Câmeras corporais revelam abusos policiais e recusa de propinas no Rio
Heróis éticos e abusos perigosos expostos; fiscalização e transparência em debate acirrado
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Uma recente investigação do programa Fantástico trouxe à tona imagens reveladoras capturadas por câmeras corporais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação, as gravações exibem tanto situações de abuso de poder quanto momentos em que policiais resistem a ofertas ilícitas.
Um caso notável ocorreu em Copacabana, onde um policial recusou suborno proposto por um suspeito detido por furto. O agente foi categórico ao afirmar: “Sou polícia, irmão. Não sou vagabundo, não. Não aceito arrego de ninguém, não”. Esse episódio destaca o compromisso de alguns membros da força com a ética profissional.
Contudo, nem todas as gravações retratam condutas louváveis. Em uma situação alarmante na Zona Norte do Rio, um policial foi flagrado disparando contra um suspeito já rendido. Tal ação gerou um pedido da Defensoria Pública para que o Ministério Público e a Corregedoria investigassem a conduta dos envolvidos.
As câmeras também capturaram momentos trágicos, como a morte do sargento Gabriel Leite Fernandes durante uma operação em Itaboraí. A filmagem, registrada pela câmera presa à sua farda, é um lembrete dos perigos enfrentados diariamente pelos policiais.
Desde 2022, por determinação do Supremo Tribunal Federal, as operações da PM no Rio devem ser integralmente registradas. Contudo, a análise de processos judiciais revelou falhas significativas no cumprimento dessa norma. Em muitos casos, os vídeos requisitados pela Justiça não foram entregues, sob justificativas que variam desde problemas técnicos até ausência de equipamento durante as operações.
A implementação das câmeras corporais visa aumentar a transparência nas ações policiais e é uma medida já adotada por 11 estados brasileiros. Entretanto, irregularidades persistentes no uso desses dispositivos resultaram na abertura de mais de 2.600 investigações internas pela Corregedoria da PM entre 2023 e 2024.
O uso dessas tecnologias ainda enfrenta desafios operacionais e éticos significativos. Enquanto alguns agentes demonstram integridade exemplar, as imagens também expõem falhas sistêmicas que exigem atenção contínua das autoridades competentes para garantir justiça e segurança efetivas.