Candidatos a Governadores debatem no SBT

A convite do SBT o Portal ABCdoABC acompanhou o debate. Sete candidatos ao governo de São Paulo participaram do debate realizado por Folha de São Paulo, UOL e SBT nos estúdios da emissora

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Os candidatos do PT, Luiz Marinho, e do PSDB, João Doria, na disputa ao governo de São Paulo travaram um intenso embate no primeiro bloco do debate promovido pelo SBT, nesta quarta-feira, 19. Marinho acusou Doria de usar o marketing para conquistar o eleitor, mas não cumprir com suas promessas. “Se não conseguiu cumprir as promessas da Prefeitura (da capital paulista), como o senhor pretende oferecer isso no governo?”, questionou Marinho.
Contrariado, Doria negou promessas não cumpridas e aproveitou para alfinetar Marinho por ter ganhado de Fernando Haddad, do PT na disputa pela prefeitura. “Fizemos mais em um ano e meio do que o governo do seu candidato em quatro anos”, disse Doria. Marinho colocou em xeque a fala de Doria, cuja administração teria sido “um fracasso total”, segundo o petista.

Skaf x França
Logo na primeira pergunta do debate, Paulo Skaf (MDB) e Márcio França (PSB) também trocaram acusações. França aproveitou-se de uma réplica de questão feita sobre segurança alimentar para atacar o nome do MDB na disputa. “Você foi mencionado 18 vezes na Lava Jato. Como o senhor explica isso para o eleitor de São Paulo?”, disse, referindo-se às suspeitas de caixa 2 para campanha ao governo de SP por parte do emedebista, em 2014.

Skaf negou irregularidades, disse que toda a campanha foi legal e atacou: “em época de campanha essas coisas aparecem… baixo nível… principalmente quando a gente assume a liderança”, disse, referindo-se às acusações de caixa 2.

O candidato do PSL na disputa ao Planalto, Jair Bolsonaro, virou assunto e foi bastante criticado por Marinho e pela professora Lisete Arelaro (PSOL). A professora questionou o candidato do PT sobre o que ele achava do movimento #EleNão, ação feminina contra Bolsonaro nas redes sociais. Marinho exaltou o movimento e disse “evitar citar o nome (de Bolsonaro) por repulsa”.

TEMER, LULA E MOURÃO GANHAM DESTAQUE
Nomes fortes no cenário nacional, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o atual presidente Michel Temer (MDB) e o vice na chapa do PSL de Jair Bolsonaro, General Mourão, foram destaques no segundo bloco do debate.

Luiz Marinho, nome do PT na disputa ao governo de SP, saiu em defesa do ex-presidente Lula e afirmou que ele “foi condenado sem provas”. Marinho foi questionado na ocasião sobre as denúncias de irregularidades nas obras do Museu do Trabalho e do Trabalhador, em São Bernardo do Campo. Marinho, ex-prefeito, foi denunciado no caso. O nome do PT saiu em defesa da sua administração e negou irregularidades. “Ser réu não é ser culpado”, disse, e emendou: “é preciso diferenciar denuncia de condenado. Tem um condenado aqui e não sou eu”, afirmou, em indireta a João Doria (PSDB), condenado no caso envolvendo o slogan Acelera São Paulo, na prefeitura da capital paulista.

Na contramão da defesa de Marinho, Paulo Skaf (MDB), tentou se afastar de Temer. Skaf foi confrontado sobre quais são suas propostas para as mulheres e o espaço que elas terão no governo, visto que Temer, do mesmo partido, teve uma composição ministerial sem nenhuma mulher. Skaf disse que cada caso deve ser analisado separadamente e apontou a nomeação de mulheres na diretoria da Fiesp, além do fato de ter escolhido uma mulher para ser sua vice na chapa, a Policial Militar Carla Danielle.

Outro nome nacional que foi para o debate foi do General Mourão, que protagonizou uma polêmica ao afirmar que famílias pobres sem pai e avô, mas com mãe e avó, são “fábricas de desajustados”. O nome do PRTB na disputa ao governo de SP, Rodrigo Tavares, coligado com o PSL nacional, defendeu o general, cuja fala teria sido pensada “em um contexto maior”. “O que houve na verdade foi uma fala no sentido de fortalecimento das mulheres, no sentido em que elas necessitam de uma aproximação do Estado”, disse.

DORIA É MAIS CONFRONTADO EM 3º BLOCO DE DEBATE E RECEBE ATAQUES DO PSOL E PT

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria, foi duramente atacado no terceiro bloco do debate. Entre as principais críticas estavam o fato de não ter terminado o mandato na Prefeitura da capital paulista, mesmo tendo assumido o compromisso de fazê-lo, além de “promessas não cumpridas” de sua gestão.

A Professora Arelaro Lisete (PSOL) questionou Doria sobre sua renúncia à Prefeitura de SP e as promessas em áreas da saúde que segundo ela, não foram cumpridas. “A professora está mal informada”, ironizou Doria, que disse que Lisete deveria voltar para os bancos da escola. O tucano buscou associar o PSOL ao PT e afirmou que o partido de Lisete apenas “sabe invadir propriedades” privadas. Lisete, entretanto, rebateu na tréplica. “Só vou lembrar que quem aqui costuma invadir terrenos não é o PSOL”, disse, em indireta ao tucano. A candidata do PSOL se referia a uma área pública em Campos do Jordão (SP) em que uma decisão judicial obrigou Doria a devolver inicialmente a via para a prefeitura. Mas depois Doria acabou comprando a área, que foi vendida num ‘programa de desafetação’ de terrenos públicos municipais.

Já Doria reforçou os ataques ao PT e, em pergunta a Luiz Marinho afirmou que o partido “adora criar carguinhos” para apoiadores. Marinho, referindo-se a Doria como “João Sem Palavra”, defendeu-se das críticas e reforçou os empregos criados durante o governo do ex-presidente Lula. Doria, na tréplica, criticou o que chamou de “marketing do mal” de Marinho, que vestia uma camisa com “o rosto de um presidiário”, em referência a Lula.

CANDIDATOS PEDEM APOIO PARA PRESIDENCIÁVEIS
Lisete Arelaro, do PSOL, aproveitou para fortalecer o nome de Guilherme Boulos, que disputa à Presidência. A candidata disse também que não pretende morar em palácio e que vai transformar a residência oficial em uma universidade.

Novamente em defesa do ex-presidente Lula, Luiz Marinho (PT) lembrou os feitos dos governos petistas e sua atuação como ministro, e pediu votos para Fernando Haddad, candidato do PT ao Planalto. Rodrigo Tavares, do PRTB, buscou associar sua imagem a Jair Bolsonaro, nome do PSL na disputa, e ao vice na chapa, General Mourão.

Na contramão, Paulo Skaf (MDB) novamente tentou se afastar de Michel Temer e de práticas tradicionais da política ao dizer que não aceitou coligações para “podermos montar o melhor governo que SP já viu”. Henrique Meirelles, nome do MDB ao Planalto, não foi sequer citado no debate. O tucano João Doria seguiu o mesmo caminho e retomou o tema segurança, ao prometer “polícia na rua e bandido na cadeia”, mas também sem reforçar o tucano Geraldo Alckmin. Márcio França (PSB), apagado no embate, pediu a chance a “coisa diferente” ao defender sua candidatura. Já Marcelo Candido (PDT) ignorou Ciro Gomes e citou o pai, que foi deputado estadual, durante suas considerações finais e disse que quer “devolver à população” o que o Estado deu a ele.

CONTAS NEGADAS
O candidato Marcelo Candido foi confrontado com o fato de suas contas ao fim de seu mandato como prefeito de Suzano (SP) terem sido rejeitadas. Candido se defendeu ao acusar o legislativo de “uma oposição sistemática”. “As minhas contas foram rejeitadas pela Câmara por orientação do Tribunal de Contas nos pagamentos de precatórios, que fiz, mas questionando os valores. Eu negociei e baixei. Eu não me sinto contrário ao interesse público”, afirmou.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 20/09/2018
  • Fonte: FERVER