Dezembro Laranja Pet alerta para câncer de pele e proteção solar dos animais

Especialista explica riscos, sinais precoces e cuidados essenciais contra o câncer de pele em cães e gatos no verão

Crédito: Depositphotos

Com a chegada do verão, a exposição intensa ao sol eleva os riscos para a saúde de cães e gatos. Por isso, a campanha Dezembro Laranja, originalmente focada em humanos, foi ampliada para a medicina veterinária, visando conscientizar tutores sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele em animais de estimação.

A iniciativa, promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), coincide com a época de maior intensidade solar, buscando informar sobre os perigos e as estratégias de proteção para evitar complicações graves.

A professora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, Flávia Paiffer, orienta sobre como garantir a segurança e o bem-estar dos pets, e destaca os cuidados essenciais:

Riscos do sol e a ampliação da campanha sobre câncer de pele

Flávia Paiffer explica que o Dezembro Laranja, embora tenha surgido para alertar sobre o câncer de pele em humanos, foi ampliado para a medicina veterinária porque “muitos dos fatores de risco envolvidos também afetam cães e gatos.”

A SBD chamou a atenção para a vulnerabilidade da pele dos animais, e a importância de prevenir danos causados pela radiação solar. A professora aponta que “exposição excessiva ao sol, falta de percepção dos responsáveis e a maior longevidade dos pets contribuem para o aumento de casos”. Ela reforça que a campanha visa mostrar que a pele também é alvo de neoplasias em animais e que “a educação do responsável é essencial para reduzir diagnósticos tardios.”

Prevenção o ano todo

Embora o verão concentre maior intensidade de radiação UVB, Paiffer ressalta que “o risco não se limita a ele. No Brasil, o sol é forte praticamente o ano inteiro”. Ela observa que muitos animais se expõem diariamente por hábito, seja deitando em janelas iluminadas, vivendo em quintais sem sombra ou tomando sol em horários inadequados.

“Áreas pouco protegidas como focinho, orelhas, abdome e regiões despigmentadas são vulneráveis durante todo o ano, portanto a prevenção precisa ser contínua,” alerta a veterinária. O verão funciona apenas como um “alerta máximo,” mas a radiação constante exige “rotina permanente de cuidados, avaliações dermatológicas e uso de fotoprotetores quando indicado.”

Quem precisa de protetor e a regra do produto veterinário

Cães e Gatos - Câncer de Pele
(Divulgação)

A professora Flávia Paiffer destaca que “animais de pelagem clara ou pele despigmentada são mais sensíveis ao sol, pois possuem menos melanina para protegê-los.” Ela exemplifica que “gatos brancos, por exemplo, costumam desenvolver lesões nas orelhas, no nariz e nas pálpebras, especialmente porque gostam de tomar sol na janela.” Já nos cães, “as lesões actínicas são comuns no dorso e no abdome, principalmente em animais de pelagem curta.”

Portanto, o protetor solar deve ser aplicado nas regiões pouco protegidas por pelos, como focinho, bordas das orelhas, abdome e qualquer área despigmentada ou cicatrizada. O produto, segundo ela, deve ser exclusivamente veterinário, aplicado de forma fina e uniforme cerca de 30 minutos antes da exposição e reaplicado “conforme o comportamento do animal (em média, a cada 2 horas).” A veterinária enfatiza a proibição do uso de protetores humanos: “não são seguros, pois podem causar intoxicação se ingeridos, irritações e ainda não oferecem proteção adequada.”

Roupas UV e barreiras físicas

Paiffer aponta as barreiras físicas como “excelentes aliadas,” especialmente para animais sensíveis. “Roupas com proteção UV são as mais eficazes, pois cobrem boa parte do corpo sem depender de reaplicação,” explica. Outras medidas incluem usar tecidos leves em passeios, bem como chapéus ou viseiras para proteção do focinho e orelhas. “Caminhar em áreas sombreadas, evitar superfícies muito refletivas e usar guarda-sóis em ambientes abertos também ajudam bastante. Essas medidas, combinadas à fotoproteção, garantem uma proteção mais completa durante todo o ano,” afirma.

Alerta comportamental: Sinais que precedem as lesões

Muitos tutores associam o câncer de pele apenas a lesões visíveis, mas a professora Paiffer orienta que “alterações comportamentais costumam aparecer antes.” Sinais como coçar sempre a mesma área, lamber insistentemente um ponto específico, mudar o hábito de tomar sol, demonstrar dor ao toque ou apresentar um odor discretamente diferente “podem ser sinais importantes.” Alterações sutis de cor, como vermelhidão persistente ou escurecimento localizado, também merecem atenção, pois “reconhecer esses comportamentos precocemente ajuda muito no diagnóstico e no tratamento.”

Diferença na manifestação entre cães e gatos

Cachorros - Cães - Pets
(Imagem: Freepik)

Ainda que os tumores possam ser semelhantes, “a forma como aparecem varia bastante entre as espécies,” diz Paiffer. “Gatos brancos desenvolvem com frequência lesões ulcerativas nas orelhas, no nariz e nas pálpebras, que começam como uma simples vermelhidão ou crosta e evoluem de forma agressiva.” Já nos cães, as lesões “costumam se distribuir pelo dorso, pelo abdome ou por áreas inflamadas, muitas vezes surgindo como nódulos, placas espessas ou feridas crônicas.” Ela acrescenta que gatos “demonstram desconforto mais cedo, enquanto cães podem apresentar evolução inicialmente silenciosa.”

O papel essencial da biópsia no diagnóstico precoce

A professora reconhece que “o diagnóstico do câncer de pele pode ser desafiador porque, no início, muitas lesões se parecem com irritações simples, alergias ou pequenos traumas.” No entanto, ela enfatiza: “Só a biópsia é capaz de confirmar o tipo de tumor, seu grau de agressividade e a profundidade da invasão, informações essenciais para definir o melhor tratamento.” Ela conclui que “ao identificar o câncer de pele cedo, aumentam significativamente as chances de cura, principalmente quando a cirurgia é feita antes da lesão se tornar profunda.”

Nutrição como suporte ao tratamento oncológico

Flávia Paiffer finaliza explicando que, embora a nutrição não trate o câncer de pele diretamente, ela tem “impacto enorme na qualidade da pele, na resposta inflamatória e na capacidade de cicatrização.” Segundo ela, dietas equilibradas e suplementos como ômega-3 “ajudam a reduzir inflamação, melhorar hidratação, apoiar a cicatrização e fortalecer o sistema imunológico.” Ela resume que “um animal bem nutrido tolera melhor os tratamentos e se recupera com mais eficiência, o que faz da nutrição uma parte importante do manejo oncológico, seja do câncer de pele ou mesmo outros tipos”

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  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 11/12/2025
  • Fonte: Sorria!,