Por trás da bandeira: Casais LGBT+ celebram a união na Parada 2025
Minissérie "Por trás da bandeira" estreia com histórias de afeto, descoberta e aceitação na maturidade
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Na edição de 2025 da Parada LGBT+ de São Paulo, que trouxe como tema “Envelhecer LGBT+”, dois casais mostraram que o amor e a descoberta da própria identidade não têm idade.
Entre os milhões de participantes, histórias de casais como a de Ge Martins e seu marido, juntos há oito anos, e de Raquel e Marli, que vivem o início de um relacionamento aos 56 e 60 anos, deram rosto e voz à luta por visibilidade na maturidade.
Raquel e Marli: novas descobertas depois dos 50

Do outro lado da avenida Paulista, Raquel, de 56 anos, e Marli, de 60, viviam a emoção de participar da Parada LGBT+ pela primeira vez. Ambas são mães e avós, e começaram a namorar há apenas cinco meses, após um encontro virtual.
“Eu sou a Raquel, tenho 56 anos, sou mãe de 4 filhos, sou homoafetiva desde os 37 anos e hoje estou aqui com a minha companheira Marli, comemorando essa questão do combate ao etarismo”, contou Raquel, emocionada.
Marli complementou: “Meu nome é Mali, eu tenho 60 anos, a Raquel é minha namorada, é a primeira vez que a gente está na parada e a gente está muito feliz.”
As duas ressaltam a importância do acolhimento entre pessoas da mesma faixa etária no processo de aceitação. “Gente, procurem pessoas para conversar. O legal é conversar com pessoas da mesma idade”, aconselhou Marli.
Para elas, a descoberta e aceitação da orientação sexual na maturidade foi algo natural. “Simplesmente eu aceitei e pronto.”
Ge e o reencontro inesperado: de amigos virtuais a casamento

Moradores de Praia Grande, Ge Martins e seu marido protagonizam uma história de reencontro e perseverança que começou nas redes sociais.
Ge, relembra o início da relação: “A gente se encontrou na internet, Facebook, entendeu? Se conheceu, não curtia nada, passou um bom tempo”, contou, rindo.
A aproximação aconteceu de forma inesperada, depois que Ge decidiu retomar suas postagens nas redes. “Resolvi voltar meus stories. Aí estava lá uma mensagem dele, a gente começou a conversar. Trocamos ideia, marcamos o primeiro encontro”, disse.
Quatro meses depois, o relacionamento já era oficializado: “Quatro meses estava casado. Estamos juntos até hoje”, declarou Ge sobre a relação que dura 8 anos.
O casal destaca que viver um relacionamento homoafetivo na juventude era um desafio ainda maior. “Eu sou gay desde os meus 18, 19 anos. Antigamente era difícil, hoje é mais fácil”, disse Ge, ao refletir sobre a evolução social em relação à comunidade LGBT+.
Mesmo assim, as barreiras de aceitação ainda existem, principalmente quando o assunto é envelhecimento. Eles afirmam, com orgulho, que contam com o apoio de familiares: “Todos me aceitam”, reforçou.
Visibilidade na maturidade: um ato político e afetivo
O tema da Parada deste ano, “Envelhecer LGBT+”, deu espaço para que histórias como as de Ge, seu marido, Raquel e Marli ganhassem protagonismo.
A luta por representatividade de pessoas LGBT+ acima dos 50 anos ainda é uma barreira enfrentada diariamente.
Raquel reforçou a importância de não viver com medo ou escondida: “Se aceite, é a primeira coisa. Não tem que viver na armadura, não tem que se esconder. Se é feliz em ser quem a gente é, não é errado, não é pecado.”
Conexões que resistem ao tempo
Seja na Praia Grande ou na capital paulista, os dois casais demonstraram que o amor e a busca por pertencimento são sentimentos que não envelhecem.
Ge e seu marido celebram quase uma década de parceria, enquanto Raquel e Marli vivem a intensidade de um novo começo.
Ambos os relatos reforçam o recado que ecoou na avenida durante a Parada LGBT+ 2025: visibilidade na terceira idade é também um ato de resistência e dignidade.
Em comum, os dois casais compartilham o orgulho de envelhecer sendo quem realmente são e inspiram outras pessoas a fazer o mesmo.