Capital Inicial homenageia Legião Urbana no Rock in Rio 

Capital Inicial levou Dado Villa-Lobos ao palco, revisitou sucessos da Legião Urbana e fez críticas políticas no Rock in Rio

Capital Inicial homenageia Legião Urbana no Rock in Rio 

Crédito: Ellen Artie @ellenartie / Rolling Stone Brasil

A banda Capital Inicial transformou o Palco Sunset do Rock in Rio 2026 em uma celebração do rock de Brasília, da memória de Renato Russo e, também, em espaço para manifestações políticas. Na noite de sexta-feira (4), o grupo encerrou a programação do palco com a participação especial de Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana, em um dos encontros mais simbólicos da primeira noite do festival.

O show começou com Quatro Vezes Você, seguida por “Independência”, já colocando o público para cantar. A apresentação ganhou outra dimensão quando Dinho Ouro Preto convocou Dado ao palco para prestar homenagem a Renato Russo, que terá completado 30 anos de morte em 2026.

Capital Inicial transforma show em tributo à Legião Urbana

Capital Inicial no Rock In Rio 2026 - (Reprodução/Redes Sociais)
Capital Inicial no Rock In Rio 2026 – (Reprodução/Redes Sociais)

A entrada de Dado Villa-Lobos foi o momento central do espetáculo. Ao lado do Capital Inicial, o músico revisitou canções que ajudaram a construir a história do rock brasileiro, em uma sequência que aproximou ainda mais as trajetórias das duas bandas.

A primeira delas foi “Será”, da Legião Urbana. Na sequência, vieram “Geração Coca-Cola”, “Tempo Perdido” e “Quase Sem Querer”, em uma sucessão de clássicos que fez milhares de pessoas cantarem em coro.

O encontro não aconteceu apenas por uma questão de nostalgia. Capital Inicial e Legião Urbana têm uma origem em comum no Aborto Elétrico, grupo formado em Brasília no fim dos anos 1970 por Renato Russo, Fê Lemos e Flávio Lemos. A ligação ajuda a explicar por que o tributo encontrou espaço tão natural no repertório do Capital.

A homenagem também ganhou peso pela própria data. Renato Russo morreu em 11 de outubro de 1996 e, três décadas depois, sua obra voltou a ocupar um dos maiores palcos do país justamente pelas mãos de músicos ligados à mesma cena que ajudou a revelar a Legião Urbana.

Clássicos atravessam gerações

A presença de Dado fez o Capital Inicial passear por diferentes momentos da história do rock nacional. Além das canções da Legião, o repertório recuperou sucessos como “Música Urbana”, “Primeiros Erros”, “Fátima”, “Veraneio Vascaína”, “Natasha” e “À Sua Maneira”.

O resultado foi um encontro de gerações na Cidade do Rock. As letras, conhecidas por diferentes públicos, foram acompanhadas em coro durante boa parte da apresentação.

Dinho também aproveitou o momento para sair do palco e se aproximar da plateia. O vocalista foi para a galera durante o show, ampliando a interação com o público e reforçando o caráter participativo da apresentação.

Capital Inicial leva protesto político ao Rock in Rio

A nostalgia não foi o único componente marcante do show. Em um dos momentos de maior repercussão, Dinho Ouro Preto introduziu Que País É Este? com um discurso político.

O vocalista citou o empresário Daniel Vorcaro, os ministros do Supremo Tribunal Federal e políticos de diferentes espectros ideológicos antes de afirmar que a democracia brasileira sobreviveria ao momento atual. A fala terminou com a classificação do cenário como uma “distopia brasileira”.

A escolha da música reforçou uma das marcas históricas do Capital Inicial: o uso do rock como instrumento para críticas sociais e políticas. A própria Que País É Este?”, originalmente composta por Renato Russo ainda nos tempos do Aborto Elétrico, tornou-se um dos maiores símbolos dessa tradição.

Dinho mantém postura de proximidade com o público

A interação com a plateia foi outro destaque da apresentação. Em determinado momento, Dinho comentou sobre a posição privilegiada de estar no palco e poder olhar diretamente para os fãs enquanto eles cantavam as músicas.

A dinâmica ajudou a transformar o show do Capital Inicial em uma apresentação menos contemplativa e mais participativa, em sintonia com o clima do primeiro dia do festival, marcado por rodas de mosh pit, cantos coletivos e intensa movimentação do público.

Capital Inicial celebra trajetória no Rock in Rio

A apresentação de 2026 também reforçou a relação histórica do Capital Inicial com o Rock in Rio. Segundo Dinho, esta foi a 10ª participação da banda no festival, que já faz parte da trajetória do grupo. Antes do show, o vocalista afirmou que, mesmo com toda a experiência acumulada, ainda sente nervosismo antes de entrar no palco.

A banda chegou ao festival em meio à turnê Música Urbana, que marcou a retomada do formato elétrico após a turnê acústica comemorativa de 25 anos. Em 2025, o grupo também lançou o EP Movimento, com uma sonoridade associada às raízes punk que marcaram sua formação.

O show ainda teve problemas pontuais de som. Em determinado momento, após “Independência”, Dinho chegou a falar ao microfone sem que o áudio saísse. Mesmo assim, o público manteve a participação e acompanhou a apresentação até o fim.

No balanço final, o Capital Inicial entregou aquilo que se esperava de uma banda com tamanha ligação com a história do rock brasileiro: sucessos, memória, participação popular e protesto. Com Dado Villa-Lobos ao lado, o show também funcionou como uma ponte direta com a história da Legião Urbana e com o legado de Renato Russo, fazendo da apresentação um dos momentos mais marcantes do primeiro dia do Rock in Rio 2026

Gabriel de Jesus

  • Publicado: 05/09/2026 12:09
  • Alterado: 05/09/2026 12:09
  • Autor: Gabriel de Jesus