Caixa aceita negociar dívida do Corinthians pela segunda vez em menos de três anos

A Caixa Econômica Federal busca renegociar a dívida do Corinthians, de R$ 688 milhões, enquanto o clube enfrenta desafios financeiros e políticos.

Crédito: Evander Portilho/Corinthians

A Caixa Econômica Federal manifestou interesse em renegociar pela segunda vez a dívida do Corinthians referente à construção da Neo Química Arena, localizada na zona leste de São Paulo. Essa nova proposta surge menos de três anos após a primeira renegociação.

O valor original da dívida era de R$ 688 milhões, sem considerar os reajustes. A situação financeira do clube foi parcialmente aliviada por uma campanha de arrecadação realizada pela Gaviões da Fiel, a principal torcida organizada do time, que conseguiu reduzir a quantia em aproximadamente R$ 30 milhões.

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Durante a conversa, Vieira sugeriu que o Corinthians poderia incluir a Neo Química Arena em um fundo patrimonial e posteriormente vender cotas aos torcedores por um valor acessível de R$ 100. “Essa iniciativa poderia rapidamente resolver o problema financeiro do clube, dada a paixão dos torcedores pelo Corinthians“, afirmou. Ele estimou que essa ação poderia possibilitar ao clube arrecadar até R$ 1,5 bilhão.

Quando questionado se essa renegociação não seria prematura, Vieira enfatizou a solidez das garantias apresentadas pelo clube e reiterou que o objetivo é solucionar a questão financeira: “A renegociação visa resolver a problemática existente; não existe um tempo certo para isso.

Na mesma tarde, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, levantou a proposta de suspender os pagamentos da dívida do estádio para priorizar débitos mais urgentes. “Devemos focar nas dívidas mais críticas para evitar bloqueios. A decisão não depende apenas de mim“, comentou.

No entanto, as projeções contábeis do Corinthians para 2024 indicam um aumento nas receitas e afirmam que o clube possui capacidade para honrar suas obrigações financeiras. “As condições gerais para cumprimento do fluxo de pagamento são adequadas com relação à geração de receitas do negócio“, afirmaram os representantes do clube.

Atualmente, a dívida total do Corinthians é estimada em R$ 2,6 bilhões, conforme relatórios financeiros recentes.

A construção da Neo Química Arena começou em 2011, financiada por empréstimos bancários e certificados de incentivo ao desenvolvimento, com a execução da obra a cargo da Odebrecht (hoje Novonor), beneficiando-se também de incentivos fiscais concedidos pela Prefeitura de São Paulo.

Na época da construção, Andrés Sanchez ocupava a presidência do clube e mantinha uma estreita relação com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torcedor declarado do Corinthians. Em janeiro deste ano, Lula fez uma doação via Pix no valor simbólico de R$ 1.013, aludindo ao número de urna do PT (13), como parte dos esforços para quitar as dívidas relacionadas à arena em Itaquera.

Em 2013, o Corinthians firmou um contrato de empréstimo com a Caixa Econômica Federal utilizando recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar estádios durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Além dos desafios financeiros enfrentados pelo clube, ele também lida com uma crise política interna. Três ex-presidentes estão sob investigação pelo Ministério Público de São Paulo por uma série de crimes incluindo apropriação indébita e estelionato. Em agosto passado, o Ministério solicitou à Justiça a quebra de sigilo das faturas dos cartões corporativos usados durante as gestões desses presidentes. O último deles foi afastado no mês passado e substituído por Osmar Stabile.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 09/09/2025
  • Fonte: Sorria!,