Câncer de mama tem rastreamento ampliado em Ribeirão Preto
Dados de 2025 indicam recorde de exames e novas diretrizes do SUS favorecem diagnóstico precoce em mulheres de 40 a 74 anos na cidade.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 03/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O enfrentamento ao câncer de mama ganhou um novo capítulo em Ribeirão Preto, impulsionado por uma maior conscientização e mudanças nas políticas públicas. O Dia Nacional da Mamografia, marcado em 5 de fevereiro, serve como um alerta necessário para a realização do principal exame de rastreamento deste tumor, que lidera a incidência entre as mulheres no Brasil (excetuando os casos de pele não melanoma), conforme aponta o INCA.
Números consolidados pela Secretaria Municipal de Saúde revelam um cenário promissor. A rede pública registrou um salto significativo nos procedimentos realizados. Ao comparar os dados até o final de novembro de 2025 com o mesmo intervalo do ano anterior, a evolução é clara:
- 2024: 14.693 exames realizados.
- 2025: 16.091 exames realizados.
Este aumento reflete um acesso mais amplo ao diagnóstico. Detectar a doença cedo é o fator determinante para o sucesso clínico, como observa o oncologista Diocésio Andrade:
“Esse aumento é extremamente positivo, pois amplia as chances de identificação da doença em fases iniciais, quando os tratamentos tendem a ser menos agressivos e com melhores resultados. Muitas vezes, o tumor pode se desenvolver de forma silenciosa, sem sintomas aparentes.”
Novas regras de combate ao câncer de mama
O crescimento nos números locais não é isolado. Ele ocorre em consonância com a atualização dos protocolos do Ministério da Saúde, que visam facilitar o rastreamento do câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde setembro de 2025, barreiras históricas foram derrubadas para ampliar a cobertura.
Mulheres na faixa etária de 40 a 49 anos agora possuem acesso garantido à mamografia pelo SUS. A realização do exame pode ocorrer mediante indicação médica ou por decisão da própria paciente, independentemente de histórico familiar ou presença de sintomas visíveis.
Outra mudança estrutural foi a extensão da idade limite para o rastreamento preventivo. Anteriormente fixada em 69 anos, a recomendação passou para 74 anos, com a indicação de exames a cada dois anos. Essa alteração reconhece a longevidade da população brasileira e a necessidade de monitoramento contínuo.
Diocésio Andrade avalia o impacto dessas medidas ao câncer de mama:
“Essas novas diretrizes tornam o rastreamento mais abrangente e alinhado ao perfil atual da doença, que tem relação direta com o envelhecimento da população. Com isso, conseguimos reduzir diagnósticos tardios e aumentar as chances de cura.”
A mamografia precisa ser encarada como parte inegociável da rotina de saúde feminina. A adesão massiva a este exame é a estratégia mais eficaz para salvar vidas, permitindo antecipar o diagnóstico do câncer de mama e garantir terapias menos invasivas para as pacientes.