Caminhada em Defesa das Mulheres reúne moradores em SBC
Mobilização contra o feminicídio ocorreu na Avenida Barão de Mauá e cobrou cumprimento rigoroso das leis de proteção às mulheres
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 02/03/2026
- Autor: Redação
- Fonte: motisukipr
A Caminhada em Defesa das Mulheres reuniu moradores na manhã deste domingo (1º), em São Bernardo do Campo, com concentração na Avenida Barão de Mauá, em frente ao Hotel Pampas. O ato foi organizado após a repercussão de um caso recente de feminicídio na cidade e teve como principal bandeira o enfrentamento à violência contra a mulher e a cobrança por medidas mais efetivas de proteção.
Com o lema “Chega de silêncio. Chega de medo. Chega de feminicídios”, a mobilização foi divulgada como apartidária e aberta à população. Segundo os organizadores, o objetivo é unir a sociedade em torno de mudanças concretas, como o cumprimento rigoroso das leis existentes, fortalecimento da rede de apoio e prevenção antes que novos crimes ocorram.
A deputada estadual Carla Morando participou do ato e afirmou que a iniciativa nasceu de forma espontânea nas redes sociais, após a publicação de um vídeo comentando o assassinato de uma jovem na cidade.
Mobilização surgiu após repercussão de caso

Durante a caminhada, Carla Morando relatou como o movimento começou. “Olha, foi muito importante, eu acho que marcar assim, a entrada do mês de março, o mês que a gente comemora o Dia da Mulher, com uma manifestação em defesa da vida das mulheres, até porque nós temos visto aí uma escalada muito grande nos feminicídios e nessa questão da violência doméstica, e não dá mais”, declarou.
A deputada explicou que a mobilização foi motivada pela indignação após o assassinato de uma jovem conhecida no shopping Golden Square. “Eu fiquei tão indignada e eu resolvi fazer um vídeo dentro do carro mesmo, e dentro daquele vídeo, nos comentários, nasceu o movimento das mulheres lá dentro, para que a gente fizesse essa caminhada”, afirmou.
Segundo ela, a organização ocorreu em poucos dias. “A gente acabou fazendo um correndo, teve três dias para chamar, organizar e divulgar, e aí, deu certo, foi um sucesso, com bastante gente, muitas mulheres, que vieram aqui pela paz, pelo fim da violência doméstica e pela vida da mulher”, disse.
Rede de apoio e cobrança por ações permanentes

Durante o ato, a deputada citou equipamentos públicos de apoio às mulheres em São Bernardo e ressaltou a importância de manter o tema em debate constante. “Nós temos aqui em São Bernardo do Campo, que nós entregamos em 2024, em outubro, acho que 2024, a Casa da Mulher Paulista, para apoio jurídico, psicológico e também de capacitação. Aqui no Assunção, perto do Hospital Assunção, passando o teatro, tem essa Casa da Mulher Paulista”, afirmou.
Ela destacou que a rede de apoio é fundamental para que mulheres consigam romper ciclos de violência. “Então são muitas coisas da rede de apoio para que essa mulher possa sair desse ambiente e buscar a sua vida em paz e tranquilidade e livre desse agressor.”
Carla também fez um apelo para que a mobilização não se restrinja a uma data específica. “Eu gostaria muito de pedir a todos vocês que isso daqui é um ato para que a gente comece a pautar todos os dias, faça todos os dias na sua rede social um chamado sobre a vida das mulheres, sobre a proteção das mulheres.”
E completou: “Quando a gente faz isso, a gente não pode esquecer que todos os dias são os dias das mulheres. Então a gente precisa lembrar todos os dias sobre a proteção à nossa vida também.”
Cumprimento das leis e críticas ao cenário federal

Em sua fala, a deputada ressaltou que o problema não estaria apenas na criação de novas leis, mas na efetiva aplicação das normas já existentes. “O problema não é só fazer a lei. Hoje nós temos muitas leis boas direcionadas à mulher mas que elas não são cumpridas. Então a gente fica muito triste por isso”, afirmou.
Ela acrescentou que o movimento busca pressionar parlamentares federais. “Esse movimento é justamente para que a gente faça a mensagem chegar aos federais, aos deputados e senadores para que eles comecem a pautar temas que nos interessam e não interessem somente a eles.”
Ainda durante o discurso, Carla Morando declarou: “Nós precisamos trabalhar para defender a população e é esse o grande problema que nós temos.”
Em outro momento, ao ser questionada sobre mudanças legislativas, explicou os limites da atuação estadual: “Porque nós, como deputados estaduais, não podemos fazer leis, muitas vezes, que são de competência federal. O que nós podemos fazer são movimentações para alertar as autoridades federais para que eles ajam, para que eles façam leis que importem a nós, o povo.”
Caso de feminicídio e regime semiaberto

Um dos momentos mais emocionados da caminhada ocorreu quando a deputada mencionou a presença de Helena, filha de uma vítima de feminicídio ocorrido há dez anos. Segundo relato, o condenado pelo crime cumpre pena em regime semiaberto.
“Hoje, esse assassino está andando nas ruas porque ele está cumprindo a pena em regime semiaberto e ele está aí andando pelas ruas. Quem garante que não terá mais uma vítima? Quem garante?”, questionou.
Ela relembrou que a filha tinha apenas um ano de idade na época do crime. “Ela tinha um ano quando um monstro matou a mãe dela. Como que a gente tem que olhar isso e ficar calada? Não dá mais para a gente aguentar.”
Orientações sobre denúncia e Delegacia da Mulher

A deputada também reforçou a importância de identificar sinais de violência e oferecer ajuda. “Quando você vê uma mulher se afastando, ela está diferente, ela tem alguma marca no corpo, ela tem alguma mancha, alguma coisa estranha. Vai lá e oferece ajuda.”
Sobre os procedimentos em caso de agressão, orientou: “Quando uma mulher é agredida, o primeiro ato dela é ir à delegacia da mulher.” Ela informou ainda que a Delegacia de Defesa da Mulher de São Bernardo deverá funcionar 24 horas por dia em breve. “Só está acabando o período do curso dos delegados e delegadas. E aí a nossa vai começar a atuar 24 horas por dia.”
A Caminhada em Defesa das Mulheres foi encerrada com manifestações pedindo o fortalecimento das políticas públicas de prevenção e a responsabilização de agressores. Os organizadores afirmaram que a mobilização não possui caráter eleitoral e que novas ações poderão ser realizadas ao longo do mês de março.
O ato deste domingo reforça o debate sobre feminicídio e violência doméstica em São Bernardo do Campo e destaca a cobrança da sociedade por medidas efetivas para garantir a segurança e a vida das mulheres.