Câncer é a principal causa de morte em 670 cidades no Brasil
Estudo do Observatório de Oncologia aponta crescimento de 30% em 8 anos; Sul e Sudeste concentram 76% dos casos.
- Publicado: 16/02/2026
- Alterado: 06/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Gustavo Mioto
Um novo levantamento do Observatório de Oncologia acende um alerta nacional: o câncer já se estabeleceu como a principal causa de morte em 670 municípios do Brasil. Os dados, baseados em registros do Ministério da Saúde de 2023, foram divulgados durante o Fórum Big Data em Oncologia, no Rio de Janeiro.
Este cenário representa um crescimento de 30% desde 2015, quando 516 cidades estavam nessa situação. Isso significa que, nos últimos oito anos, uma média de 17 novos municípios por ano passaram a ter o câncer como seu maior desafio de mortalidade.
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A concentração do avanço no Sul e Sudeste
A análise detalhada revela uma forte concentração geográfica do impacto do câncer. Quase 76% desses municípios estão localizados nas regiões Sul e Sudeste do país, que respondem por 46% e 30% dos casos, respectivamente.
Embora as doenças cardiovasculares ainda liderem os óbitos no cenário nacional, o avanço constante do câncer como causa primária de morte em centenas de cidades sugere uma transição epidemiológica em curso, especialmente em áreas mais desenvolvidas e com população mais envelhecida.
Um desafio prioritário de saúde pública
O aumento acelerado das fatalidades por câncer exige uma resposta robusta das políticas públicas. Catherine Moura, médica sanitarista e líder do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), salienta a urgência de fortalecer o sistema de saúde oncológico.
“O crescimento do câncer como a principal causa de morte em tantas cidades evidencia a urgência de tratá-lo como um problema prioritário de saúde pública. Isso demanda investimento contínuo em prevenção, informação e políticas integradas que assegurem atendimento de qualidade para todos os pacientes, independentemente da região onde se encontram”, afirma Moura.
Desde 1998, as mortes pela doença no Brasil aumentaram impressionantes 120%, um ritmo superior ao das doenças cardíacas no mesmo período.
Por que o câncer avança tão rápido?
Segundo Maria Paula Curado, epidemiologista do A.C.Camargo Cancer Center, esse avanço é multifatorial. Os principais motivos incluem o envelhecimento da população, a ampliação do acesso ao diagnóstico e, preocupantemente, a detecção frequente de casos apenas em estágios avançados.
Curado ressalta que a transição não é uniforme e que as vulnerabilidades regionais precisam ser endereçadas: “É fundamental acelerar tanto o diagnóstico quanto o tratamento nas áreas mais vulneráveis“, destaca.
Para a especialista, o país precisa ir além da simples ampliação de exames, investindo em unidades de acesso rápido e em letramento em saúde.
“Campanhas preventivas são essenciais, mas educar a população sobre saúde – e não apenas sobre doenças – é crucial para reduzir os casos futuros“, conclui.
O perfil dos óbitos e os custos no SUS
Nos 670 municípios onde o câncer lidera as estatísticas, foram registradas 16.222 mortes pela doença em 2023. O perfil dessas vítimas é majoritariamente masculino (56%) e idoso (77% com 60 anos ou mais).
Nacionalmente, o câncer de pulmão segue como o mais letal. No entanto, nessas localidades específicas onde a doença já é a principal causa de morte, os tipos de mama e cólon são os mais frequentes.
O fórum também atualizou dados de custos do SUS, indicando o câncer de pulmão como o de maior aumento de despesas. Projeções do Observatório sugerem que, até 2029, a doença poderá se tornar a principal causa de morte em todo o país.