas”, reflete o psicólogo Ednilton Santa Rosa, Professor titular de psicologia da Fundação Santo André e responsável técnico da Clínica Escola.

Por outro lado, ao pensar no tempo de tela, é fundamental reconhecer a importância dos momentos sem telas para o desenvolvimento infantil. As vivências com outros adultos e pares ajudam a criança a construir habilidades fundamentais, como, por meio de brincadeiras compartilhadas, aprender a seguir regras e tolerar frustrações. Por isso, é necessário estabelecer momentos livres de tela na família e que os cuidadores monitorem os próprios tempos de tela, uma vez que as crianças modelam seu comportamento em relação ao uso de mídias a partir dos exemplos dos cuidadores.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 09/05/2025
  • Fonte: FERVER