Câncer cresce no Brasil e deve alcançar 781 mil casos anuais
Estimativa do INCA para triênio 2026-2028 aponta envelhecimento como fator de risco. Ministério da Saúde responde com recorde em quimioterapias.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 04/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O câncer deve atingir a marca de 781 mil novos diagnósticos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A projeção, divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) neste Dia Mundial do Câncer (04), exclui os tumores de pele não melanoma da contagem principal, o que resulta em 518 mil casos anuais de maior complexidade. O aumento da incidência está diretamente atrelado ao envelhecimento populacional e exige uma reestruturação imediata da saúde pública.
Diante da pressão demográfica, o Ministério da Saúde consolidou em 2025 o programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa busca reduzir os gargalos no Sistema Único de Saúde (SUS), focando na redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento oncológico. A estratégia não apenas amplia a rede física, mas altera a lógica de financiamento para premiar a produtividade hospitalar.
Mapa da incidência do câncer por gênero
Os dados epidemiológicos revelam padrões distintos de adoecimento entre homens e mulheres. Enquanto o tumor de pele não melanoma lidera o ranking geral devido à alta exposição solar no país, os órgãos internos apresentam cenários preocupantes que demandam rastreamento ativo.
Principais incidências entre homens:
- Próstata;
- Cólon e reto;
- Pulmão;
- Estômago;
- Cavidade oral.
Principais incidências entre mulheres:
- Mama;
- Cólon e reto;
- Colo do útero;
- Pulmão;
- Tireoide.
Para combater esses índices, o governo aposta na detecção em estágios iniciais. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforça que a meta é estruturar uma rede coordenada nacionalmente, onde o INCA atua como regulador estratégico da qualidade do cuidado, e não apenas como centro assistencial.
Protocolos de rastreamento do câncer feminino
A saúde da mulher recebeu atualizações críticas nos protocolos de prevenção. A mamografia de rastreamento no SUS agora abrange a faixa etária de 40 a 74 anos — uma expansão significativa em relação à recomendação anterior (50 a 69 anos). Essa mudança permitiu que o sistema público realizasse 3 milhões de exames bilaterais apenas em 2025.
Outra inovação tecnológica é a introdução do teste molecular DNA-HPV em 12 estados. A tecnologia brasileira substitui o Papanicolau tradicional como método primário em regiões específicas, identificando o vírus antes mesmo que ele cause lesões celulares.
“O enfrentamento do câncer do colo do útero passa pela ampliação da vacinação contra o HPV, pelo diagnóstico e pelo acesso ao tratamento no tempo adequado.” — Alexandre Padilha, Ministro da Saúde.
A imunização avança: dados preliminares indicam que a cobertura vacinal contra o HPV atingiu 85% entre meninas e 73% entre meninos de 9 a 14 anos. Oito estados já superaram a meta de 90% estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Infraestrutura e tratamento do câncer no SUS
A capacidade de resposta do sistema público registrou crescimento operacional. Em 2025, o SUS executou quase 7 milhões de procedimentos de quimioterapia, um salto de 80% em comparação a 2022. Esse volume reflete tanto o aumento da demanda quanto a maior oferta de serviços.
A radioterapia também passa por descentralização. Foram instalados 24 novos aceleradores lineares no último ano, incluindo o primeiro equipamento do estado do Amapá, reduzindo a necessidade de TFD (Tratamento Fora de Domicílio). O plano de expansão prevê a compra de mais 131 máquinas ao longo de 2026.
Para garantir que o paciente complete o ciclo terapêutico, foi criado um auxílio financeiro específico para custeio de transporte, alimentação e hospedagem quando a radioterapia exige deslocamento intermunicipal.
Prevenção e estilo de vida
A batalha contra a doença envolve também a promoção de saúde primária. A estratégia Viva Mais Brasil, com aporte de R$ 340 milhões, ataca os fatores de risco modificáveis do câncer: sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e má alimentação. O fortalecimento das Academias da Saúde integra esse esforço, visando reduzir a pressão sobre a média e alta complexidade nos próximos anos.