Caminhada Musical abre espaços culturais para a Geração 60+
Caminhada Musical une saúde, cognição e emoção em um único roteiro
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 11/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em um domingo que amanheceu com ares de folga e sem a chuva prevista, a Avenida Nazaré, no Ipiranga, se tornou palco de um evento que une arte, saúde e inclusão social. Cerca de 300 participantes com 60 anos ou mais se reuniram para a Caminhada Musical, transformando o passeio em uma experiência multissensorial.
O evento aconteceu justamente no dia em que o ENEM debatia “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, um tema que ganha urgência, visto que a população 60+ cresceu 56% entre 2010 e 2022, segundo o IBGE. A Caminhada Musical, com seus concertos gratuitos de música clássica e instrumental, democratiza o acesso à cultura e reforça o protagonismo dessa faixa etária.
Reconhecimento e preparação especializada
Idealizada pela musicista Giane Martins, a Caminhada Musical é um projeto premiado, tendo recebido o Prêmio Governador do Estado para as Artes 2025 na categoria Música.
A atenção dedicada ao público sênior é total. Antes da largada, no pátio da Capela Sagrada Família e Santa Paulina, os participantes foram recepcionados com camisetas e receberam cuidados essenciais: uma equipe de fisioterapeutas conduziu exercícios de alongamento e monitorou a pressão arterial, preparando o grupo para a jornada física.
“A cada edição, observamos como a música tem o poder de mobilizar, acolher e despertar novas formas de pertencimento na cidade,” afirma Giane Martins, ressaltando que o projeto também gera cerca de 85 postos de trabalho na cadeia cultural.
Do barroco no santuário ao Groove no Museu

Os 300 participantes foram divididos em dois grupos, permitindo uma experiência mais atenciosa e confortável.
- Primeiro Concerto: Atmosfera Barroca Na Capela, local que abriga os restos mortais de Santa Paulina (a primeira Santa do Brasil), a Irmã Geralda Maria Martins da Cruz deu as boas-vindas. O concerto de abertura ficou a cargo do Soneto Proêmio, que trouxe uma formação camerística incomum e contemplativa. As vozes de Aymeé Wentz (soprano) e Ivy Szot (mezzo-soprano), ambas do Coral Paulistano, uniram-se aos sons da teorba (Alexandre Ribeiro) e do alaúde (Bruno Inácio).
- Segundo Concerto: Música e Dinossauros Em seguida, o primeiro grupo atravessou a rua, acompanhado pelos fisioterapeutas, para uma cena inédita: visitar uma exposição ao som de música de câmara. No Museu de Zoologia da USP, pouco acima da réplica de um dinossauro, o quarteto de cordas Groove Guys (Marcos Scheffel, Daniel Moreira, Daniel Pires e Deni Rocha) tocou clássicos populares. O grupo, que une técnica erudita ao groove, inspirou até a aposentada Leda Gomes a dançar ao lado dos esqueletos.
A designer de interiores e especialista em neurociência, Hebe Arruda, explicou o valor da experiência: “A caminhada musical é importante porque nos coloca num ambiente multissensorial. Com estímulos saudáveis para todos os sentidos. O que é excelente para o público 60+, porque mexe com a cognição.”
Caminhada Histórica e Fanfarra Itinerante
O percurso seguiu pelo Parque da Independência. O primeiro grupo, com suas camisetas verde-limão, seguiu para o bosque e o Museu do Ipiranga, com a presença emocionante de Maria Osana Ferreira, de 83 anos, em cadeira de rodas, acompanhada pela filha e por fisioterapeutas.
- Terceiro Concerto: Na Antiga Administração do Parque (um local pouco explorado), o grupo Clara Clarinetas apresentou um repertório que varia do erudito ao popular, destacando o olhar feminino das instrumentistas em suas obras. O evento é aberto ao público; a consultora Jennifer Francischi confirmou isso ao ser calorosamente recebida mesmo usando a camiseta da edição anterior.
- Grand Finale na Praça Cívica: O roteiro terminou na Praça Cívica do Parque. Ali, o Cortejo Ôncalo, uma animada fanfarra itinerante (com trompetes, trombone, tuba e percussão), fez o público cantar e dançar. O repertório popular atraiu até mesmo quem estava apenas passeando, como a assistente social Mônica Castro (58) e sua mãe, Maria de Lourdes (84).
Quando os dois grupos (camisetas verde-limão e roxas) se encontraram, o Ôncalo iniciou o cortejo final. O exercício físico foi comprovado: o participante Jaime Alves Pereira registrou em suas redes sociais ter percorrido 3,5 km em 2 horas e 23 minutos, queimando 478 calorias, do início ao fim da Caminhada.
Futuro do projeto da Caminhada Musical
Nesta quinta edição, o evento foi viabilizado por leis de incentivo à cultura e pelo patrocínio da farmacêutica Libbs. Com edições realizadas em 2024 no Ipiranga, Parque do Povo, Campinas (Taquaral) e Guarulhos (Bosque Maia), Giane Martins já planeja o futuro.
“A Caminhada Musical foi um sucesso! Esperamos em 2026 fazer muitas Caminhadas Musicais,” conclui a criadora.