Caso Epstein: Veja as principais revelações dos arquivos
Arquivos recém-liberados detalham acusações contra líderes mundiais e magnatas, expondo a rede de influência do financista em mais de 3 milhões de páginas.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 01/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou o terceiro e mais volumoso lote de documentos sobre o caso de exploração sexual mais notório do século. Com mais de 3 milhões de páginas de provas, o material expõe conexões profundas entre o bilionário e figuras de alto escalão do poder mundial.
O impacto do último lote de arquivos do caso Epstein
O desfecho da divulgação massiva de documentos sobre Epstein marca um momento crítico para a transparência do Judiciário americano. Segundo o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, esta liberação de cerca de 3 milhões de documentos, 180 mil imagens e 2.000 vídeos deve ser a última grande entrega de materiais brutos sobre a rede de tráfico sexual operada pelo financista.
A análise técnica desses dados revela uma teia de influências que vai muito além de simples amizades casuais. Os arquivos detalham comunicações, registros de voo e depoimentos que colocam sob suspeita o comportamento de líderes políticos e magnatas da tecnologia em um período que abrange mais de três décadas de atividades ilícitas.
Acusações contra Donald Trump nos novos registros

Dentro do vasto material sobre Epstein, as menções ao presidente Donald Trump ganharam destaque imediato. Uma das denúncias mais graves provém de uma pessoa que se identificou como amiga de uma vítima, alegando que Trump teria abusado de uma adolescente de 13 ou 14 anos em Nova Jersey. O relato detalha um ato de violência sexual ocorrido há mais de 30 anos.
Além disso, os arquivos do FBI compilados nos documentos sobre Epstein citam uma rede de tráfico sexual que teria operado em um campo de golfe na Califórnia, pertencente ao republicano, entre 1995 e 1996. Embora o Departamento de Justiça tenha afirmado que muitas dessas acusações carecem de credibilidade formal, a presença de Trump em manifestos de voo do jato particular de Jeffrey — listado pelo menos oito vezes entre 1993 e 1996 — mantém o debate público aceso.
A defesa e as inconsistências nos arquivos
A Casa Branca e os advogados de Trump negam veementemente qualquer envolvimento. É importante notar que o próprio Departamento de Justiça alertou para a existência de materiais falsos infiltrados nos lotes, como vídeos manipulados de Epstein em sua cela.
- Posição oficial: Nenhuma acusação formal foi apresentada contra Trump nestes novos documentos.
- Intimações: Registros mostram que Mar-a-Lago recebeu solicitações de documentos em 2021 durante o processo contra Ghislaine Maxwell.
Citações brasileiras: Lula e Bolsonaro nos documentos

A surpresa para o público sul-americano foi a presença de nomes como Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva nos registros de Epstein. Contudo, os especialistas reforçam que as menções ocorrem em contextos periféricos e sem provas de crimes.
No caso de Jair Bolsonaro, as mensagens envolvem diálogos entre Jeffrey e Steve Bannon durante a campanha de 2018. Bannon sugeria manter a relação com o então candidato “nos bastidores”, tratando a eleição brasileira como um movimento estratégico global. Não há registro de que Bolsonaro tenha interagido diretamente com o criminoso sexual.
Quanto a Lula, o nome do petista surge em e-mails onde Jeffrey alega ter participado de uma conferência telefônica com Noam Chomsky enquanto o brasileiro estava detido em Curitiba. A Presidência da República desmentiu o fato, apontando que as regras da carceragem da Polícia Federal tornariam tal contato impossível. O interesse de Epstein parecia ser estritamente analítico sobre o cenário geopolítico da América Latina.
“Sempre me dei bem com Bill Clinton. Odeio ver fotos dele sendo divulgadas, mas é isso que os democratas estão pedindo, então estão divulgando minhas fotos também.” — Donald Trump, sobre a exposição de figuras públicas nos arquivos.
Bill Gates e Elon Musk sob os holofotes do escândalo

A rede de contatos de Epstein incluía os homens mais ricos do mundo. Bilhetes e e-mails recuperados sugerem uma proximidade desconfortável com Bill Gates e Elon Musk. Em 2013, o financista chegou a alegar que Gates mantinha relações extraconjugais, afirmando inclusive que o ajudou a obter medicamentos para lidar com consequências de encontros com mulheres russas. A Fundação Gates refuta as alegações, classificando-as como absurdas.
Já Elon Musk aparece em trocas de mensagens que sugeriam encontros na Flórida ou no Caribe entre 2012 e 2014. Outro nome relevante é Howard Lutnick, atual secretário de Comércio dos EUA, que planejava visitar a ilha particular de Epstein em 2012, apesar de afirmar publicamente ter cortado laços anos antes.
Quem é Jeffrey Epstein?
Para entender a magnitude do caso Epstein, é preciso revisitar sua trajetória. Ele não era apenas um financista; era um facilitador social que usava sua fortuna para comprar silêncio e acesso. Sua empresa, fundada em 1982, atendia exclusivamente bilionários, o que lhe conferia um escudo de impunidade quase impenetrável.
A vida dupla de Epstein começou a ruir em 2005, em Palm Beach. O que inicialmente parecia ser um caso isolado de prostituição revelou-se um esquema sistemático de estupro de vulneráveis. O acordo judicial de 2008, que permitiu que ele cumprisse apenas 13 meses de prisão com benefícios de saída diária, é hoje considerado um dos maiores fracassos do sistema jurídico americano.
Cronologia do declínio:
- 2005: Primeiras denúncias de estupro de menores em Palm Beach.
- 2008: Acordo controverso com o procurador Alex Acosta evita prisão federal.
- 2018: Novas vítimas surgem, desencadeando investigação em Nova York.
- 2019: Prisão de Jeffrey por tráfico sexual e sua morte subsequente na cela.
O legado de Ghislaine Maxwell e as vítimas silenciadas
Embora o mentor esteja morto, o caso Epstein continua vivo através da condenação de Ghislaine Maxwell. Ela foi a peça-chave na logística do abuso, recrutando e preparando as jovens para o esquema. Os novos documentos reforçam que muitas das imagens e vídeos apreendidos foram preservados para proteger a identidade das vítimas, que ainda buscam justiça e reparação.
A frustração de alguns legisladores reside no fato de que, apesar do volume colossal de dados, muitas informações cruciais sobre os “clientes” da rede permanecem protegidas por sigilo judicial ou foram censuradas pelo Departamento de Justiça sob a justificativa de segurança e privacidade das vítimas.
A liberação destes 3 milhões de documentos encerra um capítulo de pressão pública por transparência, mas inicia uma fase exaustiva de análise. O impacto político dessas revelações ainda será sentido nas próximas eleições americanas e na percepção pública sobre as elites globais.