44% das mulheres pretas e pardas no Brasil têm câncer de mama diagnosticado tardiamente, revela estudo

A OMS recomenda que mulheres entre 50 e 69 anos realizem mamografias. Apenas 23,7% realizam mamografias.

Crédito: Sociedade Brasileira de Mastologia

Um estudo recente, intitulado Panorama do Câncer de Mama, destacou preocupantes estatísticas sobre a detecção do câncer de mama entre mulheres brasileiras. Os dados revelam que 44% das mulheres pretas e pardas receberam diagnósticos em estágios avançados da doença. Em contraste, países com taxas de cobertura mamográfica em torno de 70% conseguiram reduzir a mortalidade por essa enfermidade em aproximadamente 35%.

O levantamento, realizado pelo Instituto Natura em colaboração com o Observatório de Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, apontou que apenas 23,7% da população-alvo no Brasil realiza mamografias, um índice alarmantemente inferior à meta de 70% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O câncer de mama é a neoplasia mais prevalente entre as mulheres no Brasil, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma, com cerca de 73.610 novos casos estimados anualmente. A detecção precoce por meio de exames de rastreamento é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência, mas a realidade atual indica uma lacuna significativa no acesso a esses serviços.

A OMS recomenda que mulheres entre 50 e 69 anos realizem mamografias bienais, contudo, o Brasil ainda não alcançou nem mesmo um quarto dessa cobertura. Em nota oficial, o Ministério da Saúde reafirmou seu compromisso com o acesso a exames como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética. Para 2024, foram registradas mais de quatro milhões de mamografias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além da operação de mais de 9 mil mamógrafos na rede pública e privada.

Entre os destaques do estudo estão os seguintes pontos:

  • 41,7% das mamografias realizadas no SUS durante 2023-2024 foram feitas por mulheres pretas e pardas;
  • 44% das mulheres pretas e pardas e 36% das brancas receberam diagnósticos tardios;
  • O tempo médio para início do tratamento no Brasil ultrapassa em 158 dias o limite legal estabelecido, que é de 60 dias.

Os percentuais de mamografias realizadas também variaram conforme a etnia: enquanto apenas 11,5% das mulheres amarelas e apenas 0,1% das indígenas realizaram o exame entre 2023-2024, 46,8% das mulheres brancas conseguiram acessar esse serviço.

A região Sul se destacou com as melhores taxas de cobertura ao longo dos anos:

  • 2015-2016: 31,3%
  • 2017-2018: 30,5%
  • 2019-2020: 22,9%
  • 2021-2022: 24,3%
  • 2023-2024: 27,2%

No contexto dos estados brasileiros em 2023, os melhores índices foram observados na Bahia (33%), Piauí (32,6%) e São Paulo (29,9%). Por outro lado, Roraima (3,3%) e Tocantins (6,4%) apresentaram as menores coberturas.

Renata Rodovalho, uma das autoras do estudo, enfatiza que o Brasil ainda precisa avançar significativamente para alcançar os padrões observados em países desenvolvidos. A cobertura mamográfica atinge até 80% na Suécia e ultrapassa os 75% no Reino Unido. “Essas diferenças são atribuídas a programas organizados de rastreamento que incluem convocações periódicas e infraestrutura adequada”, destaca Rodovalho.

O tratamento precoce do câncer de mama pode garantir taxas de cura entre 90% e 95%, segundo informações da Sociedade Brasileira de Mastologia. O estudo ressalta ainda que a mortalidade caiu cerca de 35% em países onde a cobertura mamográfica atinge pelo menos 70%.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) registrou em 2022 um total de 19.130 óbitos por câncer de mama entre mulheres brasileiras. A doença continua sendo a mais comum entre o sexo feminino globalmente, com cerca de 2,3 milhões de casos estimados em todo o mundo no mesmo ano.

Dentre as recomendações atuais para mamografias variam: enquanto algumas instituições sugerem exames anuais para mulheres entre 40 e 49 anos mesmo na ausência de sintomas, o Ministério da Saúde orienta a realização bienal para aquelas entre 50 e 69 anos.

A utilização da mamografia é considerada segura devido à baixa dose de radiação envolvida no exame. Especialistas garantem que os benefícios superam os riscos potenciais associados à exposição à radiação durante o exame.

A distribuição dos casos diagnosticados entre diferentes faixas etárias mostra que as mulheres na faixa dos 30 aos 49 anos representam uma significativa porcentagem dos diagnósticos (31,4%), seguidas por aquelas com idades entre 50 e 59 anos (26,5%). Infelizmente, os prazos legais para diagnóstico e início do tratamento frequentemente não são respeitados; em média, em 2023 houve uma espera total superior ao permitido por lei em mais de cinco meses.

O Ministério da Saúde reafirma seu compromisso em expandir os serviços oncológicos disponíveis pelo SUS. Um investimento significativo foi realizado nos últimos anos para melhorar a infraestrutura destinada ao diagnóstico e tratamento do câncer no Brasil.

Os principais sinais indicativos do câncer de mama incluem nódulos endurecidos nas mamas ou axilas, alterações na pele da mama ou no mamilo. Especialistas ressaltam a importância do autoexame regular como complemento às mamografias convencionais para detecção precoce da doença.

  • Publicado: 13/01/2026
  • Alterado: 13/01/2026
  • Autor: 07/07/2025
  • Fonte: TUCA