Caravana Tapioca leva arte à Fundação CASA
Caravana Tapioca leva circo a locais de privação de liberdade neste mês
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 21/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Circo Caravana, espetáculo da companhia Caravana Tapioca, está em um circuito especial que percorre 22 espaços, incluindo escolas públicas e unidades da Fundação CASA. A iniciativa democratiza o acesso à arte, levando comicidade, acrobacias e afetividade a públicos que raramente têm contato com a linguagem circense. O projeto é um compromisso do grupo, apoiado pelo Fomento ao Circo da Cidade de São Paulo, em transformar locais inesperados em palcos de encontro.
Impacto social e o riso coletivo
Desde 2016, a montagem da Caravana Tapioca mistura malabarismo, equilíbrio e números de palhaçaria com personagens excêntricos, cativando todos os públicos. No entanto, o circo encontrou um significado profundo dentro da Fundação CASA, onde circula anualmente desde 2018.

A experiência da Caravana Tapioca em unidades socioeducativas, iniciada após um convite de uma professora de artes, foi transformadora para a companhia. Giulia Nina, fundadora do grupo e mestranda em Artes Cênicas pela USP, explica a importância da ação:
“Apresentar para adolescentes privados de liberdade é garantir a eles um direito cultural que lhes foi negado. O riso coletivo quebra a rigidez, gera acolhimento e inspira novas possibilidades de futuro.”
Anderson Machado, ator, palhaço e músico, reforça que o circo atua como uma ferramenta de afeto: “A desconfiança inicial se desfaz em gargalhadas, e a rotina marcada pela rigidez se transforma em um espaço de afeto. Isso também nos transforma, amplia nosso olhar sobre a arte e sobre a sociedade.”
Histórias reveladas e protagonismo
Os encontros com os jovens vão além da performance. Após cada espetáculo, os bate-papos são momentos de grande relevância, onde os jovens questionam sobre a vida artística, o processo criativo e como é possível viver de arte. Eles se surpreendem ao descobrir que o erro faz parte do processo e pode ser transformado em aprendizado.
Momentos compartilhados pelos artistas demonstram a potência da arte na ressocialização:
- Expressão Desbloqueada: Giulia relembra um adolescente que, após a sessão, cantou um rap inédito sobre sua história, algo que nunca havia compartilhado em terapia.
- Afeto como Recompensa: Em uma atividade de “passar o chapéu”, os jovens ofereceram gestos, sorrisos e afeto em vez de bens materiais, um retorno que os artistas consideram o maior prêmio.
O riso é o condutor de todo o processo. Em unidades de segurança máxima, a palhaçaria se torna um respiro. Machado explica: “Quando todos riem juntos – jovens, professores, educadores e artistas – as barreiras desaparecem. O riso nos coloca no mesmo lugar e mostra que cada um pode ser protagonista da própria história.”
Compromisso contra a desigualdade
A Caravana Tapioca reitera sua convicção de que o circo atravessa grades, preconceitos e desigualdades sociais. Giulia Nina enfatiza que a arte é um direito: “As pessoas que estão lá são vítimas de um sistema racista, punitivista e excludente. Muitas nunca tiveram acesso a um teatro ou circo antes. Levar arte para esses espaços é afirmar que essas pessoas têm direito à cultura e ao riso, independentemente de onde estejam.”
O grupo espera que mais artistas se inspirem a levar a arte para locais de privação de liberdade, reforçando que este trabalho transforma tanto quem assiste quanto quem se apresenta, sendo uma força motriz de mudança social.
Sobre a Caravana Tapioca e o Circo Caravana
- Caravana Tapioca: Fundada por Giulia Nina e Anderson Machado, atua há 14 anos, levando arte circense, teatro e música a diversos locais. Já foi contemplada por editais importantes (Fomento ao Circo, ProAC, Funcultura).
- Circo Caravana: Criado em 2016, combina comicidade e técnicas circenses. O espetáculo fortalece seu papel social nas unidades socioeducativas, onde usa o riso como ferramenta de diálogo e inclusão.