Capitão William volta para dar o tom na equipe feminina de São Bernardo

Um dos principais nomes da história do vôlei no Brasil e capitão da chamada geração de prata, William chega com a missão de levar o time a novas conquistas

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William Carvalho da Silva, 60 anos, é sempre lembrado como o capitão da Seleção Brasileira de vôlei que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (EUA), em 1984. O levantador da chamada geração de prata, e também o principal nome do poderoso time da Pirelli nos anos 80, atualmente é técnico da equipe feminina de vôlei de São Bernardo e busca passar sua experiência às atletas, principalmente com o foco voltado à manutenção do time na principal competição nacional da modalidade, a Superliga.

Vencedor e reconhecido internacionalmente como um dos maiores jogadores de vôlei de todos os tempos, William lembra que a modalidade nem fazia parte de seus planos nos tempos de colégio. Afinal, nas aulas de Educação Física preferia o futebol à modalidade que o levou a praticamente todas as partes do mundo. “Como todo brasileiro, eu só queria saber de jogar futebol, mas nas aulas de Educação Física o vôlei era um esporte obrigatório. Como tinha um bom toque, fui me destacando, e aos poucos me encontrando nesta modalidade.”

Dos campeonatos internos na escola ou jogos contra times de outras unidades, William passou para os campeonatos estudantis, nos quais foi descoberto por um olheiro e convidado a treinar no Clube de Regatas Tietê, em São Paulo. Naquela época, o ‘capitão’ começou a perceber que seu caminho era mesmo o esporte, e passava praticamente o dia todo em contato com a bola, dividindo ainda seu coração entre o futebol e o vôlei.

Mas em 1971, aos 16 anos, ele praticamente selou seu destino no vôlei, quando passou a integrar a equipe Juvenil do Clube Atlético Pirelli, em Santo André. No ano seguinte, o jovem William estava na Seleção Brasileira que conquistou o Campeonato Sul-Americano Juvenil. “Passei por fases muito bacanas, como os primeiros jogos fora do Estado, e quando cheguei ao Juvenil já não queria saber mais do futebol. Estava totalmente ligado ao vôlei”, confessa.

CLUBES E TÍTULOS – Com presença na Seleção e boas atuações, William começou a conquistar cada vez mais espaço no vôlei, e mudanças de clube e títulos se tornaram comuns na carreira. Ele passou por diversos clubes nos anos 70, como Randi Esporte Clube e Clube Atlético Aramaçan, de Santo André, e até mesmo pelo Paoletti, da Itália.

A projeção internacional do mais talentoso levantador do vôlei brasileiro, que não raras vezes recorria aos pés para salvar bolas importantes (era permitido usar) começou a se firmar com a impressionante hegemonia da Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano na década de 70, com os títulos obtidos em 1972, 1973, 1975, 1977 e 1979. Ainda nesta década, obteve duas medalhas de prata nos Jogos Pan-Americanos do México, em 1975, e em San Juan, em 1979.

William já era reconhecido como um dos grandes talentos do vôlei brasileiro, mas seu nome se consolidou de vez na década de 80, quando fez o caminho de volta para o Clube Atlético Pirelli, pelo qual conquistou oito campeonatos paulistas seguidos, de 1981 a 1988, os brasileiros de 1980, 1982, 1983 e 1988, o Sul-Americano de 1981, 1983 e 1985, as Copas Brasil de 1985 e 1987, o Campeonato Intercontinental de 1983 e 1984 e o Mundialito de 1982.

Após o bronze na Copa do Mundo de 1981, no Japão, o capitão William e a geração que mudou a história do vôlei brasileiro conquistaram a medalha de prata no Mundial da Argentina, em 1982, após derrota na final para a então União Soviética. “Foi um jogo muito difícil, os soviéticos eram os favoritos. E com a derrota da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Espanha (futebol) pouco tempo antes da final, os olhos se voltaram para o vôlei, e foi quando aconteceu o boom.”

Dois anos depois, William era o capitão da equipe que conquistou o ouro no Pan-Americano de Caracas (1983), mas a consagração do vôlei brasileiro foi nas Olimpíadas de 1984 em Los Angeles, nos Estados Unidos. William, Renan, Bernard, Xandó, Montanaro, Amauri e Bernardinho faziam parte daquele time que trouxe para o Brasil a inédita medalha de prata no vôlei em uma Olimpíada, perdendo a final dos anfitriões por 3 sets a 0.

“Quando me lembro daquela partida, fico com muito orgulho de ter feito parte da geração de prata. Foi nossa maior conquista, e talvez por isso nossa equipe seja lembrada com muito carinho até hoje, principalmente por ter popularizado um esporte como o vôlei no país do futebol.”

TREINADOR – A passagem para o comando de equipe foi considerada natural. Por ser levantador e estar acostumado a articular as jogadas dentro de quadra, sempre esteve a par do trabalho dos treinadores. “Eu precisava aprender o que deveria ser feito em quadra para desenvolver as jogadas, e por isso tinha muita proximidade com a questão tática do jogo. Po r isso foi tranquila e até natural minha transição.”

Mesmo com toda experiência dentro da quadra e conhecimento tático e técnico adquirido ao longo da carreira, William não se transformou logo em técnico ao encerrar a carreira de jogador. Começou como auxiliar técnico da equipe adulta e técnico do time Juvenil de vôlei masculino no mesmo Clube Atlético Pirelli no qual se consagrou; e no segundo ano na nova função, passou a preparar equipes femininas do clube.

SÃO BERNARDO – William afirma que tem boas lembranças de outras passagens como treinador da equipe feminina da cidade, com a qual conquistou importantes títulos: campeão da Superliga de 1998/1999, contra Rexona/Curitiba (vitória na final por 3 sets a 1), e campeão Paulista em 2000, contra o Pinheiros (venceu também por 3 a 1). E agora, mesmo com uma equipe jovem e renovada, espera alcançar mais conquistas, apesar de saber dos desafios.

“Alguns dos meus principais títulos como treinador foram com a equipe feminina da cidade. Estar de volta é muito bom, e sei que teremos grande desafio e muito trabalho pela frente. Temos um time novo, mas com atletas motivadas, e apoio da Prefeitura, que trabalha para manter a chama do vôlei viva na cidade. Vou buscar levar experiência e tranquilidade para nossas meninas, e tentar trazer mais duas ou três atletas com experiência para enriquecer o grupo”, aponta.

De acordo com o técnico, o desafio é dar às jovens atletas a preparação e segurança necessárias para obter bons resultados. “Tenho certeza de que elas darão o máximo. Mas um time ideal sempre tem três gerações de jogadoras, mesclando experiência e juventude. Estou muito motivado e sei que podemos ir longe. Temos desafios pela frente, e isso é importante, porque nos move. Quando não tivermos mais desafios, esta é a hora de parar. De minha parte, enquanto ainda sentir que tenho a oferecer, vou continuar trabalhando. É muito bom estar de volta.”

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/06/2015
  • Fonte: FERVER