Ceia de Natal dispara e acumula alta de 49,57% nos preços

Bacalhau e vinho lideram aumentos recentes e pressionam o bolso. Confira o estudo da Rico sobre a inflação e veja como proteger seu orçamento de 2026.

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Preparar a Ceia de Natal deste ano exige uma engenharia financeira redobrada por parte das famílias brasileiras. Mesmo com a desaceleração recente da inflação oficial — o IPCA recuou de 4,87% para 4,46% no acumulado de 12 meses —, os custos reais para celebrar as festas subiram muito acima da média de mercado.

Um levantamento inédito realizado pela Rico mostra que a inflação continua corroendo o poder de compra em itens essenciais. Segundo Maria Giulia Figueiredo, analista de research da corretora, a desinflação observada nos índices gerais em 2025 não elimina a pressão sobre o orçamento doméstico.

“No fim do ano, categorias sensíveis à demanda e ao câmbio aceleram novamente, fazendo com que o consumidor sinta que tudo continua mais caro”, explica a analista.

Para ilustrar o impacto na sua Ceia de Natal, o estudo simulou o poder de compra ao longo do tempo. Uma família que gastava R$ 1.000,00 com os preparativos há cinco anos, hoje precisaria desembolsar R$ 1.495,70 para adquirir exatamente os mesmos produtos.

Vilões da Ceia de Natal: O que mais encareceu?

O estudo mapeou seis itens tradicionais — filé-mignon, bacalhau, queijo, vinho, frutas e leite condensado — em três janelas temporais distintas. A conclusão é alarmante: a cesta de produtos natalinos subiu 49,57% entre 2020 e 2025, superando largamente o IPCA do período (38,70%).

No recorte de longo prazo, as frutas foram as grandes responsáveis pela alta, acumulando 93,08% de aumento em cinco anos. Choques climáticos severos e uma logística encarecida explicam esse cenário.

Contudo, ao analisarmos apenas os últimos 12 meses (novembro de 2024 a novembro de 2025), o perfil da inflação muda. Os importados assumiram o protagonismo na escalada de preços da Ceia de Natal:

  • Bacalhau: Alta de 17,60% no último ano.
  • Vinhos: Encareceram 16,36%.
  • Filé-mignon: Subiu 4,97%.
  • Frutas: Registraram queda de -0,60% devido à melhora na oferta.

Maria Giulia destaca que, apesar da valorização do real em 2025, o câmbio ainda exerce forte pressão sobre produtos sazonais importados, afetando diretamente quem não abre mão do bacalhau e do vinho na mesa.

Além da mesa: Serviços e presentes disparam

O custo do fim de ano não se resume apenas à Ceia de Natal. O comportamento típico de dezembro envolve deslocamentos, presentes e encontros, categorias que também sofreram reajustes pesados.

Quem depende de transporte por aplicativo para visitar parentes sentirá o maior impacto. O serviço acumula uma alta impressionante de 65,57% apenas nos últimos 12 meses. Em cinco anos, o salto foi de 98,45%, impulsionado pela alta demanda e custos operacionais dos motoristas.

No quesito presentes, as flores naturais acumulam 60,60% de alta em cinco anos. Por outro lado, itens como perfumes registraram uma leve deflação (-0,76%) no último ano, oferecendo uma alternativa mais viável para o consumidor.

Como salvar o orçamento de 2026

Para que a Ceia de Natal não se transforme em dívidas impagáveis no início do ano, o planejamento é inegociável. Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, sugere seis estratégias práticas para manter o equilíbrio financeiro:

  1. Orçamento detalhado: Liste absolutamente tudo, desde a decoração até o transporte. Defina um teto de gastos por categoria para evitar compras por impulso.
  2. Reinvente o presente: Troque o amigo oculto tradicional por “amigo experiência” ou itens sustentáveis. O foco deve ser o vínculo, não o valor da etiqueta.
  3. Antecipe o que for possível: Bebidas, grãos e carnes congeladas podem ser comprados antes do pico de preços de dezembro.
  4. Atenção às compras online: Desconfie de preços muito abaixo da média e verifique a reputação das lojas para evitar golpes.
  5. Uso estratégico do 13º: Priorize quitar dívidas com juros altos. Use o bônus para consumo apenas se as contas de janeiro estiverem garantidas.
  6. Celebração colaborativa: Dividir os custos e os pratos da ceia alivia o bolso de todos e mantém o espírito de união.

Sobre o pagamento, Thaisa alerta: “As pessoas sentem que pagam menos ao parcelar, o que aumenta o risco de exageros”. O parcelamento sem juros é válido para diluir gastos grandes, mas o pagamento à vista é preferível sempre que houver desconto real. O objetivo final é garantir uma Ceia de Natal farta, mas financeiramente sustentável.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 25/12/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo