Casos de sarampo disparam: Brasil intensifica vacinação
A OPAS alerta sobre aumento de casos de sarampo nas Américas, com 10 mil confirmações e 18 mortes
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 12/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta em agosto, evidenciando um crescimento alarmante de 34 vezes no número de casos de sarampo em comparação com 2024. Até o momento, dez países nas Américas relataram ocorrências da doença, totalizando mais de 10 mil confirmações e 18 mortes associadas.
Os óbitos estão predominantemente concentrados no México, com 14 vítimas fatais, seguidos pelos Estados Unidos, que registraram três, e pelo Canadá, com uma morte. No Brasil, os dados mais recentes indicam 24 casos até o fim de agosto, sendo 19 deles localizados no estado do Tocantins. Apesar de ser um dos países com menor incidência na região, o Brasil permanece em alerta devido à elevada transmissibilidade do vírus.
Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Emergências Virais do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), enfatiza a urgência em aumentar as taxas de vacinação. “O sarampo é altamente contagioso. É fundamental que alcancemos pelo menos 95% de cobertura vacinal para estabelecer uma proteção coletiva e diminuir o número de pessoas suscetíveis ao vírus”, adverte.
O sarampo se propaga através do ar, por meio das secreções respiratórias de indivíduos infectados, afetando pessoas de todas as idades. Os sintomas típicos incluem febre alta, erupções cutâneas disseminadas pelo corpo, congestão nasal e irritação ocular. A doença pode levar a complicações sérias como pneumonia, encefalite, diarreia intensa e até cegueira, especialmente em crianças desnutridas ou em indivíduos com sistema imunológico comprometido.
A vacinação como medida preventiva
Historicamente, até o início da década de 1990, o sarampo era uma das principais causas de mortalidade infantil globalmente, resultando em aproximadamente 2,5 milhões de mortes anuais, predominantemente entre crianças. A introdução da vacina transformou esse cenário, permitindo que várias nações reduzissem gradativamente os casos da doença e alcançassem a eliminação da circulação endêmica em diversas áreas. Nas Américas, esse feito foi oficializado em 2016 com a concessão do certificado de eliminação.
No entanto, essa conquista não implica que o vírus tenha desaparecido completamente. O risco de reintrodução permanece alto, especialmente em regiões com baixa cobertura vacinal. De acordo com a Opas, a maior parte dos casos registrados em 2025 ocorreu entre pessoas não vacinadas ou cuja situação vacinal é desconhecida.
A imunização contra o sarampo requer duas doses da vacina. No Brasil, o calendário vacinal prevê a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade, além de campanhas específicas que abrangem outras faixas etárias.
Marilda Siqueira salienta que “as crianças que não têm ambas as doses registradas não estão completamente protegidas”. A adesão ao calendário vacinal é crucial para prevenir o ressurgimento do sarampo.
Segundo dados da Opas, a cobertura vacinal nas Américas ainda está abaixo do ideal para interromper a disseminação do vírus; em 2024, apenas 89% da população recebeu a primeira dose da vacina tríplice viral e apenas 79% completaram a segunda dose.
No contexto brasileiro, a situação é relativamente melhor do que a média continental. Após anos de declínio nas taxas de vacinação, houve um aumento significativo a partir de 2023. O Ministério da Saúde reporta que o número de municípios que alcançaram a meta de 95% na segunda dose da vacina tríplice viral saltou de 855 em 2022 para 2.408 em 2024.
Diante do aumento dos casos nos países vizinhos em 2025, o Brasil intensificou suas campanhas de imunização tanto nas áreas fronteiriças quanto em todo o território nacional. No Sul do país, por exemplo, a reativação da Comissão Binacional de Saúde com o Uruguai resultou numa mobilização significativa nas cidades gêmeas Sant’Ana do Livramento e Rivera.
Além disso, o Ministério da Saúde tem promovido dias D específicos para vacinação contra o sarampo em diferentes estados; em julho último, campanhas foram realizadas nas cidades fronteiriças do Acre e nos estados do Mato Grosso e Rondônia, onde cerca de três mil doses foram administradas. Em agosto, todos os municípios do Mato Grosso do Sul participaram dessa mobilização.
Marilda destaca que nenhuma estratégia será eficaz sem a colaboração da população: “Em parceria com secretarias estaduais e municipais, estamos atuando nos locais com casos confirmados para impedir a propagação do vírus. Contudo, essa iniciativa só será bem-sucedida se contarmos com o engajamento da comunidade. Isso envolve procurar assistência médica ao apresentar febre acompanhada de erupções cutâneas e manter as vacinações atualizadas”.