Capez aposta em cansaço dos estudantes para desocupar Alesp
O presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), apostará no cansaço dos estudantes que ocupam o plenário da Câmara desde a tarde desta terça-feira, 3, para esvaziar a casa
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A ocupação tem como objetivo pressionar os deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a chamada “Máfia da Merenda”, que desviou recursos da merenda escolar na rede estadual de ensino paulista.
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo decretou ponto facultativo aos funcionários e todas as entradas estão bloqueadas pela Polícia Militar. Nem a imprensa teve acesso ao plenário onde estão os estudantes. A entrada de alimentos também foi impedida. Mesmo com as medidas, Capez afirmou que será pedida reintegração de posse à Justiça.
Cerca de 70 alunos ainda ocupam a Alesp de acordo com a assessoria da casa. Houve tumulto na terça-feira, e computadores foram depredados.
“Nós optamos, em vez de determinar a retirada dos estudantes, em procurar a Justiça. O espaço que está sendo ocupado impede o próprio funcionamento da Casa. À medida em que os alunos forem saindo, não retornarão”, disse Capez. “Com essa estratégia de saturação, pretendemos recuperar o espaço sem necessidade de confronto.”
Investigado
Fernando Capez foi citado no esquema de propinas da merenda escolar e é um dos investigados pela Operação Alba Branca. A operação foi deflagrada no dia 19 de janeiro pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual de São Paulo. Eles investigam um esquema de fraude na compra de alimentos para merenda escolar de prefeituras e do governo paulista. Em fevereiro, Capez teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Em meados de abril, o lobista Marcel Ferreira Júlio, considerado um dos mentores do esquema de fraude em licitações para a compra da merenda escolar em São Paulo, disse, em delação premiada, que encontrou duas vezes com Capez em 2014. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, em um desses encontros, o lobista disse ter visto o atual presidente da Alesp ligar para a Secretaria Estadual da Educação para agilizar um contrato com a Cooperativa Agrícola e Familiar de Bebedouro (Coaf) e, logo depois, sinalizar que queria dinheiro para sua campanha.
De acordo com o lobista, os encontros ocorreram no escritório de Capez. Em uma dessas reuniões, o presidente da Alesp teria esfregado o dedo indicador e o polegar, indicando que queria dinheiro.
Hoje Capez disse ser favorável à abertura da CPI e que está empenhado em conseguir assinaturas suficientes. “A CPI é uma oportunidade para que eu possa produzir provas, dar os meus esclarecimentos”, disse. “Estou vivendo uma situação completamente inusitada. Sou membro do Ministério Público há 28 anos, entrei por concurso, tenho 62 obras publicadas, faço palestras no Brasil, em outros países, universidades de fora. Fiz uma administração aqui que nós devolvemos mais de R$ 20 milhões, fiscalizo todos os contratos e, de repente, tenho meu nome envolvido, sinceramente, com negócio de merenda. É humilhante e contrária à minha história”.