Calor extremo ameaça jogos da Copa do Mundo e pode afetar o Brasil

O calor extremo ameaça a saúde de atletas e torcedores no próximo mundial com risco direto ao rendimento das seleções em campo.

Crédito: Nelson Terme/ CBF

A Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá, tem 97 das 104 partidas com alta probabilidade de atingir temperaturas prejudiciais ao desempenho dos atletas. As mudanças climáticas intensificam a severidade do clima durante o verão no hemisfério norte. A análise foi divulgada pela Climate Central, uma organização de notícias focada na ciência climática.

Praticamente todos os 14 dos 16 estádios-sede da Copa do Mundo registram hoje mais dias de calor extremo em comparação à década de 1970. A última edição na América do Norte ocorreu em 1994. O planeta está 0,7°C mais quente do que naquele ano e 1,3°C acima dos níveis pré-industriais.

O clima adverso já gera preocupação nas seleções no período de preparação desta Copa do Mundo. Jogadores noruegueses treinaram sem camisa e demonstraram sinais de exaustão nos gramados americanos. “Equipes mais adaptadas ao clima quente levariam a melhor durante o torneio”, declarou Mark Bullingham, diretor-executivo da Federação Inglesa de Futebol.

Locais com maior risco na Copa do Mundo

As arenas de Miami, Cidade do México, Houston e Guadalajara lideram os registros de temperaturas extremas entre os meses de junho e julho. Cada um destes locais apresentou pelo menos dez dias de calor severo ao ano ao longo da última década.

A métrica avalia a probabilidade de a temperatura externa no estádio ultrapassar os 28°C. Apenas os complexos de Houston, Atlanta e Dallas possuem cobertura total e climatização. Os torcedores e trabalhadores, contudo, ainda enfrentam riscos nos deslocamentos e nas aglomerações das Fan Fests.

Um relatório da World Weather Attribution revelou que uma em cada quatro partidas da atual Copa do Mundo apresenta alta chance de estresse térmico. A umidade elevada dificulta o resfriamento natural do corpo humano. “A mudança climática tem um efeito real e mensurável sobre a viabilidade de organizar Copas do Mundo durante o verão no hemisfério norte”, afirmou Friederike Otto, professora do Imperial College de Londres.

O confronto mais impactado pelo aquecimento global ocorrerá entre Espanha e Uruguai, em 26 de junho, no estádio de Guadalajara, com 70% de chance de calor prejudicial. A final do torneio, agendada para 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova York, apresenta 47% de probabilidade de estresse térmico.

Impacto na saúde e hidratação obrigatória

As consequências do calor excessivo incluem exaustão aguda, cãibras, insolação e sobrecarga cardiovascular sistêmica. O Sindicato Mundial dos Jogadores (FIFPRO) recomenda o adiamento de partidas sob sensação térmica de 28ºC com alta umidade. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) determina a paralisação do jogo apenas acima de 32ºC.

A organização instituiu pausas compulsórias aos 22 minutos de cada tempo nesta Copa do Mundo. Os atletas terão três minutos para hidratação preventiva. A entidade informou à imprensa que monitorará as condições em tempo real para aplicar protocolos de contingência caso ocorram episódios meteorológicos imprevisíveis.

O cenário para a seleção brasileira e partidas críticas

A análise projeta que o Brasil enfrentará desafios físicos rigorosos logo na fase de grupos. O duelo contra o Haiti, marcado para 19 de junho, possui 43% de chance de registrar calor prejudicial ao rendimento. O risco cresce acentuadamente na rodada seguinte.

O embate da seleção brasileira contra a Escócia, no dia 24 de junho, atinge 95% de probabilidade de temperaturas extremas na arena de Miami. O local conta com cobertura apenas parcial. O aquecimento global elevou este risco específico em 14 pontos percentuais.

Confira as partidas da Copa do Mundo que podem ser afetadas pelo clima:

  • 14/6: Holanda x Japão (Dallas Stadium, climatizado) – 95% de chance de calor prejudicial (6% de acréscimo pela mudança do clima)
  • 14/6: Alemanha x Curaçao (Houston Stadium, climatizado) – 96% de chance (5% de acréscimo)
  • 17/6: Inglaterra x Croácia (Dallas Stadium, climatizado) – 95% de chance (6% de acréscimo)
  • 17/6: Portugal x R. D. Congo (Houston Stadium, climatizado) – 96% de chance (5% de acréscimo)
  • 20/6: Holanda x Suécia (Houston Stadium, climatizado) – 96% de chance (5% de acréscimo)
  • 22/6: Argentina x Áustria (Dallas Stadium, climatizado) – 95% de chance (6% de acréscimo)
  • 23/6: Portugal x Uzbequistão (Houston Stadium, climatizado) – 96% de chance (5% de acréscimo)
  • 24/6: Brasil x Escócia (Miami Stadium, cobertura parcial) – 95% de chance (14% de acréscimo)
  • 25/6: Japão x Suécia (Dallas Stadium, climatizado) – 98% de chance (2% de acréscimo)
  • 26/6: Cabo Verde x Arábia Saudita (Houston Stadium, climatizado) – 97% de chance (2% de acréscimo)
  • 27/6: Colômbia x Portugal (Miami Stadium, cobertura parcial) – 95% de chance (14% de acréscimo)
  • 27/6: Jordânia x Argentina (Dallas Stadium, climatizado) – 98% de chance (2% de acréscimo)

As evidências científicas demonstram a necessidade urgente de adaptar o calendário esportivo global aos novos padrões atmosféricos. A exposição prolongada às altas temperaturas compromete a integridade física de todos os envolvidos nas partidas. Os dados da comunidade científica confirmam que o planejamento climático se tornou uma obrigatoriedade estrutural para o futuro da Copa do Mundo.

  • Publicado: 14/06/2026 16:05
  • Alterado: 14/06/2026 16:05
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Climate Central