Canonização: saiba o que é preciso para se tornar santo católico

A recente canonização de Carlo Acutis reacende a curiosidade dos fiéis sobre os processos e exigências da Igreja Católica para reconhecer oficialmente alguém como santo

Crédito: Paróquia Carlo Acutis/Reprodução/Divulgação

No início de setembro, o Vaticano viveu um momento histórico com a canonização de Carlo Acutis, jovem italiano nascido em 1991 e falecido em 2006, vítima de uma leucemia fulminante. Conhecido por sua habilidade com computadores e por usar a internet para evangelizar, Acutis foi proclamado santo após o reconhecimento de milagres atribuídos à sua intercessão.

A canonização chamou a atenção do mundo não apenas pela fé que ele cultivava desde a infância, mas também por sua ligação com a tecnologia, algo raro em figuras da santidade católica. Não à toa, ficou popularmente conhecido como o “padroeiro da internet”.

O caso de Carlo reacendeu o debate: o que é preciso para que a Igreja Católica reconheça alguém como santo?

O caminho da canonização

O processo de canonização é um dos mais rigorosos dentro da Igreja Católica. Ele pode levar décadas ou até séculos, dependendo do caso, e segue normas fixadas pela Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano.

Em resumo, há quatro grandes etapas que transformam um fiel em santo:

  1. Servo de Deus – Inicia-se a causa oficialmente, com investigação sobre a vida e virtudes da pessoa.
  2. Venerável – O Papa reconhece as “virtudes heroicas” daquele fiel, confirmando que viveu de maneira exemplar.
  3. Beato – É necessário comprovar pelo menos um milagre atribuído à intercessão do candidato, geralmente relacionado à cura inexplicável pela ciência.
  4. Santo – O reconhecimento de um segundo milagre, ocorrido após a beatificação, leva à canonização e à inscrição do nome no catálogo oficial da Igreja.

Foi exatamente esse caminho que Carlo Acutis percorreu em tempo recorde: apenas 18 anos após sua morte, foi elevado aos altares.

Milagres: a prova central do processo

Carlo Acutis canonização
Reprodução

O ponto mais sensível da canonização é a comprovação dos milagres. A Igreja estabelece que apenas eventos extraordinários e inexplicáveis pela ciência podem ser considerados válidos. Normalmente, envolvem curas imediatas, permanentes e sem explicação médica.

No caso de Carlo Acutis, dois milagres foram reconhecidos:

  • O primeiro, em 2013, quando um menino brasileiro de Campo Grande (MS) foi curado de uma rara doença pancreática após rezar pedindo a intercessão do jovem.
  • O segundo, confirmado em 2022, envolveu a cura de uma menina em Florença, na Itália, que sofria de uma grave malformação cerebral.

Essas curas foram analisadas por médicos, teólogos e cardeais antes de serem aprovadas oficialmente pelo Papa.

Diferença entre beatificação e canonização

Muitos fiéis se confundem sobre as etapas finais do processo. A beatificação é o reconhecimento da santidade de uma pessoa em âmbito local ou regional — o beato pode ser cultuado em sua diocese, país ou comunidade específica. Já a canonização amplia esse culto para toda a Igreja Católica, tornando o novo santo modelo universal de fé.

No caso de Carlo Acutis, sua fama de santidade já se espalhava globalmente antes mesmo da canonização. Peregrinos do mundo inteiro visitavam seu túmulo em Assis, na Itália, onde o corpo está exposto em um relicário de vidro.

A importância da canonização para a Igreja Católica

Canonizar alguém significa não apenas reconhecer sua vida exemplar, mas também oferecer modelos contemporâneos de fé. A Igreja busca apresentar figuras que dialoguem com cada época, inspirando gerações.

Carlo Acutis, por exemplo, representa um santo mais próximo dos jovens. Em vez de hábitos antigos, ele usava calça jeans e tênis, navegava na internet e consumia cultura pop. Sua vida simples, aliada à espiritualidade profunda, mostra que a santidade pode ser vivida no cotidiano atual.

De acordo com especialistas, essa canonização também fortalece a mensagem da Igreja no universo digital, um espaço cada vez mais importante para a evangelização.

O papel do Papa na canonização

Embora o processo passe por diversas instâncias, é o Papa quem dá a palavra final. Ele proclama solenemente a canonização durante uma missa solene, geralmente na Praça de São Pedro, no Vaticano.

No caso de Carlo Acutis, o Papa Francisco destacou que o jovem soube viver a santidade na era digital:

“Ele usou a internet para transmitir o Evangelho, não para se exibir. Carlo nos lembra que a verdadeira felicidade está em colocar Deus em primeiro lugar.”

Santidade no século XXI

A canonização de Carlo Acutis mostra que a santidade não é restrita a monges, freiras ou figuras distantes do cotidiano. Pelo contrário, pode estar presente em jovens conectados, estudantes, trabalhadores e famílias comuns.

Esse reconhecimento abre espaço para novas reflexões: quais serão os próximos santos do nosso tempo? A Igreja, cada vez mais, busca exemplos que dialoguem com os desafios atuais, desde o uso da tecnologia até a defesa dos mais pobres e vulneráveis.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 07/09/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show