Caio Megale diz que exportar commodities coloca o Brasil em posição estratégica boa
No evento ‘Encontro’, promovido pelo LIDE Grande ABC, no Baby Beef Jardim, em Santo André, na noite desta quinta-feira (08), o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, falou sobre as tendências econômicas e que a exportação de commodities pelo Brasil nos coloca em uma posição estratégica boa
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 09/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Com o objetivo de entender o atual momento e as tendências econômicas, os rumos da política monetária global e o papel do Brasil na economia mundial, até para traçar estratégias alinhadas com as expectativas, o grupo de empresários LIDE Grande ABC promoveu o evento ‘Encontro’ com o especialista em finanças Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos.
O Encontro contou com a presença da deputada estadual, Ana Carolina Serra (Cidadania), do Secretário de Desenvolvimento e Geração de Emprego, Evandro Banzato, e cerca de 50 empresários.
Em uma de suas explanações, Caio Megale disse que importar produtos ajuda na variedade de oferta no mercado brasileiro, porém, quando essa prática é elevada se torna prejudicial ao Brasil.

“Importação não é um problema, importar mais é bom porque traz mais produtos para o Brasil, produtos diversificados, o problema é quando essa importação é acelerada, ela reflete um desequilíbrio de demanda interna, uma demanda interna muito forte. Em contrapartida, o fato de exportarmos commodities, como alimentos, energia, que são produtos essenciais para o mundo e vão continuar sendo demandados e são produtos que a China compra, nos deixa em uma posição estratégica muito boa para enfrentar essa turbulência. O fiscal tem merecido atenção de vários governos, inclusive desse, o arcabouço fiscal veio para tentar equilibrar as contas, botar um limite nas despesas, mas a gente vai precisar de reformas mais profundas para o próximo ciclo, isso vai ficar para o debate eleitoral”, projeta o economista.
Já a deputada Ana Carolina, por sua vez, ressaltou a necessidade do entendimento entre privado e público.

“O diálogo é extremamente necessário entre as instituições privadas, que cuidam com o fomento privado da economia regional, com o poder público. Através do diálogo entre todas essas esferas, a gente consegue, não só trazer o desenvolvimento econômico tão almejado para a região do grande ABC, mas, acima de tudo, o desenvolvimento social. E essas parcerias são fundamentais. Quando se mudou justamente a mentalidade e trouxe o diálogo entre esses diversos setores, a gente conseguiu mudar em Santo André. Nós demorávamos mais de um mês para abrir uma empresa. Hoje, em menos de 22 horas, a gente consegue abrir uma empresa. A gente consegue fomentar a economia”, exemplificou a parlamentar uma das medidas de Santo André para melhorar sua atividade econômica.
Em outro momento, Megale destacou a importância das políticas econômicas para integração mundial e exemplificou como empresas da região adquirem produtos de diversificados locais.

“As teorias de comércio e globalização foram mostrando que é importante a integração comercial global. Havia ganhos de troca entre países. Você compra insumos de outros países que produzem de melhor qualidade ou mais baratos, fazendo a diversificação da sua cadeia de produção. Muitos aqui de vocês certamente estão em empresas, e empresas que têm cadeias de produção e produzem, porém, não necessariamente tudo que vocês produzem aqui no ABC, vocês compram aqui no ABC ou compram aqui em São Paulo, no Brasil”, sugeriu o especialista.
Jarbas Marques, presidente do LIDE Grande ABC, apontou que, apesar das dificuldades que serão enfrentadas, haverá oportunidades.

“É muito importante hoje justamente dar uma tranquilidade para os empresários aqui da região sobre o próximo ano e o futuro. Obviamente que a gente não está em mar de rosas, o momento é delicado. Mas o mais importante, o Brasil não vai quebrar, vai ser um ano difícil, vai ser um ano apertado. E principalmente, nosso problema é fiscal. O Brasil tem que olhar o gasto público. Na hora que a gente conseguir resolver, vai ser uma grande mudança. E a gente está tendo uma novidade, uma grande oportunidade, principalmente no agronegócio, com as tarifas implantadas pelo Trump. Então é um momento de muita tensão, mas não é um momento de desespero”, pondera o presidente.
O economista-chefe falou também sobre as variações do dólar e opinou a qual nível a moeda americana pode chegar.

“O dólar vai ser muito sensível, tanto a dinâmica lá nos Estados Unidos, principalmente, a dinâmica do dólar internacionalmente. A gente pode ter patamares mais baixos do que o câmbio que a gente tem hoje. Em contrapartida, a gente tem visto commodities caindo, por exemplo, petróleo, que é uma coisa que a gente exporta bastante e nós temos todos os desafios domésticos. Então eu acho que a tendência do câmbio é ficar em torno desse patamar entre R$ 5,60 e R$ 5,80, que é o atual e é dependendo muito desse grau de incerteza internacional que a gente está vivendo”, explicou ele.
Walter Dias, CEO do LIDE Grande ABC, comentou os números atuais de geração de emprego na região, apontando que o ABC é facilmente adaptável.

“Mas, o que é muito interessante, o dinamismo que o ABC possui, hoje é referência no setor de serviços. Dados recentes, até agora de fevereiro de 2025, 28 mil novas vagas de emprego no setor de serviços, contra pouco mais de 5 mil vagas no setor industrial. Dados que, há poucos anos, eram impensáveis. Isso mostra o poder de mudança, o poder de adaptação da nossa economia, o poder de reinvenção da região do Grande ABC, que hoje é a quarta maior economia do nosso país. E esses dados mostram também a importância de olharmos para as políticas públicas e também para os movimentos do mercado”, propõe o CEO.
Megale comentou ainda sobre a dependência brasileira do país norte-americano, na qual apontou que esse não é o principal fator que pode prejudicar o Brasil.

“O Brasil depende muito pouco do comércio com os Estados Unidos. O Brasil exporta 18% do PIB (Produto Interno Bruto), o México é 50% de exportação, o Canadá 50% de exportação, o Chile é mais do que 60%, 70%. Os caras dependem muito da venda externa. O Brasil é muito mercado interno. Desses 18%, só 12% vão para os Estados Unidos. Então, é isso que a gente está sendo protegido dessa guerra comercial. Em boa parte, a renda das famílias cresceu muito, porque os gastos fiscais que aconteceram durante a pandemia continuaram depois da pandemia e continuam até agora. E a gente entrou em uma espiral de mais consumo, mais gastos, que acabou gerando algumas distorções na economia. Não por exportações, pois, as exportações estão legais, mas as importações estão crescendo aceleradamente. A inflação, antes da pandemia, as pessoas falavam, o Brasil não consegue ter inflação de 3%, e o Brasil teve inflação de 3% de 2016 até 2020, até a pandemia. Aí a pandemia foi aquele choque de custos que todo mundo lembra, a inflação dispara lá para cima de 10, volta depois da pandemia e agora acelera de novo. Então a gente tem aqui os sintomas de que a gente forçou demais o motor da economia”, explica o economista sua visão da oscilação na economia nacional, e concluiu:

“Onde a gente percebe que nós passamos do ponto? Onde a gente percebe que o crescimento foi além da nossa capacidade de entrega e começou a esgarçar o tecido da economia? Quando a gente começa a importar demais é que a gente está tomando toda a produção doméstica e já está importando. Está crescendo menos, é 20% ano contra ano em termos reais de volume. Ou seja, a nossa balança comercial estava lá em 70 bi, 80 bi, já está indo mais para 40, ou seja, perdemos metade da balança comercial. Não por exportações, mas as importações estão crescendo aceleradamente”, finalizou Megale.