Cafu César e a delação que envolve Rio Grande da Serra
Cafu César enviava dinheiro de Hortolândia para vereadores de Rio Grande da Serra. PF investiga esquema de corrupção e fraudes na Educação de Hortolândia
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 20/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A campanha eleitoral de 2024 em Hortolândia trouxe um grande prejuízo político e pessoal para Carlos Augusto César, o Cafu César, apelido conhecido desde os tempos em que morava em Rio Grande da Serra — onde foi candidato a prefeito em 2004 e 2008, sendo derrotado nas duas tentativas — Cafu alcançou o cargo de vice-prefeito de Hortolândia, mas também ganhou notoriedade negativa.
Acostumado a atuar longe dos holofotes, Cafu César aceitou o custo dos desafetos e inimigos, quando se alcança protagonismo político, passando a enfrentar o risco de ser alvo de delações, denúncias e investigações acumuladas ao longo dos anos.
Poder nas sombras e acúmulo de fortuna
Por mais de uma década, Cafu César construiu poder atuando nos bastidores, ocupando cargos estratégicos e influentes ao lado de políticos eleitos. Sua atuação como intermediador, articulador e lobista o levou a abandonar uma vida simples para acumular uma fortuna considerada incalculável, devido a suspeitas de uso de laranjas para ocultar patrimônio.
A recente operação da Polícia Federal, que investiga fraudes em licitações da Educação, corrupção, organização criminosa e superfaturamento, revelou parte dessa fortuna.
Segundo a investigação, Cafu César gastou mais de R$ 2 milhões em artigos de luxo. O quebra-cabeça financeiro não foi revelado por movimentações bancárias, mas por um descuido: ao pagar em dinheiro vivo em lojas de grife, deixou registrado o próprio CPF, detectado após a quebra de sigilo.
Delação expõe envio de dinheiro de Hortolândia para vereadores de Rio Grande da Serra
Em agosto de 2022, uma delação registrada em Ata Notarial expôs como dinheiro saía de Hortolândia para abastecer o sistema de poder de Cafu César, com o objetivo de derrubar o então prefeito Claudinho da Geladeira, em Rio Grande da Serra.
A intenção seria que sua ex-mulher, Penha Fumagalli, então vice-prefeita, assumisse o cargo e governasse sob sua influência.
O denunciante é Gabriel Henrique Afonso Campanholi, ex-chefe de gabinete do presidente da Câmara, Charles Fumagalli — irmão de Penha e ex-cunhado de Cafu. Ele detalhou repasses, remessas mensais e contratos fraudulentos envolvendo empresas supostamente “de fachada”.
Na época, investiguei os contratos citados, o que resultou em um dossiê entregue ao Gaeco de São Bernardo do Campo, que meses depois deflagrou uma operação atingindo cinco cidades.
Trechos da delação — Caravana da propina
Campagnoli afirmou:
“Hoje tem nove vereadores. Esses nove vereadores recebem cerca de três a quatro mil reais por mês, vindo de Hortolândia, todos os meses.”
Ele também descreveu como funcionava a logística para buscar o dinheiro:
“Desde o começo do ano, no início do mês, perto do quinto dia útil, quando dizem que é ‘o faturamento dos parceiros’, eles vão em dois carros: ou no Creta da Vice-Prefeita, ou no Onix do Presidente da Câmara. Mais recentemente começaram a ir no Kia Soul vermelho.
Quando eles não vão buscar, o pessoal de Hortolândia vem trazer no Civic ou na Land Rover preta, ambos com motorista e o dinheiro numa mala preta no porta-malas.
Sei disso porque já peguei essa mala para entregar ao Presidente da Câmara antes da sessão.”
Prisão de Cafu César abala a política regional

A prisão de Cafu César gerou:
- alívio entre adversários,
- esperança entre os que afirmam ter sido perseguidos por ele,
- e temor entre aliados e operadores políticos que podem ser alcançados pelas investigações.
Nos bastidores, uma pergunta domina as conversas: “Com a quebra de sigilo telefônico e telemático, quem de Rio Grande da Serra pode ser envolvido? Outra questão crucial: “Onde estão os principais operadores da gestão Penha Fumagalli, a ex-vice-prefeita que deixou a cidade e colocou sua casa à venda?”
Alguns nomes que compuseram seu governo aparecem hoje nomeados em Hortolândia, o que deve atrair a atenção das próximas fases da investigação.
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Márcio Prado (Peninha)

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.
