Calor extremo mata milhões, alerta relatório

Estudo do Lancet Countdown revela que aquecimento global aumentou mortes por calor extremo em 23% desde os 90.

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

Um novo relatório publicado na revista científica The Lancet traça um panorama alarmante: os impactos combinados do calor extremo e da poluição atmosférica são responsáveis por mais de três milhões de mortes anuais em todo o mundo. A pesquisa, intitulada “Lancet Countdown on Health and Climate Change”, é fruto da colaboração entre a OMS e 128 especialistas de mais de 70 instituições.

O documento, coordenado pela University College London, revela as consequências diretas e mensuráveis do aquecimento global na saúde humana.

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O Custo Humano do Aquecimento

O levantamento aponta que a falha em mitigar as mudanças climáticas já tem um preço elevado. As mortes globais atribuídas diretamente ao calor extremo aumentaram 23% desde os anos 1990, totalizando aproximadamente 546 mil fatalidades por ano.

Além disso, a poluição gerada pela queima de combustíveis fósseis é considerada ainda mais letal, causando cerca de 2,52 milhões de óbitos anuais.

Marina Romanello, diretora executiva do Lancet Countdown, enfatizou que os dados pintam um cenário sombrio, ressaltando “ameaças sem precedentes à saúde humana” impostas pelas alterações climáticas. Embora a transição para energias renováveis seja uma solução viável, salvando cerca de 160 mil vidas anualmente, os impactos negativos continuam a se acumular.

Impactos Sem Precedentes no Brasil

A situação no Brasil é particularmente preocupante. Entre 2012 e 2021, o país registrou uma média anual estimada de 3,6 mil mortes causadas pelo calor, o que representa um aumento de 4,4 vezes em comparação com a década de 1990.

Calor extremo mata milhões, alerta relatório
Divulgação

O relatório indica que 2024 foi o ano mais quente já registrado, marcando a primeira vez que a temperatura média global superou em 1,5°C os níveis pré-industriais.

O número de dias de calor extremo também bateu recordes. Globalmente, a média foi de 16 dias em 2024. No Brasil, a média foi de 15,6 dias, dos quais 94% são diretamente atribuíveis às mudanças climáticas.

Efeitos Além da Mortalidade: Trabalho e Seca

Os especialistas alertam que o calor extremo não eleva apenas as taxas de mortalidade. As altas temperaturas afetam severamente a saúde física e mental da população, prejudicando:

  • A capacidade laboral;
  • A prática de exercícios ao ar livre;
  • A qualidade do sono.

No Brasil, os efeitos na força de trabalho são devastadores. A exposição ao calor extremo levou a uma perda anual estimada em mais de seis bilhões de horas potenciais de trabalho, um aumento de 51% desde os anos 90.

O relatório também destaca outros recordes preocupantes no país, que contribuem para incêndios florestais e insegurança alimentar:

  • A área afetada por secas extremas saltou de 5,6% (1951-1960) para impressionantes 72% (2020-2024).
  • Houve um aumento nos dias de alto risco para incêndios, com média de 41 dias anuais entre 2020 e 2024.
  • A temperatura da superfície do mar na costa brasileira subiu 0,65°C acima da média (1981-2010), ameaçando a biodiversidade marinha e a pesca.
  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 29/10/2025
  • Fonte: FERVER