Outubro Rosa Pet: câncer de mama em animais também exige atenção
Assim como em humanos, o câncer de mama é comum em pets e detectar cedo pode fazer toda a diferença
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 28/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O mês de outubro, mundialmente dedicado à prevenção do câncer de mama em mulheres, acende um alerta crucial que se estende aos nossos animais de estimação. Poucos tutores sabem que o câncer de mama é um dos tumores mais frequentes em animais como cadelas e gatas, e que um simples toque de carinho pode ser o primeiro passo para o diagnóstico precoce e a cura.

Segundo a médica-veterinária e docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Dra. Aline Ambrogi, os tumores mamários malignos são bastante comuns em pets. A detecção precoce é, portanto, essencial para aumentar as chances de sobrevida.
Diferenças de agressividade: Felinos em risco elevado
A doença apresenta comportamentos distintos entre as espécies:
- Gatas: A doença tende a ser significativamente mais agressiva, com rápido avanço e altas taxas de metástase, o que reduz drasticamente as chances de cura. Um estudo de 2024 na Veterinary Sciences confirmou a predominância de tumores malignos agressivos em felinos, destacando a importância da detecção precoce.
- Cadelas: Os tumores são, em geral, menos agressivos e de evolução mais lenta. Uma pesquisa da USP (2024) identificou similaridades com o câncer de mama humano, abrindo caminho para futuros diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados.

Segundo o professor Rodrigo Casemiro, do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, “tanto em literatura quanto em nossa rotina prática, em gatas os tumores mamários tendem a ser mais agressivos. As chances de metástases e grau de agressividade em gatas são maiores, comparado com as cadelas.”
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Sinais de alerta: O papel do tutor
Muitas vezes, o tutor descobre a anomalia por acaso, durante um carinho ou o banho. A Dra. Aline Ambrogi detalha os sinais a serem observados: “Pequenos nódulos aparecem nas mamas e, com o tempo, podem endurecer, ulcerar a pele, liberar secreções e causar dor. Nos estágios mais avançados, o animal emagrece, perde o apetite e até passa a mancar”, explica Aline. Por isso, os tutores devem ficar atentos aos sinais e mudanças de comportamento do animal.
Rodrigo Casemiro complementa: “O ideal seria o pet passar periodicamente por uma avaliação de rotina com um médico veterinário. Pequenos nódulos firmes podem ser palpados em topografia de mamas ou muito próximo a elas.”
Prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama:
A chave para o sucesso do tratamento do câncer de mama é a detecção precoce. O tutor deve manter o hábito de apalpar o pet e seguir um cronograma de visitas ao veterinário.
Castração: A melhor prevenção

O uso de anticoncepcionais hormonais é contraindicado em cadelas e gatas, pois aumenta o risco de tumores. A alternativa correta e preventiva é a castração.
Rodrigo Casemiro afirma que a castração realmente previne: “sim, já temos comprovado cientificamente que a castração realizada antes do segundo cio dos pets, possui uma altíssima taxa de prevenção contra tumores mamários, visto que muitos deles expressam receptores hormonais.” Ele acrescenta que, mesmo feita após o segundo cio, a castração ainda tem um efeito preventivo, embora menor, e previne em 100% a piometra (infecção uterina).
Frequência de check-up
Para a detecção precoce, a rotina é essencial. O Professor Casemiro recomenda:
- Pets filhotes ou adultos jovens (até 4 anos para gatos / até 5/6 anos para cães): Visitas e exames de check-up anuais.
- Pets idosos: Consultas e exames a cada 6 meses seriam mais recomendados.
Encontrou um nódulo? Não espere!
Ao notar qualquer alteração, a ação deve ser imediata. Rodrigo Casemiro é enfático: “ao encontrar um nódulo em seu pet procure um veterinário imediatamente. Ele avaliará se já será um momento correto de fazer o diagnóstico, realização de citologias e ou biópsias caso necessário. Todo diagnóstico precoce leva a um melhor prognóstico!“
Diagnóstico e tratamento:
1. Exames diagnósticos:
- A suspeita começa com a avaliação clínica.
- Exames de imagem, como raio-X de tórax e ultrassonografia abdominal, verificam a presença de metástase.
- Para definir a natureza (benigna ou maligna) do tumor, o professor Casemiro explica que são solicitados exames citológicos ou histopatológicos, a critério do médico-veterinário.
2. Opções de Tratamento:
- Cirurgia: É a forma de tratamento principal e mais importante, sendo indicada a retirada total ou parcial das mamas com ampla margem de segurança.
- Complemento: Após a cirurgia e a análise histopatológica, o oncologista veterinário pode complementar o tratamento com quimioterapia ou apenas manter o paciente em acompanhamento com exames.
A Dra. Aline reitera: “Quando diagnosticado no início, muitos tumores podem ser tratados com sucesso e o animal pode ficar livre da doença.”