Câmara de Rio Grande da Serra repete escândalos e amplia crise política

Investigação aponta desvio de recursos, fraude em licitação e suspeitas de espionagem envolvendo vereador

Crédito: (Reprodução/Google Street View)

Em Rio Grande da Serra, a Câmara Municipal parece caminhar para o mesmo alçapão político que, na legislatura passada, resultou na não reeleição da maioria dos vereadores.

Mais uma vez, a Casa Legislativa se vê envolta em escândalos, enquanto seus integrantes repetem os mesmos erros de seus antecessores rejeitados nas urnas: silêncio, omissão e a tentativa de fingir que nada aconteceu.

Investigações e suspeitas que abalam o Legislativo

O caso veio à tona por meio de reportagem investigativa do portal ABC do ABC do dia 4/2, assinada pelo jornalista Thiago Quirino, que revela que o vereador Marcos Costa (Republicanos), conhecido como Tico, é investigado por suposto desvio de R$ 124 mil da Câmara Municipal — órgão do qual faz parte e que, por função constitucional, deveria fiscalizar rigorosamente o uso dos recursos públicos.

A reportagem aponta a participação do vereador em suposta fraude em processo licitatório, apresentando provas documentais obtidas na própria Câmara Municipal de Rio Grande da Serra, com autorização da Presidência da Casa.

Vereador Tico
Vereador Tico (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)

Os documentos são contundentes ao indicar indícios de conluio, possíveis fraudes e tentativas de ocultação da identidade dos envolvidos. Entre os citados estariam a esposa do vereador, amigos próximos e o ex-vereador Charles Fumagalli, segundo a investigação.

Antes da primeira sessão legislativa do ano em Rio Grande da Serra, o vereador Tico divulgou um vídeo nas redes sociais, no qual se coloca como vítima de “perseguição”, sem identificar claramente os supostos responsáveis. No entanto, faz insinuações indiretas envolvendo um casal, o que gerou ainda mais questionamentos.

Suspeita de espionagem e uso de imagens como pressão

O parlamentar também é apontado como suspeito de instalar câmeras ocultas no gabinete do presidente da Câmara, Claurício Bento, e no gabinete do prefeito de Rio Grande da Serra, Akira Auriani.

Diante da gravidade dos fatos, o presidente da Câmara abriu investigação interna e, após perícia técnica, afirmou haver indícios de que o autor das gravações seria o próprio vereador Marcos Costa, identificado por meio de rastreamento técnico. As câmeras teriam sido instaladas de forma clandestina em tomadas elétricas dos gabinetes.

No caso do gabinete do prefeito Akira Auriani, as informações apontam que teriam sido captadas imagens íntimas e comprometedoras, capazes de afetar o núcleo familiar do prefeito e a imagem de integridade do governo municipal.

Ainda segundo relatos de bastidores e de servidores públicos, o vereador supostamente utilizaria essas imagens como instrumento de pressão, visando se esquivar de processos de cassação de mandato, que estariam em discussão desde a legislatura anterior.

Silêncio político e desgaste institucional em Rio Grande da Serra

Rio Grande da Serra
(Divulgação)

Diante da gravidade dos fatos narrados, a Câmara Municipal de Rio Grande da Serra, por meio de seus vereadores, deveria se manifestar publicamente e aprofundar as apurações, não apenas quanto ao suposto desvio de recursos públicos, mas também sobre possíveis crimes de espionagem, violação de privacidade e chantagem, todos atribuídos, em tese, a um membro do próprio Legislativo.

Nos últimos quatro anos, a Câmara “sangrou” politicamente, e a população respondeu nas urnas, condenando vereadores que optaram pela omissão. Uma nova composição assumiu, mas bastaram poucos meses para que antigos vícios parecessem se repetir.

A pergunta que ecoa entre os moradores é inevitável: “o que fizeram os novos vereadores para, tão rapidamente, estarem de rabo preso?”

A Câmara Municipal de Rio Grande da Serra segue, para muitos cidadãos, como uma Casa sem Leis e sem Decoro, distante de sua missão institucional e cada vez mais desconectada da confiança popular.

Márcio Prado

Márcio Prado - Peninha - Ribeirão Pires
Peninha (Divulgação)

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 09/02/2026
  • Fonte: FERVER