CBF em polêmica: salários altos e relações com políticos agitam a gestão de Ednaldo Rodrigues

Ednaldo não hesitou em aumentar significativamente os salários dos presidentes das federações, passando de R$ 50 mil para impressionantes R$ 215 mil mensais

Crédito: Rafael Ribeiro/CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se vê novamente no centro de uma controvérsia. Desde que assumiu a presidência da entidade, Ednaldo Rodrigues tem sido alvo de críticas por sua gestão, especialmente em relação às mordomias proporcionadas durante a Copa do Mundo de 2022 no Catar.

Conforme apurado pela revista “Piauí”, Rodrigues não hesitou em aumentar significativamente os salários dos presidentes das federações, passando de R$ 50 mil para impressionantes R$ 215 mil mensais, além de instituir um décimo sexto salário. Tal medida foi interpretada como uma estratégia para fortalecer suas relações com os dirigentes do futebol brasileiro.

No entanto, essa aproximação com os cartolas não foi o único fator que contribuiu para sua reeleição unânime na presidência da CBF. O estreitamento de laços com políticos também teve um papel fundamental. Durante o torneio mundial, Ednaldo Rodrigues custeou hospedagens em hotéis cinco estrelas e forneceu cartões corporativos com limites diários de até R$ 2,5 mil para um grupo de 49 pessoas, incluindo figuras políticas proeminentes.

Entre os beneficiados estavam o deputado federal José Alves Rocha (União Brasil-BA), que levou sua esposa, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que viajou com sua namorada. Além deles, Rodrigues não poupou despesas ao incluir sua família na lista de convidados, cobrindo custos para sua esposa, filha, cunhada, genro e dois netos.

A relação estreita com políticos também se refletiu na estrutura interna da CBF. Rodrigues nomeou seis pessoas ligadas ao Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), uma entidade que mantém vínculos com a confederação desde agosto de 2023. Entre essas nomeações estava Francisco Schertel Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes, cofundador e sócio do IDP.

Em 2023, no entanto, a situação de Ednaldo Rodrigues se complicou quando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu destituí-lo do cargo sob alegações de irregularidades na sua eleição. Em resposta, o presidente recorreu aos tribunais superiores em Brasília e desembolsou R$ 6,5 milhões em honorários advocatícios para Pedro Trengrouse. Como resultado desse recurso, o julgamento ficou sob responsabilidade do ministro Gilmar Mendes.

As manobras políticas e as acusações que cercam Ednaldo Rodrigues levantam questões sobre a governança na CBF e as implicações éticas das relações entre futebol e política no Brasil.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 05/04/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo