Capoterapia ajuda a melhorar qualidade de vida de idosos
Oficinas, com movimentos adaptados da capoeira, acontecem às sextas-feiras, no Centro de Referência do Idoso (CRI) de São Bernardo do Campo
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/11/2014
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Desânimo e preguiça são palavras que definitivamente não fazem parte do vocabulário das pessoas que participam das aulas de capoterapia (exercícios físicos nos quais são usados movimentos adaptados da capoeira) oferecidas todas as sextas-feiras pelo Centro de Referência do Idoso (CRI) de São Bernardo do Campo e aplicadas pelo professor Cícero Neto de Souza Neves, 51 anos. São quatro turmas ao todo, com 30 alunos cada uma. As aulas ocorrem das 8h às 12h, com duração de uma hora.
Mestre em capoeira há 20 anos, Cícero Neto trabalha há três no CRI ensinando os movimentos adaptados da capoeira, expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. “A capoterapia nada mais é que uma adaptação dos movimentos da capoeira para que os idosos possam praticar, porque na capoeira os movimentos são rápidos. Para eles (idosos) é mais suave, apenas para atividade física. Ajuda muito na flexibilidade, no fortalecimento das articulações.”
Segundo Cícero Neto, a capoterapia nasceu na Bahia há cerca de 15 anos, justamente como espécie de terapia para a terceira idade. “As atividades são boas não apenas para a parte física, mas também para a mental”, avalia.
Aluna desde o ano passado, a aposentada Zuleide Aparecida Belmiro Moreira, 65 anos, conta que a atividade mudou “radicalmente” a vida dela. “Sempre tive uma vida ativa, mas passei um período difícil, porque logo depois que me aposentei meu marido faleceu. Veio tudo em seguida, aí não saía mais de casa, não tinha companhia, porque meus quatro filhos são todos casados e vivem para as famílias deles. Mas um dia passei por um médico e ele me aconselhou a fazer alguma atividade física e buscar algum meio de integração com outros idosos. Hoje me sinto bem melhor, nem remédio para hipertensão tomo mais porque faço atividades físicas todos os dias”, comemora a moradora do Bairro Alves Dias.
Ivone Pessoto, 67, participa das oficinas de capoterapia desde março deste ano e também atesta os benefícios das atividades. “A proposta de oferecer oficinas para a terceira idade nesse espaço (CRI) é muito boa. Fiquei sabendo porque minha irmã faz aula de yoga aqui e algumas senhoras que moram no mesmo prédio que o meu participam de outras oficinas e disseram que eu devia vir conhecer. Vim e gostei.”
O CRI, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc), oferece atualmente 18 oficinas culturais. As aulas são de artesanato, canto coral, dança cigana, dança de salão, dança do ventre, dança flamenca, espanhol, inglês, informática, yoga, piano, pintura em tecido, pintura em tela, tai chi chuan, tear, teatro, violão e capoterapia.
Todas as oficinas estão em andamento. Para participar é preciso ter mais de 60 anos e se inscrever no início de cada ano. As aulas começam em março. O CRI fica na Rua Redenção, 271, Centro.