Celac debate crise na Venezuela com chanceler brasileiro

A reunião de emergência da Comunidade de Estados Latino-Americanos avalia impactos da ação militar dos EUA e a prisão de Nicolás Maduro.

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A Celac convocou uma reunião de emergência neste domingo (04), para tratar da escalada de tensão política na Venezuela. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, participa do encontro crucial, motivado pela recente operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Criado em 2010 no México, o bloco reúne 33 nações e tem como pilar a integração regional e a coordenação de ações socioeconômicas. Embora a agenda da Celac priorize temas como agricultura familiar, energia e desarmamento nuclear, o cenário atual exigiu uma mudança drástica de foco para garantir a autonomia dos países latino-americanos.

Vieira interrompeu seu período de férias para ingressar na videoconferência diretamente do Palácio Itamaraty, às 14h. A urgência da participação brasileira reflete a gravidade diplomática do incidente e a necessidade de uma resposta coordenada do bloco.

O posicionamento da Celac e a reação de Lula

A ofensiva americana gerou reações imediatas no alto escalão do governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordenou uma reunião ministerial remota a partir de uma base militar no Rio de Janeiro.

Nas redes sociais, Lula não poupou críticas. O mandatário classificou a ação militar estrangeira como “inaceitável” e alertou para o estabelecimento de um “precedente perigoso” na região. Para o chefe do Executivo, os bombardeios e a detenção de Maduro representam uma grave violação do direito internacional e da soberania venezuelana, princípios defendidos historicamente pela Celac.

“O episódio exige uma resposta vigorosa da comunidade internacional por meio das Nações Unidas.” — Luiz Inácio Lula da Silva.

Monitoramento de fronteiras e segurança

O Brasil compartilha uma fronteira seca de mais de 2 mil quilômetros com a Venezuela, o que acende o alerta para impactos diretos em território nacional. José Múcio, ministro da Defesa, garantiu a normalidade na região, apesar do fechamento da passagem determinado pelo governo vizinho.

Durante o encontro ministerial, que contou com representantes da Casa Civil e da Secretaria de Comunicação Social, foram apresentados dados preliminares sobre a segurança dos brasileiros:

  • Não há registro de vítimas brasileiras nos ataques norte-americanos.
  • Cerca de 100 turistas conseguiram deixar a Venezuela sem complicações.
  • As atividades do lado brasileiro da fronteira permanecem regulares.

O Ministério da Justiça, contudo, já articula planos de contingência. A pasta prepara-se para um provável aumento no fluxo de refugiados decorrente da instabilidade, uma consequência humanitária que preocupa os membros da Celac.

Petróleo e geopolítica internacional

No cenário externo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou os desdobramentos da operação em entrevista à Fox News. O foco da Casa Branca recai agora sobre o controle da indústria petrolífera local.

Apesar da mudança forçada de regime, Trump assegurou que a China continuará recebendo petróleo venezuelano. A situação permanece volátil e exige diplomacia cautelosa. O Brasil aguarda os desdobramentos do debate deste domingo para definir os próximos passos na política externa, reafirmando a importância da articulação estratégica liderada pela Celac.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 04/01/2026
  • Fonte: FERVER