Cassação de Carla Zambelli é rejeitado pela Câmara
Na madrugada desta quinta-feira (11), o plenário da Câmara dos Deputados negou a perda de mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP)
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 11/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Em uma das votações mais controversas da legislatura, o plenário da Câmara dos Deputados decidiu, na madrugada da última quinta-feira (11 de dezembro), rejeitar o pedido de cassação do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A decisão surpreendeu, visto que a parlamentar já havia sido condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes graves que envolviam invasão de sistemas informáticos e falsidade ideológica.
O resultado da deliberação foi de 227 votos favoráveis à cassação e 170 votos contrários. No entanto, para que a medida fosse aprovada e o mandato da deputada Carla Zambelli fosse cassado, era necessário obter o quórum de maioria absoluta da Casa, totalizando 257 votos. O placar final, com 30 votos a menos do necessário, garantiu, momentaneamente, a manutenção do mandato de Carla Zambelli.
Condenação unânime de Carla Zambelli
A condenação de Carla Zambelli pelo STF ocorreu de forma unânime na Primeira Turma da Corte. Os ministros determinaram não apenas a pena privativa de liberdade de dez anos, mas também a cassação do mandato, a inelegibilidade e a imposição de multa à parlamentar. Embora o STF tenha decretado a perda imediata do cargo, o aval final para a cassação de deputados cabe ao Congresso Nacional.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) apontam que Carla Zambelli teria colaborado diretamente com o hacker Walter Delgatti Netto em uma série de invasões aos sistemas do Judiciário brasileiro. Foram contabilizadas treze ocorrências de invasão, durante as quais foram inseridos 16 documentos fraudulentos.
“Durante essas ações, foram inseridos 16 documentos fraudulentos, que incluíam um mandado de prisão direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, além de ordens para quebra de sigilo bancário e bloqueio de bens do magistrado.”
As autoridades sustentam que a intenção da deputada era clara: desacreditar o processo eleitoral no Brasil e influenciar negativamente a percepção pública sobre as instituições democráticas e seus membros.
A fuga e o processo de extradição
Em junho deste ano, Carla Zambelli tentou evitar as consequências legais de seus atos e fugiu para a Itália. Contudo, ela foi presa nas proximidades de Roma logo após ser alvo de um pedido da Interpol, uma vez que o STF já havia expedido o mandado de prisão.
Atualmente detida em solo italiano, a deputada enfrenta um processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro. O pedido ainda está pendente de análise pela justiça italiana, enquanto o placar da Câmara reforça a complexidade do caso e a divergência de posicionamentos entre os Poderes.