Câncer em jovens de até 50 anos cresce 284% no SUS
Aumentam os casos de câncer em jovens no Brasil, com destaque para mama e colorretal. A prevenção e rastreio precoce são urgentes.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 12/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Uma análise de dados do DataSUS revela uma tendência alarmante: entre 2013 e 2024, o número de diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos saltou de 45,5 mil para 174,9 mil no Sistema Único de Saúde (SUS). O aumento representa um crescimento de 284% em pouco mais de uma década.
Os tipos de tumores mais frequentes nesta faixa etária são os de mama, colorretal e fígado. O câncer de mama, o mais comum entre as mulheres jovens, registrou um aumento de 45% no mesmo período, ultrapassando a marca de 22 mil novos casos anuais.
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O perfil dos tumores mais comuns em jovens
O crescimento não é uniforme entre todos os tipos de câncer. Alguns tumores se destacam pela alta incidência em adultos jovens, desafiando protocolos de rastreamento tradicionalmente focados em faixas etárias mais avançadas.
- Câncer de Mama (C50): Prevalente em mulheres, com aumento significativo na última década.
- Câncer do Colo do Útero (C53): Associado, em grande parte, à baixa adesão a programas de vacinação contra o HPV e exames preventivos.
- Câncer Colorretal (C18-C20): Este é um dos que mais preocupam. Os diagnósticos cresceram 160%, passando de 1.947 casos em 2013 para 5.064 em 2024.
Especialistas são quase unânimes em apontar a causa para a explosão de casos de câncer colorretal. “Somente 5% dos casos são hereditários; mais de 90% estão ligados a hábitos alimentares ruins e falta de atividade física“, afirma Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.
Desafios no diagnóstico e tratamento
O aumento de casos impõe uma pressão sobre um sistema de saúde que ainda engatinha para se adaptar a essa nova realidade. Um dos maiores entraves é a falta de dados consolidados da saúde suplementar. Stephen Stefani, oncologista do grupo Oncoclínicas, adverte que “toda política de saúde depende de dados confiáveis; atualmente, as informações disponíveis são limitadas“.
Enquanto isso, o perfil dos pacientes que chegam aos consultórios mudou. “Pacientes chegam ao consultório ativos e com responsabilidades familiares, apenas para descobrir um câncer avançado. Isso causa um choque profundo”, observa Stefani.
A oncologista Isabella Drummond reforça que a jornada do paciente no SUS ainda é árdua. “A demora entre o diagnóstico e o início do tratamento continua sendo um desafio“, diz ela, apontando também para a desigualdade no acesso a terapias modernas, muitas vezes restritas à rede privada.
Diante deste cenário, especialistas como a médica Sumara Abdo, do INCA, defendem a revisão urgente dos protocolos de rastreamento e a promoção de hábitos saudáveis, como:
- Alimentação equilibrada e rica em fibras.
- Redução do consumo de alimentos ultraprocessados.
- Prática regular de atividades físicas.
- Adesão a exames preventivos e vacinação.