Carnaval mais caro: custos da folia saltam 80% em 10 anos
O estudo revela que despesas com bebidas, estética e viagens superam a inflação oficial. Entenda o impacto da alta de preços na sua celebração.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Carnaval representa um dos momentos mais aguardados do calendário cultural, mas os foliões enfrentam um obstáculo financeiro crescente. Dados recentes indicam que a “cesta carnavalesca” — conjunto de produtos e serviços essenciais para a festa — acumulou uma alta de 79,07% na última década. Esse índice supera significativamente a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que registrou avanço de 64,77% no mesmo período.
Essa disparidade de quase 14 pontos percentuais revela que o custo para aproveitar o feriado subiu em um ritmo muito mais acelerado do que a média dos preços da economia brasileira. O levantamento, realizado pela plataforma de investimentos Rico, analisou itens cruciais como bebidas alcoólicas, transporte e serviços de beleza. Maria Giulia Figueiredo, analista responsável pela pesquisa, destaca que a folia encareceu sistematicamente acima da inflação média de bens e serviços.
O peso da inflação no orçamento do Carnaval
Ao observar um recorte temporal mais curto, de seis anos, a tendência de alta se mantém, embora a diferença tenha diminuído. A cesta de produtos ligados ao Carnaval subiu 48,97%, enquanto o IPCA avançou 39,15%. Mesmo nas projeções para 2025, os itens selecionados continuam pressionando o bolso do consumidor mais do que o índice geral de preços.
A composição desses gastos não afeta o orçamento de forma isolada. O impacto surge da combinação de reajustes em múltiplas frentes. Veja a variação de preços acumulada em 10 anos para os principais itens:
- Outras bebidas alcoólicas (destilados/coquetéis): +80,76%
- Passagem aérea: +74,23%
- Bijuteria: +61,76%
- Cerveja: +58,18%
- Ônibus interestadual: +54,91%
- Artigos de maquiagem: +35,16%
Vilões do preço: Bebidas e logística
O item que lidera a escalada de preços no Carnaval são as bebidas alcoólicas (excluindo cerveja), com uma inflação superior a 80%. A cerveja também não ficou barata, acumulando alta de quase 60%. O estudo aponta que o encarecimento de insumos básicos, como o malte e o alumínio utilizado nas latas, impulsionou esses valores. A valorização do dólar também exerce forte influência, encarecendo a importação de matérias-primas.
Para quem planeja viajar, o cenário exige cautela. As passagens aéreas quase dobraram de preço na última década, refletindo a volatilidade do preço dos combustíveis e a alta demanda sazonal. Já as passagens de ônibus subiram quase 55%, tornando o deslocamento um dos maiores gargalos financeiros para quem deseja curtir o Carnaval em outras cidades.
Estética e brilho custam mais
A preparação visual para os blocos e festas também sofreu reajustes consideráveis. As bijuterias, essenciais para as fantasias, subiram mais de 61% em dez anos. O curto prazo mostra um cenário ainda mais desafiador: no acumulado de 2025, este item apresentou a maior alta de toda a cesta analisada. Custos de produção e a cotação da moeda americana afetam diretamente o preço de metais e pedras sintéticas.
Serviços de beleza, como cabeleireiros e barbeiros, acumularam alta de 42,62% nos últimos seis anos. A variação da demanda, que atinge picos durante o Carnaval, permite que o setor de serviços reajuste seus preços para aproveitar a maior disposição de consumo da população.
Estratégias para blindar o bolso na folia
Diante de um cenário de inflação setorial elevada, o planejamento financeiro torna-se obrigatório. Thaisa Durso, educadora financeira, sugere que a antecipação é a melhor ferramenta contra preços abusivos. Comprar passagens e reservar hospedagem meses antes evita a inflação de última hora típica da alta temporada.
Outro ponto crucial é a segurança dos recursos. Durante as aglomerações do Carnaval, recomenda-se desativar o pagamento por aproximação dos cartões e utilizar uma “doleira” para proteger pertences físicos. Estabelecer um teto de gastos diário e priorizar o uso de dinheiro em espécie ou cartões pré-pagos ajuda a manter o controle e evita surpresas na fatura do cartão de crédito após a Quarta-Feira de Cinzas.
Manter uma reserva de emergência — um “abadá financeiro” — garante liquidez para imprevistos, impedindo que o folião recorra a créditos com juros altos. Ao final do Carnaval, organizar as contas imediatamente é essencial para que a ressaca financeira não comprometa o restante do ano.