Casa da Palavra Mário Quintana passa por restauro para ampliar ações culturais

Com revitalização que exigiu R$ 1,8 milhão de investimento, o prefeito de Santo André, Gilvan Junior, entregou, no último dia 25, a Casa da Palavra Mario Quintana totalmente revitalizada e seguindo os trâmites exigidos para a restauração de um patrimônio histórico

Crédito: Celso Rodrigues

Criada em 1920, a Casa da Palavra Mário Quintana abrigou diversos órgãos antes de se tornar esse equipamento cultural importante de Santo André, que ecoa as vozes e as mais diversas formas de a cultura se expressar, assim, o prefeito Gilvan Junior (PSDB) inaugurou, no último dia 25, o ambiente totalmente revitalizado, desde o telhado até os detalhes que remontam sua época de construção, preservando todo seu legado histórico e sua infraestrutura, já que se trata de um patrimônio histórico, com investimento de R$ 1,8 milhão, além do lançamento do site Santo André é Você.

A Secretária de Cultura da cidade, Azê Diniz, em sua fala, reconstruiu a história da Casa da Palavra contando sua trajetória.

Originalmente, entre o final dos anos 1920 e o início da década de 1930, essa casa onde estamos serviu de residência para a senhora Paulina Isabel de Queiroz, uma viúva de um importante comerciante da época, inclusive responsável pelo movimento de urbanização do centro de Santo André. Em 1938, esse imóvel foi arrendado pela Prefeitura de Santo André, e já foi uma escola profissional mista secundária, um dispensário de puericultura, uma clínica infantil, serviço de assistência médico-hospitalar, pronto-socorro e gabinete do prefeito Fioravante Zampol. Já nas décadas de 70 e 80, a casa atendeu à Junta do Serviço Militar, a união cívica feminina e ao serviço de promoção social de Santo André. Mas é em 1992, após uma grande reforma, que esse espaço passa a abrigar a Casa da Palavra. Desde então, o trabalho de difusão e de formação cultural é voltado ao atendimento dos apreciadores e produtores de literatura, pesquisadores, pensadores, estudantes, artistas, poetas”, contou Azê a história da Casa da Palavra Mário Quintana.

Ao fazer uso da palavra, o prefeito destacou o resgate da história, das entregas, o que está por vir na área da Cultura e que deseja que o espaço novo seja muito utilizado pela população.

“Quantas histórias não passaram por aqui? E a Casa se junta aos outros símbolos que foram resgatados, ainda na gestão de Paulo Serra, que são o Teatro Carlos Gomes, o Teatro Municipal, Vila de Paranapiacaba, entre outros. Quantos símbolos resgatados. Daqui a pouco vem o museu. E continuam essas entregas resgatando a história, o orgulho de Santo André. Mas, sobretudo, que as pessoas utilizem. Que as pessoas vivam aqui. Por isso, a gente tem que ouvir muito quem usa os equipamentos para dar o melhor uso, para que seja ocupado. E a gente tem uma cultura cada vez mais forte, mais viva. E que as pessoas se apropriem disso”, discursou o tucano.

A Secretária ressaltou a importância do equipamento para reordenação cultural do município, inclusive, para aqueles que pouco tem visibilidade.

“Na verdade, essa casa é para quem acredita que a cultura pode, sim, fazer a diferença na nossa sociedade. Este é um lugar para quem quiser chegar. E a partir de hoje, juntamente com vocês, poderemos potencializar essas ações. A primeira ação que a gente vai abrir nesta casa, é o lançamento de um novo site, de um projeto que acontece na Secretaria de Cultura desde 2018, chamado Santo André é Você. Para aquela boleira, aquela benzedeira, aquelas pessoas que também produzem cultura, mas que não têm a visibilidade que deveriam receber. Além das linguagens artísticas, a cultura é uma dimensão que amplia as formas de uma sociedade se organizar e se fazer presente no cotidiano de todas as pessoas. A gente chama de bairro essas diferenças de culturas, de pessoas, de comportamentos. Na cultura, na Secretaria, nós chamamos de territórios culturais. E esses territórios culturais estão presentes nos diálogos entre o passado e o presente. As afinidades que os habitantes compartilham entre si, sendo através de hábito, costume, gosto, tradição, desejo, anseio. Enfim, manifestações culturais, festas que acontecem nas comunidades. É um grande mosaico que espelha as identidades de cada pedacinho da cidade. Esse site irá funcionar coletando essas histórias, essas memórias, partindo do ponto de vista dos munícipes. Eles é que vão alimentar o site”, explicou a Secretária o mote do novo site.

Gilvan disse que a ideia é fazer com que o Centro da cidade seja ocupado em sua totalidade, inclusive, na área da cultura.

“Aqui, a gente reabre a Casa da Palavra, uma casa de 1920 e que se tornou Casa da Palavra em 1992. Então, hoje, uma reabertura depois de uma grande revitalização, restauração, reforma, com R$ 1,8 milhão de investimento, todos esses espaços revitalizados e restaurados, a gente tem muitos pontos restaurados pela casa. Além de toda a Casa da Palavra, todas as atividades culturais que já eram existentes, a gente vai trazer um outro público agora para utilizar a casa, é a casa da região central, então é importante que a gente faça o centro cada vez mais rico. E a cultura é isso, trazer as pessoas para utilizar o centro da cidade, mas sobretudo os equipamentos culturais. Uma reforma, quando exige restauro, sempre fica um pouco mais demorada porque tem um cuidado maior. Até porque também é de interesse dos conselhos revitalizar os espaços tombados para uso. Então, o espaço é tombado, mas precisa ter uso”, convidou Gilvan a população para participar dos eventos da Casa da Palavra.

Vindo da Casa das Rosas, na avenida Paulista, Julio Mendonça, coordenador da Casa da Palavra, explicou qual será sua função no órgão cultural.

“Esta é uma casa que tem um potencial muito grande, é uma casa muito bonita, num local privilegiado, de fácil acesso para toda a cidade. Mas, o mais importante é que isto seja um espaço muito democrático, em que a gente tenha muito diálogo com a cidade, com os artistas, com a população, com os comerciantes aqui do entorno. Nós queremos criar um conselho gestor para poder estabelecer relações de maneira mais concreta. E, claro, manter uma programação cultural de qualidade com artistas da cidade, com artistas da região da ABC, com artistas de São Paulo e de outros lugares. Uma programação de qualidade, com bons cursos na área das artes da palavra, procurando atender a ampla gama de expressões das artes da palavra hoje, porque as artes da palavra são muitas e cada vez surgem novas. Então, a gente tem que estar atento a tudo isso. Os jovens estão criando novas formas de expressão da palavra, inclusive juntando palavra e imagem, palavra e música. Trabalhei dez anos lá – Casa das Rosas – e sempre muito interessado em conhecer novos projetos, trazer novos projetos e, principalmente, projetos que sejam estimulantes para a criação e para o pensamento, para fazer refletir, para fazer pensar nos problemas do presente, nos desafios para o futuro. Esse é um outro aspecto no qual nós precisamos trabalhar aqui também. Esse é um espaço de criação e um espaço de pensamento. A palavra é o nosso principal instrumento de nós, seres humanos. Então, ela envolve criação, comunicação e pensamento, propõe o coordenador.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 05/05/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade