Campus Mobile anuncia finalistas e destina R$ 2,7 mil a startups

Programa de inovação reconhece projetos de base tecnológica e social e seleciona startups para etapa final da iniciativa

Crédito: Suzana Rezende / ABCdoABC

O Campus Mobile anunciou as startups finalistas de sua edição mais recente durante evento que reuniu estudantes, mentores e representantes de instituições parceiras. A iniciativa, voltada ao estímulo da inovação e do empreendedorismo tecnológico entre jovens universitários, destinou R$ 2.700 em apoio financeiro às startups selecionadas, valor distribuído entre os grupos finalistas como incentivo ao desenvolvimento das soluções apresentadas.

O programa tem como foco o apoio a projetos que utilizam tecnologia móvel para enfrentar desafios sociais, educacionais e de acessibilidade. Ao longo do processo seletivo, os participantes passaram por etapas de mentoria, validação de ideias e apresentação pública das propostas, culminando no anúncio oficial dos finalistas.

Durante o evento, os organizadores destacaram que o Campus Mobile busca ir além da premiação financeira, oferecendo suporte técnico, orientação de mercado e oportunidades de conexão com o ecossistema de inovação.

Apoio institucional e impacto social dos projetos

Campus mobile Instituto claro startups
Suzana Rezende / ABCdoABC

Em entrevista concedida durante o encontro, Flávio Rodrigues, gerente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Instituto Claro, ressaltou o papel do programa na formação de jovens desenvolvedores e no fortalecimento de projetos com impacto social.

“O Campus Mobile é uma iniciativa que conecta educação, tecnologia e propósito. A gente acredita muito no potencial desses jovens para criar soluções que dialogam com problemas reais da sociedade”, afirmou.

Segundo Rodrigues, o incentivo financeiro funciona como um impulso inicial, mas o principal diferencial do programa está na construção de repertório dos participantes. “Mais do que o recurso, o que a gente oferece é acompanhamento, troca de experiências e a possibilidade de amadurecer essas ideias para que elas possam seguir depois do programa”, disse.

O representante do Instituto Claro também destacou que muitos projetos apresentados ao longo das edições do Campus Mobile têm foco em acessibilidade, educação e inclusão digital, temas recorrentes entre os finalistas deste ano.

Startups finalistas apresentam soluções tecnológicas

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Suzana Rezende / ABCdoABC

Entre as startups selecionadas para a etapa final está o SinaLu, startup desenvolvida por estudantes de Porto Alegre, voltada à introdução da Língua Brasileira de Sinais (Libras) no ambiente familiar de crianças surdas. O projeto foi apresentado pelas desenvolvedoras Ana, Fernanda e Rafaela, que relataram o processo de construção da solução a partir da escuta ativa de educadores e famílias.

“O SinaLu veio para oferecer para famílias ouvintes com crianças surdas uma ferramenta lúdica para introduzir Libras em casa”, explicou Ana, uma das desenvolvedoras do projeto.

Segundo as integrantes do grupo, a proposta surgiu após visitas a escolas bilíngues para surdos e conversas com professores especializados. “A gente percebeu que muitas crianças chegam à escola sem uma base de comunicação em Libras, e isso acaba dificultando o desenvolvimento delas”, afirmou Fernanda.

As desenvolvedoras destacaram que o Campus Mobile contribuiu para a estruturação do projeto e para a ampliação da visão de futuro da startup. “A gente tinha uma ideia inicial e alguns protótipos, mas aqui na Campus a gente conseguiu desenvolver melhor, pensar em modelo de negócio e olhar para além da ideia”, disse Rafaela.

Tecnologia assistiva e acessibilidade em foco

Outro projeto finalista foi o Pra Cego, solução tecnológica voltada à acessibilidade de pessoas com deficiência visual. O grupo apresentou uma proposta que utiliza recursos digitais para ampliar a autonomia dos usuários no acesso à informação e a serviços do cotidiano.

Durante a apresentação, os integrantes do projeto destacaram que a motivação principal foi a falta de ferramentas acessíveis em ambientes digitais comuns. Segundo o grupo, a participação no Campus Mobile permitiu testar a solução, receber feedback de mentores e ajustar o produto às necessidades reais do público-alvo.

Os estudantes relataram que o processo de mentoria foi fundamental para compreender aspectos técnicos e sociais envolvidos no desenvolvimento de tecnologia assistiva, além de possibilitar contato com outros projetos que enfrentam desafios semelhantes.

Projeto nasce de vivência pessoal e demanda recorrente

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O desenvolvimento do Pra Cego surgiu a partir de uma experiência pessoal vivida por integrantes do grupo, que identificaram na falta de autonomia um desafio recorrente enfrentado por pessoas com deficiência visual. Segundo os participantes, a iniciativa partiu da percepção de que a dificuldade não era isolada, mas compartilhada por grande parte desse público.

“A falta de autonomia sempre foi, para mim, um dos maiores desafios que eu encontrei no meu caminho”, relatou Josi Clécio Almeida.

A partir desse contexto, o grupo decidiu estruturar uma solução tecnológica que pudesse contribuir para ampliar a independência de pessoas cegas em atividades do cotidiano. “Eu entendi que poderia desenvolver algo para solucionar esse problema, que não é pessoal, mas recorrente no mundo todo”, afirmou a participante Ana Julia.

Uso de tecnologia para ampliar autonomia de pessoas cegas

A proposta do Pra Cego envolve o uso de recursos digitais voltados à acessibilidade, com foco na identificação de ambientes e no apoio à locomoção e à interação social. De acordo com os desenvolvedores, a solução foi pensada para ser intuitiva e acessível desde o primeiro contato do usuário com a ferramenta.

“O nosso dispositivo identifica obstáculos, reconhece pessoas e ambientes, e é todo guiado por voz”, explicou Everaldo Junior, um das integrantes do grupo.

Os participantes destacaram que a experiência no Campus Mobile foi fundamental para o aprimoramento do projeto. “Aqui a gente aprendeu mais e refinou o nosso projeto. Foi um passo a mais para a realização do nosso sonho, que é levar tecnologia para quem mais precisa”, disseram.

Segundo o grupo, a escolha do Pra Cego como projeto finalista representa uma validação do trabalho desenvolvido até o momento. “Ser finalista é um marco desejado há vários meses. É um reconhecimento para a tecnologia, a inovação e, principalmente, para a acessibilidade”, afirmaram.

Formação, diversidade e novos caminhos na tecnologia

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Além da apresentação dos projetos, o evento também foi marcado por reflexões sobre diversidade e inclusão no setor de tecnologia. As desenvolvedoras do SinaLu destacaram a importância da presença feminina em espaços de inovação e empreendedorismo.

Apesar de a área ainda ser muito masculinizada, a gente tem muito potencial. Cada vez mais mulheres estão entrando na tecnologia, e é importante que elas não tenham medo de seguir esse caminho”, afirmou Ana.

A fala dialoga com um dos objetivos do Campus Mobile, que é ampliar o acesso de diferentes perfis de estudantes às oportunidades de formação tecnológica, incentivando a participação de mulheres e de jovens de diferentes regiões do país.

Para Flávio Rodrigues, esse aspecto é central para o futuro do programa. “Quando a gente promove diversidade, a gente amplia o repertório de soluções. Problemas diferentes exigem olhares diferentes”, disse.

Continuidade dos projetos após o programa

Com o anúncio dos finalistas e a entrega do recurso financeiro, os grupos selecionados seguem agora para uma nova etapa de desenvolvimento dos projetos. A expectativa, segundo a organização, é que as startups possam utilizar o apoio recebido para aprimorar funcionalidades, testar soluções e buscar novas parcerias.

Os participantes afirmaram que o reconhecimento como finalistas representa não apenas uma conquista, mas também uma responsabilidade com os públicos atendidos pelas soluções. “A gente sabe que esse é só o começo e que ainda tem muito trabalho pela frente”, resumiu uma das integrantes do SinaLu.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 06/02/2026
  • Fonte: FERVER