Canetas emagrecedoras impulsionam roubos em farmácias em SP
Busca desenfreada por medicamentos gera violência em farmácias e alimenta mercado negro na capital.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 20/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A intensa procura por medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, amplamente conhecidos como canetas emagrecedoras, desencadeou uma onda de criminalidade alarmante em São Paulo. Autoridades de segurança e especialistas do setor confirmam que a popularidade desses tratamentos para obesidade e diabetes transformou farmácias em alvos prioritários de quadrilhas especializadas.
Dados obtidos pela reportagem apontam um cenário crítico. Sob a gestão de Tarcísio de Freitas, os registros de roubos a farmácias dispararam. Entre janeiro e setembro, houve um aumento de 20% nas ocorrências, saltando de 171 registros em 2024 para 206 neste ano.
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Ações policiais e recuperação de cargas
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que intensificou o monitoramento e as operações para desmantelar esse mercado paralelo. O foco é interceptar a receptação e prender os envolvidos nos assaltos.
O balanço das operações entre janeiro e setembro de 2025 revela números expressivos:
- Aproximadamente 60 adultos presos;
- Oito adolescentes apreendidos;
- Mais de R$ 1 milhão recuperados em produtos, com ênfase nas canetas emagrecedoras.

Medicamentos de alto custo na mira do crime
Marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro são os itens mais visados. Por exigirem refrigeração específica, esses produtos não ficam expostos nas prateleiras, mas isso não impede a ação dos criminosos.
Segundo a Polícia Civil, as invasões são perpetradas geralmente por jovens armados e violentos, que utilizam motocicletas para fuga rápida. Muitos desses indivíduos já possuem histórico criminal por roubos de joias e celulares.
Para combater essa insegurança, a Abrafarma (Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias), que representa as maiores redes do país, criou um comitê de segurança inédito. O objetivo é compartilhar inteligência e prevenir novos ataques.
Sergio Mena Barreto, CEO da entidade, ressaltou a gravidade do momento:
“Nunca antes a entidade havia considerado abordar essa questão. Essa mudança reflete a seriedade da insegurança atual.”
Tragédia no Morumbi e rotas do crime
A violência associada ao roubo de canetas emagrecedoras e outros fármacos já resultou em mortes. Em 28 de outubro, um assalto a uma unidade da Drogaria São Paulo, na Avenida Morumbi, terminou em latrocínio. O taxista Marcelo Silveira foi baleado na cabeça e faleceu.
A investigação identificou quatro suspeitos ligados à comunidade de Paraisópolis, na zona sul. Imagens de segurança registraram a ação, onde três criminosos de capacete subtraíram diversos produtos. Em desdobramento do caso, a polícia localizou medicamentos na casa de um suspeito foragido.
O delegado Fernando Cesar de Souza, do 37º DP, destacou que os produtos roubados são rapidamente comercializados na internet — via WhatsApp, Instagram e Telegram — por valores muito abaixo do mercado. Ele alerta para o perigo sanitário, já que o armazenamento incorreto pode tornar o medicamento inócuo ou perigoso.
“Esses produtos não são mantidos sob refrigeração adequada, podendo ser nocivos à saúde ou até inócuos.”
Falsificação e riscos à saúde
Além dos roubos, a polícia enfrenta a produção clandestina. Recentemente, dois homens foram detidos em São Mateus fabricando canetas emagrecedoras falsificadas da marca Mounjaro.
A dupla confessou vender os itens por preços irrisórios. Um dos detidos admitiu ter comprado material falso na Praça da Sé por R$ 6.000. Na operação, foram apreendidos cerca de 5.000 itens sem origem identificada, evidenciando o risco extremo a que os consumidores dessas canetas emagrecedoras “piratas” estão expostos.
Diante do caos, o Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de São Paulo orienta o registro de boletins de ocorrência, mas alerta para a falta de medidas protetivas eficazes para os funcionários por parte dos estabelecimentos. O Sincofarma também acompanha o cenário, sem novas informações até o momento.
A busca indiscriminada por canetas emagrecedoras continua alimentando um ciclo de violência que afeta desde a segurança pública até a saúde dos pacientes que recorrem ao mercado ilegal.