Casa própria exige atenção aos custos antes da compra
Planejamento financeiro auxilia a evitar custos extras, dívidas e decisões precipitadas na compra de casa própria
- Publicado: 19/08/2026 15:06
- Alterado: 19/08/2026 15:07
- Autor: Daniela Penatti
O sonho da casa própria continua entre os principais objetivos dos brasileiros. Levantamento divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que 49% da população pretende comprar um imóvel. Apesar disso, transformar o desejo em aquisição exige planejamento financeiro e atenção a uma série de despesas que podem passar despercebidas.
Segundo Patrick Santos, doutor em Economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, a previsibilidade financeira é um dos fatores determinantes para o sucesso da compra. Para ele, o principal obstáculo nem sempre está na renda disponível, mas na falta de organização para assumir um compromisso de longo prazo.
“O maior vilão na conquista da casa própria não costuma ser a falta de renda, mas a ausência de planejamento. Quem necessita do imóvel imediatamente arca com altas taxas de juros dos financiamentos. Já quem tem margem para planejar a médio ou longo prazo pode utilizar ferramentas como o consórcio ou outros meios para construir esse patrimônio sem se preocupar com juros”, afirma.
Casa própria exige atenção aos custos extras

Um dos primeiros cuidados deve ser evitar que o preço anunciado seja tratado como o único gasto da aquisição. Escritura, registro em cartório e vistoria, por exemplo, também precisam entrar no orçamento e podem representar entre 4% e 8% do valor do imóvel.
Reserva de emergência não deve ser ignorada

Outro erro frequente é utilizar toda a reserva financeira para aumentar o valor da entrada. Embora uma entrada maior possa reduzir o montante financiado, ficar sem recursos para emergências deixa a família mais vulnerável justamente no período de adaptação ao novo imóvel.
Também é importante evitar novas dívidas durante o processo de compra. Grandes parcelamentos assumidos antes da assinatura do contrato podem diminuir a capacidade de crédito e comprometer o orçamento familiar.
Planejamento da casa própria continua após a mudança

As despesas não terminam quando o contrato é assinado. O comprador precisa considerar gastos recorrentes, como condomínio, IPTU e manutenção, além da parcela mensal eventualmente assumida. Ignorar esses valores pode fazer com que uma prestação aparentemente compatível se transforme em um peso significativo no orçamento.
Por fim, a escolha da modalidade de aquisição deve ser feita de maneira criteriosa. Decidir por impulso, sem comparar as condições de um financiamento tradicional com alternativas voltadas ao médio e longo prazo, como o consórcio, pode resultar em uma decisão menos adequada à realidade financeira do comprador.
Para Patrick Santos, analisar antecipadamente as possibilidades é fundamental para quem deseja construir patrimônio sem comprometer a saúde financeira. Nesse cenário, a casa própria deixa de ser apenas um objetivo e passa a exigir uma estratégia compatível com a renda, as reservas e os planos de cada família.
A recomendação é avaliar todos os custos envolvidos, preservar uma reserva para imprevistos, evitar novas dívidas e comparar as modalidades disponíveis antes de fechar negócio. Dessa forma, a casa própria pode ser conquistada com maior previsibilidade e menor risco de endividamento.