Campanha Junho Violeta: São Paulo avança na proteção dos idosos

Todos os equipamentos da rede municipal de saúde contam com Núcleos de Prevenção à Violência e grupos voltados ao empoderamento do público idoso

Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Prefeitura de São Paulo, em uma iniciativa abrangente, implementou Núcleos de Prevenção à Violência em toda a rede municipal de saúde, visando fortalecer o empoderamento da população idosa. Esses núcleos são parte de um esforço contínuo para garantir a segurança e o bem-estar dos idosos, especialmente durante o Junho Violeta, mês dedicado à conscientização sobre a violência contra esse grupo vulnerável.

Desde 2015, por meio da Portaria 1.300, a cidade estabeleceu os Núcleos de Prevenção à Violência (NPVs), que estão presentes em diversas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e outros equipamentos públicos. Cada núcleo conta com uma equipe multidisciplinar composta por pelo menos quatro profissionais, que têm como missão identificar e abordar casos de violência contra idosos.

O papel desses profissionais é fundamental para garantir um atendimento completo ao público idoso. Eles são responsáveis pela detecção precoce de situações de violência, além da promoção do cuidado integral tanto para os idosos quanto para seus cuidadores. Em casos identificados, os NPVs desenvolvem estratégias que incluem a formação de grupos terapêuticos e suporte contínuo.

A coordenadora da Área Técnica de Atenção Integral à Saúde da Pessoa em Situação de Violência da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cássia Liberato Muniz Ribeiro, enfatiza a importância do trabalho coletivo: “Um trabalho multidisciplinar é essencial para superar as barreiras da comunicação entre os envolvidos. Os agentes comunitários de saúde desempenham um papel vital, pois estão mais próximos da realidade das famílias”.

A SMS também atua na prevenção da violência por meio da Área Técnica de Saúde da Pessoa Idosa, que foi consolidada com a criação das Unidades de Referência em Saúde da Pessoa Idosa (URSI) em 2003. Essas unidades promovem ações intergeracionais e comunitárias, incluindo caminhadas e palestras que visam aumentar a conscientização sobre os direitos dos idosos e combater práticas discriminatórias.

De acordo com Rosa Maria Marcucci, coordenadora da área técnica, as iniciativas não se restringem apenas ao atendimento direto ao idoso. O objetivo é sensibilizar a sociedade sobre a importância do cuidado aos idosos e combater o idadismo. Ela destaca ainda a relevância do apoio ao cuidador: “A saúde física e mental dos cuidadores deve ser priorizada, uma vez que seu estresse pode ser um fator de risco significativo para casos de violência”.

Outro projeto relevante é o Programa Acompanhante de Idosos (PAI), lançado em 2008, que considera a violência como um critério para encaminhamentos. As equipes trabalham na reconstrução dos vínculos familiares e na segurança dos idosos, orientando sobre possíveis encaminhamentos quando necessário.

A diversidade das formas de violência contra os idosos inclui:

  • Violência física: uso da força que resulta em dano físico ou psicológico;
  • Violência psicológica: humilhações e ameaças que isolam o idoso socialmente;
  • Violência sexual: atos sexuais sem consentimento;
  • Abandono: falta de assistência por familiares ou instituições;
  • Negligência: omissão de cuidados necessários;
  • Violência financeira: uso indevido dos recursos financeiros do idoso;
  • Autonegligência: quando o idoso descuida de sua própria saúde;
  • Violência medicamentosa: administração inadequada de medicamentos;
  • Violência emocional: agressões verbais contínuas que desrespeitam o idoso.

A campanha Junho Violeta foi instituída pela ONU em 2006 com o intuito de promover uma maior visibilidade sobre a questão da violência contra os idosos e incentivar ações de prevenção e combate às violações dos seus direitos. Segundo dados recentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), São Paulo registrou 3.494 casos de violência contra idosos em 2024, com uma significativa parte sendo atribuída à violência física e psicológica.

A coordenadora Cássia Liberato alerta que muitos idosos podem não reconhecer ou relatar situações violentas devido ao medo, vergonha ou dependência do agressor. Portanto, é crucial continuar fortalecendo as redes de apoio e proteção ao idoso na capital paulista.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 16/06/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping