Carnaval: itens da folia sobem 8,6% em relação ao ano passado

Itens da folia registram alta de 8,6% este ano. Serviços e alimentação puxam a fila do aumento de custos segundo a FecomercioSP.

Crédito: Divulgação/Prefeitura de São Paulo.

Carnaval deste ano exigirá um planejamento financeiro muito mais rigoroso dos foliões que desejam aproveitar a festa nas ruas. Quem pretende sair de casa sentirá no bolso um impacto médio de 8,6% nos custos, percentual que supera significativamente a inflação geral acumulada de 4,3%. Os dados fazem parte de um levantamento detalhado da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

A análise utilizou como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para medir a variação acumulada nos 12 meses anteriores a dezembro de 2025. O cenário revela uma pressão inflacionária concentrada, atingindo em cheio a “cesta de folia”, que por si só já apresenta elevação de 5,6%.

O vilão está nos serviços, não nos produtos

Ao contrário do que ocorre em crises de desabastecimento, a alta atual não deriva da falta de produtos, mas do aquecimento do mercado de trabalho e da demanda elevada. O setor de Serviços protagoniza esse encarecimento. Em períodos de pico, como o Carnaval, a oferta de mão de obra não consegue acompanhar a explosão da procura, resultando em preços mais salgados para o consumidor final.

Fabio Pina, assessor da FecomercioSP, esclarece que o fenômeno é setorial e sazonal. A indústria mantém preços estáveis, mas o custo de servir o cliente — envolvendo aluguel comercial, energia e salários — dispara nestas datas.

Preços no Carnaval disparam em bares e restaurantes

O impacto mais severo recai sobre a alimentação fora do domicílio. A conveniência de comer e beber na rua custará bem mais caro, impulsionada pelo poder de precificação temporário que os estabelecimentos ganham durante a festa.

Confira os itens que apresentaram variações muito acima da média:

  • Cafezinho: Alta de 15,5%
  • Lanches: Alta de 11,4%
  • Vinho: Alta de 10,9%
  • Sorvete: Alta de 10,2%

É crucial notar a diferença entre comprar no mercado e consumir na rua. Bebidas alcoólicas adquiridas para consumo doméstico registram variações baixas ou negativas. Porém, ao serem consumidas em blocos ou eventos de Carnaval, o valor agregado do serviço infla o preço final.

Turismo e diversão acompanham a alta

Quem viaja ou frequenta festas privadas também encontrará valores reajustados. O grupo de turismo e diversão acumulou uma variação de 8,2%. Com a ocupação hoteleira e de eventos próxima do limite, os empresários antecipam os ajustes para capturar a disposição do público em gastar.

Os destaques de aumento neste segmento são:

  • Clubes: 10,1%
  • Hospedagens e casas noturnas: 9,6%
  • Pacotes turísticos: 7,1%

Mobilidade e vestuário oferecem alívio

Nem tudo, porém, representa aumento abusivo. O setor de mobilidade apresentou uma inflação mais moderada, na casa dos 4,6%. Enquanto o transporte público subiu 9,2% e estacionamentos 6,4%, os combustíveis seguraram a média com uma variação de apenas 2,3%, inferior ao índice geral.

Outra boa notícia para quem vai pular o Carnaval está no vestuário. Roupas e acessórios registraram alta de 4,2%, abaixo da inflação. A concorrência acirrada no setor e as promoções de início de ano favorecem quem precisa comprar fantasias ou roupas leves, permitindo alguma economia em meio à carestia dos serviços.

Renda disponível sustenta o consumo

Mesmo com juros elevados freando o varejo no fim do ano passado, o brasileiro continua consumindo com base na renda disponível, que cresceu em comparação ao ano anterior. Esse fator mantém a demanda aquecida e valida os reajustes aplicados pelo mercado. Portanto, a recomendação é pesquisar e priorizar o consumo consciente para que a conta final do Carnaval não se transforme em uma ressaca financeira nos meses seguintes.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 09/02/2026
  • Fonte: FERVER