Carne, legumes e verduras lideram alta de preços em maio
O grupo alimentação respondeu por cerca de 61% do aumento do custo de vida geral do paulistano, aponta FecomercioSP
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS) registrou alta de 0,47% em maio, acumulou 5,27% no ano e 8,37% nos últimos doze meses, aponta a pesquisa realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Apesar de ser considerado alto, o índice de maio é inferior aos ocorridos entre janeiro e abril. Nos últimos três meses, o indicador alcançou 1,26% em fevereiro, 1,55% em março e 0,68% em abril e desde o início do ano vem batendo suas marcas mais altas da série histórica. O aumento dos preços em 5,27% representa o maior resultado do período e já supera, também, a alta de 5,21% observada entre janeiro e novembro de 2014.
O grupo alimentação foi o principal responsável pelo avanço dos preços e respondeu por cerca de 61% do acréscimo do indicador, com altas de 1,29% no mês, 5,36% no ano e 9,22% nos últimos doze meses. Habitação foi o segundo grupo que mais contribuiu com a elevação do índice, com crescimento de preços de 0,97% no mês, 12,55% no ano e 18,87% nos últimos doze meses.
A queda de 1,17% observada no grupo transportes, que acumula inflação de 3,26% no ano e 6,65% em doze meses, evitou uma maior elevação do CVCS em maio.
Educação apresentou redução de 0,04% e comunicação não teve alteração de preços. As demais categorias registraram altas mensais: saúde (0,99%), despesas pessoais (1,53%), vestuário (0,93%%) e artigos do lar (0,35%).
A avaliação com foco nas faixas de renda demonstra que a classe A foi a mais prejudicada com a alta dos preços em maio, com elevação do custo de vida em 0,56%, acumulando 4,99% no ano e 7,93% em doze meses. A classe D foi a menos impactada, com alta de 0,43%, atingindo 5,70% no ano e 9,33% em doze meses.
IPV
O Índice de Preços do Varejo (IPV), um dos indicadores que compõem o CVCS, registrou alta de 0,74% em maio. A variação acumulada no ano foi de 4,36%, valor superior aos 3,85% observados no mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 5,70%.
O responsável pela elevação também foi alimentação, com alta de 1,18%. Educação teve redução de 0,64% nos preços e os demais grupos apresentaram as seguintes altas: saúde e cuidados pessoais (1,03%), vestuário (0,93%), habitação (1,03%), transportes (0,17%), artigos de residência (0,34%) e despesas pessoais (0,88%).
IPS
O Índice de Preços de Serviços (IPS), que também constitui a pesquisa, registrou elevação de 0,19% em maio e acumula alta de 6,24% no ano, três vezes maior que os 2,05% registrados no mesmo período do ano passado, e 11,24% nos últimos doze meses.
O grupo alimentação também foi o grande vilão com elevação mensal de 1,45%, acumulando 5,44% de aumento de preços no ano e 10,94% em doze meses. Habitação foi o segundo maior responsável, com alta de 0,95% no mês, 14,85% no ano e 22,63% em doze meses, valores extremamente superiores aos de maio do ano passado. Em 2015, os preços relativos à habitação cresceram três vezes mais se comparados ao acumulado nos primeiros 5 meses de 2014.
O ponto positivo foi visto no grupo transportes que, com queda de 3,54%, impediu que o índice geral alcançasse mais uma de suas máximas. A queda provém da redução de 26,41% dos preços das passagens aéreas, maior retração do mês dentre os itens avaliados.
Educação e comunicação não apresentaram alteração nos preços e os demais grupos registraram alta: despesas pessoais (1,87%), saúde e cuidados pessoais (0,94%) e artigos de residência (0,49%).
Para a Federação, apesar de o custo de vida na região metropolitana de São Paulo ter apresentado em maio desaceleração, não é possível falar em uma real melhora do cenário, já que o resultado foi fortemente contido pelo recuo no grupo transportes, ocasionado pelos preços das passagens aéreas. A Entidade reforça ainda que na avaliação das demais atividades é perceptível que a elevação dos preços continua disseminada e persistente, e esse é o provável comportamento para os próximos meses.
Na análise da assessoria econômica, a inflação medida pelo IPCA deve encerrar o ano em 8,79%. Ou seja, bastante acima da meta estipulada pelas autoridades monetárias, situação não observada nos últimos doze anos.
METODOLOGIA
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV 181 produtos de consumo.
As faixas de renda variam de acordo com os ganhos familiares: até R$ 976,58 (E); de R$ 976,59 a R$ 1.464,87 (D); de R$ 1.464,88 a R$ 7.324,33 (C); de R$ 7.324,34 a R$ 12.207,23 (B); e acima de R$ 12.207,24 (A). Esses valores foram atualizados pelo IPCA de janeiro de 2012. Para cada uma das cinco faixas de renda acompanhadas, os indicadores de preços resultam da soma das variações de preço de cada item, ponderadas de acordo com a participação desses produtos e serviços sobre o orçamento familiar.