Casos de dengue explodem com calor e chuvas de verão
Combinação climática acelera ciclo do Aedes aegypti em 2025. Saiba diferenciar sintomas, riscos da automedicação e como eliminar focos.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 11/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Os casos de dengue voltaram a disparar no Brasil com a chegada do verão, impulsionados pela combinação perigosa de altas temperaturas e chuvas frequentes. Dados recentes do Ministério da Saúde apontam um cenário alarmante: o país ultrapassou a marca de 840 mil infecções apenas nos primeiros três meses de 2025, com registros de óbitos e circulação viral em diversas regiões.
Este cenário repete um padrão sazonal conhecido, onde o calor acelera o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti e o acúmulo de água facilita sua proliferação desenfreada. A infectologista Tassiana Galvão, da Santa Casa de São Roque — unidade gerenciada pelo CEJAM em parceria com a Prefeitura local —, esclarece que o aumento dos registros está diretamente atrelado às condições climáticas atuais.
“O excesso de chuvas aumenta a quantidade de focos de reprodução e as temperaturas elevadas aceleram o desenvolvimento do mosquito, o que resulta em maior circulação do vírus”, afirma a especialista. Essa dinâmica biológica exige atenção redobrada da população para frear a escalada nos casos de dengue em áreas urbanas.
Identificação e gravidade dos casos de dengue
Existem quatro sorotipos do vírus em circulação (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Embora os sintomas iniciais sejam semelhantes, a gravidade pode variar drasticamente, especialmente em pacientes que contraem a infecção pela segunda vez. A reinfecção por um sorotipo diferente eleva as chances de complicações severas, como sangramentos, hipotensão e dores abdominais persistentes.
Diferenciar os casos de dengue de outras viroses, como gripe ou Covid-19, é um desafio clínico. Enquanto infecções respiratórias geralmente apresentam tosse, coriza e dor de garganta, a arbovirose transmitida pelo mosquito manifesta sinais específicos:
- Febre alta repentina;
- Dores intensas no corpo e articulações;
- Dor de cabeça forte (especialmente atrás dos olhos);
- Mal-estar intenso.
O diagnóstico precoce é determinante para a evolução do quadro. Avanços nos testes rápidos têm facilitado a identificação da doença nos primeiros dias, permitindo intervenções médicas mais ágeis e assertivas.
Sinais de alerta e perigos da automedicação
Alguns sintomas indicam risco iminente de agravamento e exigem socorro médico imediato. Vômitos persistentes, sonolência excessiva, sangramentos e dor abdominal intensa são sinais de que o organismo está entrando em colapso. Grupos vulneráveis, como idosos, gestantes, crianças e imunossuprimidos, devem ser monitorados de perto ao menor sinal de suspeita nos casos de dengue.
A automedicação representa outro grande perigo. “Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramentos”, alerta a Dra. Galvão. A base do tratamento envolve repouso e, principalmente, hidratação vigorosa para auxiliar na recuperação e prevenir o choque hemorrágico.
CEJAM Ambiental intensifica combate aos focos
Para conter o avanço das notificações, o CEJAM Ambiental reforçou suas estratégias de prevenção através de visitas domiciliares e educação comunitária. A ação ocorre em articulação com o Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) da Prefeitura de São Paulo.
Bruno Saito, gestor ambiental do CEJAM, destaca que o armazenamento inadequado de água dentro das residências é o principal vilão. “É comum encontrar vasos de plantas em que ocorre apenas a troca da água, sem higienização do recipiente, o que não elimina ovos e larvas”, explica.
As equipes também encontram frequentemente caixas d’água com tampas danificadas e objetos esquecidos que acumulam chuva, como:
- Bandejas de geladeira e ar-condicionado;
- Ralos pouco utilizados;
- Vasilhas de água de animais;
- Pratos de plantas e tonéis destampados.
A atuação educativa visa adaptar a orientação à realidade de cada território. Quando os riscos são identificados, os agentes ensinam estratégias definitivas para a eliminação dos criadouros. Em regiões onde os casos de dengue apresentam alta incidência, as visitas são intensificadas e os focos registrados na plataforma municipal “Todos contra a dengue”.
A responsabilidade compartilhada é a única saída eficaz. Segundo Saito, a maioria dos focos está dentro das residências, o que coloca a solução nas mãos dos moradores. Eliminar recipientes e limpar quintais são atitudes que reduzem a transmissão viral e, consequentemente, evitam novos casos de dengue.