Caminhada Musical abre espaços culturais para a Geração 60+

Caminhada Musical une saúde, cognição e emoção em um único roteiro

Crédito: Andres Costa/ Divulgação

Em um domingo que amanheceu com ares de folga e sem a chuva prevista, a Avenida Nazaré, no Ipiranga, se tornou palco de um evento que une arte, saúde e inclusão social. Cerca de 300 participantes com 60 anos ou mais se reuniram para a Caminhada Musical, transformando o passeio em uma experiência multissensorial.

O evento aconteceu justamente no dia em que o ENEM debatia “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, um tema que ganha urgência, visto que a população 60+ cresceu 56% entre 2010 e 2022, segundo o IBGE. A Caminhada Musical, com seus concertos gratuitos de música clássica e instrumental, democratiza o acesso à cultura e reforça o protagonismo dessa faixa etária.

Reconhecimento e preparação especializada

Idealizada pela musicista Giane Martins, a Caminhada Musical é um projeto premiado, tendo recebido o Prêmio Governador do Estado para as Artes 2025 na categoria Música.

A atenção dedicada ao público sênior é total. Antes da largada, no pátio da Capela Sagrada Família e Santa Paulina, os participantes foram recepcionados com camisetas e receberam cuidados essenciais: uma equipe de fisioterapeutas conduziu exercícios de alongamento e monitorou a pressão arterial, preparando o grupo para a jornada física.

“A cada edição, observamos como a música tem o poder de mobilizar, acolher e despertar novas formas de pertencimento na cidade,” afirma Giane Martins, ressaltando que o projeto também gera cerca de 85 postos de trabalho na cadeia cultural.

Do barroco no santuário ao Groove no Museu

Andres Costa/ Divulgação

Os 300 participantes foram divididos em dois grupos, permitindo uma experiência mais atenciosa e confortável.

  1. Primeiro Concerto: Atmosfera Barroca Na Capela, local que abriga os restos mortais de Santa Paulina (a primeira Santa do Brasil), a Irmã Geralda Maria Martins da Cruz deu as boas-vindas. O concerto de abertura ficou a cargo do Soneto Proêmio, que trouxe uma formação camerística incomum e contemplativa. As vozes de Aymeé Wentz (soprano) e Ivy Szot (mezzo-soprano), ambas do Coral Paulistano, uniram-se aos sons da teorba (Alexandre Ribeiro) e do alaúde (Bruno Inácio).
  2. Segundo Concerto: Música e Dinossauros Em seguida, o primeiro grupo atravessou a rua, acompanhado pelos fisioterapeutas, para uma cena inédita: visitar uma exposição ao som de música de câmara. No Museu de Zoologia da USP, pouco acima da réplica de um dinossauro, o quarteto de cordas Groove Guys (Marcos Scheffel, Daniel Moreira, Daniel Pires e Deni Rocha) tocou clássicos populares. O grupo, que une técnica erudita ao groove, inspirou até a aposentada Leda Gomes a dançar ao lado dos esqueletos.

A designer de interiores e especialista em neurociência, Hebe Arruda, explicou o valor da experiência: “A caminhada musical é importante porque nos coloca num ambiente multissensorial. Com estímulos saudáveis para todos os sentidos. O que é excelente para o público 60+, porque mexe com a cognição.”

Caminhada Histórica e Fanfarra Itinerante

O percurso seguiu pelo Parque da Independência. O primeiro grupo, com suas camisetas verde-limão, seguiu para o bosque e o Museu do Ipiranga, com a presença emocionante de Maria Osana Ferreira, de 83 anos, em cadeira de rodas, acompanhada pela filha e por fisioterapeutas.

  • Terceiro Concerto: Na Antiga Administração do Parque (um local pouco explorado), o grupo Clara Clarinetas apresentou um repertório que varia do erudito ao popular, destacando o olhar feminino das instrumentistas em suas obras. O evento é aberto ao público; a consultora Jennifer Francischi confirmou isso ao ser calorosamente recebida mesmo usando a camiseta da edição anterior.
  • Grand Finale na Praça Cívica: O roteiro terminou na Praça Cívica do Parque. Ali, o Cortejo Ôncalo, uma animada fanfarra itinerante (com trompetes, trombone, tuba e percussão), fez o público cantar e dançar. O repertório popular atraiu até mesmo quem estava apenas passeando, como a assistente social Mônica Castro (58) e sua mãe, Maria de Lourdes (84).

Quando os dois grupos (camisetas verde-limão e roxas) se encontraram, o Ôncalo iniciou o cortejo final. O exercício físico foi comprovado: o participante Jaime Alves Pereira registrou em suas redes sociais ter percorrido 3,5 km em 2 horas e 23 minutos, queimando 478 calorias, do início ao fim da Caminhada.

Futuro do projeto da Caminhada Musical

Nesta quinta edição, o evento foi viabilizado por leis de incentivo à cultura e pelo patrocínio da farmacêutica Libbs. Com edições realizadas em 2024 no Ipiranga, Parque do Povo, Campinas (Taquaral) e Guarulhos (Bosque Maia), Giane Martins já planeja o futuro.

“A Caminhada Musical foi um sucesso! Esperamos em 2026 fazer muitas Caminhadas Musicais,” conclui a criadora.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 11/11/2025
  • Fonte: Sorria!,