Caps itinerante terá como alvo Paranapiacaba e Parque Andreense

Novo serviço da área de Saúde Mental foi lançado nesta terça-feira (19); uma van circulará por regiões mais distantes para levar atendimento a público específico

Crédito:

Depois de ter sido pioneira com dois serviços públicos da área de Saúde Mental no País, entre 1999 e 2002, Santo André, mais uma vez, sai na vanguarda ao lançar o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) itinerante. Na prática, trata-se de um veículo, tipo van, que circulará por regiões mais distantes e encravadas em áreas de mananciais, como Paranapiacaba e Parque Andreense, para prestar atendimento e cuidados às pessoas com transtornos mentais e decorrentes do consumo de álcool e/ou drogas.

O serviço foi lançado, oficialmente, nesta terça-feira à tarde (19), pelo secretário de Saúde de Santo André, Homero Nepomuceno Duarte, junto ao prefeito Carlos Grana, e a vice-prefeita e secretaria de Desenvolvimento Econômico, Oswana Fameli. Na oportunidade, também foi reinaugurada a residência terapêutica adulta (masculina I), no Parque das Nações. Antes, da parte formal, a informal ficou por conta de suculenta feijoada – cerca de dez quilos de feijão preto e 20 quilos de carne e ingredientes típicos – oferecida a cerca de 150 pessoas, entre autoridades, convidados e usuários da rede de saúde mental.

Para a coordenadora da Saúde Mental de Santo André, Maria Regina Tonin, qualquer serviço nessa área pode ser feito de forma itinerante. “O Caps não é aquele que prende”, afirmou. O novo ponto da rede de atenção psicossocial surgiu a partir da experiência exitosa no programa consultório na rua – que também se utiliza de um veículo móvel para chegar à clientela, neste caso, pessoas em situação de rua. “Com certeza, atingiremos os mesmos resultados”, previu Maria Regina.

A partir da resolutividade do novo serviço implementado no município, o secretário acredita que o projeto se torne uma portaria no Ministério da Saúde. Ou seja, Santo André passe a receber recursos pelo Caps itinerante. “É uma nova tecnologia que amplia a assistência ao pessoal de transtornos mentais, bem como da clientela de consumo de drogas”, afirmou Homero, que também é médico.

Neste primeiro momento, todo o serviço, em parceria com a Associação de Volta Para Casa, está sendo executado com recursos municipais. O veículo é locado. No trabalho de campo, a princípio, de quatro a cinco profissionais, entre médico psiquiatra, enfermeiro com formação em saúde mental, psicólogo, assistente social, entre outros.

RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA – Ex-morador em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, M.P.R. é o mais novo da casa: 43 anos. Já A.L.M. tem 56 anos. Os dois fazem parte dos oito hóspedes da residência terapêutica no Parque das Nações, que nesta tarde abriu as portas para o prefeito, a vice-prefeita e a comunidade do entorno. Era um entra e sai sem tamanho, inclusive dos visitantes de 12 estados do Brasil da área de Saúde Mental, entre eles, Pará, Tocantins e Rio Grande do Sul.

Todos os moradores, no entanto, com um sorriso no rosto e uma história para contar. Como a do carioca de coração que conheceu, depois de 15 anos, a mãe de 80, hoje abrigada em uma casa de idosos em São Paulo. “Essa pessoa me fez uma surpresa. Pediu para eu colocar minha melhor roupa e passar perfume. Peguei ônibus e tudo para rever minha mãe querida. Não sabia de nada”, contou, emocionado, M.P.R.

A pessoa, neste caso, era Zélia Tolentino da Silva, enfermeira especializada em Saúde Mental e Psiquiatria, além de coordenadora das cinco residências terapêuticas espalhadas pelo município. Juntas, abrigam 39 pessoas, entre mulheres e homens, que perderam seus vínculos familiares ou foram vítimas dos manicômios. “Aqui, eles resgatam suas identidades perdidas com o tempo”, afirmou.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 20/08/2014
  • Fonte: FERVER