Câncer de próstata: mortes crescem 21% no Brasil em 10 anos
Levantamento da SBU revela 48 óbitos diários em 2024; estigma do exame ainda é barreira para diagnóstico.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Brasil enfrenta um cenário preocupante: em 2024, o câncer de próstata causou uma média de 48 mortes por dia, somando 17.587 óbitos anuais. Os dados, apurados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) junto ao painel de monitoramento de mortalidade do Ministério da Saúde, acendem um alerta, já que a doença tem altas taxas de cura se descoberta no início.
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Um Aumento Contínuo nas Fatalidades
A situação se agravou na última década. Entre 2015 e 2024, o número de mortes por câncer de próstata saltou 21%, passando de 14,9 mil para 17,5 mil. No total, mais de 159 mil homens perderam a vida para a doença nesse período.
O crescimento foi nacional, mas a região Centro-Oeste registrou o aumento mais expressivo (26,1%), seguida por Sul (24,1%), Sudeste (21%), Nordeste (19,7%) e Norte (19,5%).
O Estigma que Atrasa o Diagnóstico
Apesar de ser o segundo tumor mais frequente entre homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma), o câncer de próstata ainda é cercado de tabu. Muitos homens evitam o acompanhamento médico por receio do exame de toque retal.
Marco Arap, urologista do hospital Sírio-Libanês, aborda o tema: “É um exame que pode causar desconforto, mas é essencial para o diagnóstico preciso da doença“.

Como é Feita a Detecção?
Dr. Arap detalha que o rastreio geralmente começa com o exame de sangue PSA (Antígeno Prostático Específico). Contudo, o toque retal é vital mesmo quando o PSA está normal, pois pode fornecer dados cruciais para um diagnóstico claro.
Outros métodos, como a ressonância magnética, são usados para investigar o câncer de próstata. Este exame avalia a próstata e áreas adjacentes.
“Embora a ressonância magnética seja um exame extremamente sensível e específico, seu custo elevado impede que seja recomendado para todos os pacientes. Sua utilização deve ser restrita a casos onde houve alterações no PSA ou no toque retal”, ressalta Arap.
A Importância do Rastreamento Precoce
A detecção precoce é a chave, pois a doença costuma ser silenciosa em fases iniciais. A SBU orienta que o rastreamento do câncer de próstata comece aos 50 anos.
No entanto, homens com fatores de risco – como obesidade, histórico familiar ou pertencentes à população negra – devem começar aos 45 anos. Este último grupo apresenta risco dobrado de desenvolver a doença e enfrenta maior mortalidade.
Luiz Otávio Torres, presidente da SBU, reforça a natureza silenciosa da doença: “Muitos pacientes só recebem o diagnóstico em estágios avançados da doença, quando as chances de cura diminuem significativamente. A prevenção é uma responsabilidade individual”.
Sintomas, Tratamentos e Alertas
Quando o câncer de próstata está avançado, podem surgir sintomas como dificuldade para urinar ou dor nas costas, além de complicações por metástases. Arap, contudo, pondera que esses sinais também podem indicar condições benignas.
“Qualquer sintoma preocupante deve levar o paciente a procurar assistência médica imediatamente. Seja uma infecção urinária simples ou algo mais sério como um tumor”, orienta.
Nem todo diagnóstico de câncer de próstata requer tratamento imediato. Em tumores de baixo risco e crescimento lento, a vigilância ativa (monitoramento rigoroso sem intervenção) é uma opção. “Em alguns casos, o tratamento pode ser mais agressivo do que necessário”, conclui o urologista.
Ele finaliza com um alerta crucial sobre os riscos de abandonar o seguimento: “A descontinuidade no monitoramento pode levar à progressão acelerada do tumor e à perda das chances de cura”.