Carnaval do Rio: veja a escola rebaixada do Grupo Especial do Rio em 2026

Entenda como enredos políticos e notas baixas definiram o descenso para a Série Ouro em 2027

Crédito: Eduardo Hollanda

O Carnaval do Rio encerrou seu ciclo competitivo de 2026 com um desfecho dramático para duas escolas tradicionais na tarde desta quarta-feira. Após a leitura rigorosa das notas, a Acadêmicos de Niterói foi confirmada como as rebaixada do Grupo Especial. A escola disputará a Série Ouro em 2027, pagando o preço por um desfile marcado por polêmicas políticas e falhas técnicas que não passaram despercebidas pelos jurados.

Acadêmicos de Niterói aposta em Lula e amarga a lanterna

Acadêmicos de Nitéroi - Homenagem Lula - Carnaval do Rio
Eduardo Hollanda

A situação mais crítica ficou com a Acadêmicos de Niterói, que somou apenas 264.6 pontos. A escola, que estreava na elite, trouxe para a avenida uma aposta arriscada ao homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, transformou o desfile em alvo de críticas antes mesmo de a escola pisar na Passarela do Samba.

Acusada de realizar propaganda eleitoral antecipada, a agremiação sofreu com o julgamento técnico e com a repercussão negativa. A transmissão oficial adotou medidas restritivas e orientações específicas para as equipes de filmagem devido ao teor partidário da apresentação.

O enredo buscava exaltar a trajetória política do homenageado, conforme descrito na sinopse oficial da escola:

“Goste dele ou não, é preciso aceitar: Lula é o político mais bem-sucedido de seu tempo. A combinação de uma personalidade carismática com sensibilidade social são trunfos sublimes do homenageado.”

Apesar da defesa do tema, o Carnaval do Rio cobra excelência técnica, e a mistura de política explícita com samba resultou em penalidades severas. A ausência de figuras esperadas também marcou negativamente a passagem da escola. O presidente Lula não compareceu, embora tenha ido à Passarela. Já a primeira-dama, Janja, cancelou sua participação de última hora, optando por assistir ao cortejo de um camarote.

Carnaval do Rio penaliza erros da Mocidade Independente

Mocidade Independente de Padre Miguel
Bianca Santos/Riotur

Apesar de não cair para a divisão da Série Ouro em 2027, a Mocidade Independente de Padre Miguel, totalizou apenas 267.4 pontos. A escola da Zona Oeste, conhecida por sua bateria inigualável, levou para a Sapucaí o enredo “RITA LEE – A PADROEIRA DA LIBERDADE”. Embora a homenagem à rainha do rock brasileiro prometesse emoção, a execução falhou em quesitos cruciais de evolução e alegoria.

A Mocidade apostou em uma narrativa densa, focada no período da ditadura militar e na resistência cultural da artista. O desfile reviveu momentos de tensão histórica, mas a complexidade do tema pode ter custado a clareza necessária para a conquista das notas máximas.

O drama do “Xadrez 21” e a censura na Avenida

A representação cênica da Mocidade foi contundente, mas o excesso de elementos visuais pesados pode ter impactado a fluidez da apresentação no Carnaval do Rio. A escola detalhou a perseguição sofrida por Rita Lee através de alegorias impactantes:

  • Comissão de Frente: Retratou a prisão de uma jovem Rita, cercada por soldados, sendo “salva” por bruxas que transformaram as grades em um disco voador.
  • Carro Alegórico 3 (Xadrez 21): Trouxe a reprodução do cárcere onde a cantora ficou detida, acusada de porte de maconha. A alegoria continha esculturas de policiais simbolizando a repressão.
  • Ala “Prisioneira”: Componentes desfilaram com jaulas móveis e uniformes listrados, escoltados por figurantes caracterizados como agentes da lei.

A sinopse do enredo destacava a postura desafiadora da artista diante do regime:

“Ovelha Negra, soube remar contra a maré da ditadura, da censura, das ervas venenosas e até da prisão, na jaula do Xadrez 21 (…) Suas atitudes, uma afronta à moral e aos bons costumes.”

Mesmo com a riqueza cultural do enredo e a força da personagem “Padroeira da Liberdade”, a escola não conseguiu sustentar a perfeição técnica exigida. Problemas de acabamento nas alegorias que representavam os “anos de chumbo” e o “rockcarnaval” foram determinantes para a pontuação insuficiente.