Preço do café dispara ao produtor e deve impactar varejo
Preços do café disparam: robusta sobe 43% e arábica 26,3%. Entenda os fatores por trás da alta e o impacto no bolso do consumidor.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 27/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Em agosto, os preços do café dispararam para os produtores, conforme revelado em um recente levantamento realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), vinculado à Universidade de São Paulo. O destaque desse aumento foi para a variedade robusta, que apresentou uma impressionante alta de 43% até a última segunda-feira, dia 25. A variedade arábica também registrou um incremento significativo, com uma elevação de 26,3%.
Os dados do Cepea indicam que na mesma data, os preços se fixaram em R$ 1.469,43 por saca de 60 kg para o café robusta e R$ 2.287,56 para o arábica.
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Especialistas do setor atribuem essas oscilações aos estoques reduzidos, condições climáticas adversas como frio intenso e geadas, que geraram preocupações entre os produtores. Além disso, a instabilidade provocada pela sobretaxa de 50% imposta às exportações de café para os Estados Unidos pelo presidente Donald Trump também é um fator relevante nesse cenário.
André Braz, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ressalta que o impacto dessa situação nos consumidores pode levar de semanas a meses. Ele explica que todo o processo de beneficiamento, torrefação, industrialização e logística do café precisa ser completado antes que os efeitos sejam percebidos nas prateleiras. “Geralmente, as alterações nos preços ao consumidor ocorrem de forma gradual”, enfatiza.
As tarifas impostas por Trump poderiam teoricamente resultar em um equilíbrio dos preços para o consumidor final. Com a diminuição das exportações, haveria maior oferta no mercado interno. Contudo, Braz alerta que a redução dos estoques e a quebra da safra limitam esse efeito benéfico. “Na prática, o alívio será mínimo devido à pressão já existente sobre os custos“, complementa.
No mês anterior, julho, os consumidores observaram uma leve queda de -0,36% no preço do café moído, marcando a primeira redução após um longo ciclo de 18 meses de alta contínua, segundo dados do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Até meados de agosto, essa tendência se intensificou com uma nova queda de -1,47%.
Celírio Inácio, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), aponta que a produção tem sido inferior às expectativas desde 2020. Naquele ano, o Brasil produziu cerca de 63 milhões de sacas, enquanto o consumo tem aumentado constantemente desde então. “Estamos agora na expectativa dos próximos dois meses; a florada ocorrerá e as condições climáticas determinarão se teremos uma produção mais favorável em 2026“, observa Inácio.
As tarifas comerciais dos EUA continuam sendo um ponto crucial nas discussões entre os agentes do setor cafeeiro brasileiro, que é responsável por cerca de 25% do café importado pelos Estados Unidos, especialmente da variedade arábica. Dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) revelam que aproximadamente 16,1% das exportações brasileiras de café em 2024 tiveram como destino os EUA.
A Abic indica que se as tarifas permanecerem em vigor, o Brasil poderá precisar explorar novas opções para escoar sua produção e diversificar seus mercados compradores. Recentemente, 183 empresas brasileiras foram habilitadas para exportar café para a China.
No ano atual, o Brasil exportou cerca de 939 mil sacas para o mercado chinês — um número 2,5 vezes superior ao registrado em 2022, mas ainda assim 33% inferior ao total alcançado em 2023.
Por fim, André Braz destaca que se a restrição na oferta continuar, os consumidores sentirão ainda mais as altas nos preços nos próximos meses. “Sem melhorias nas condições climáticas e aumento na produção, tanto produtores quanto consumidores enfrentarão pressões contínuas sobre os preços. O mercado deve permanecer volátil e as transferências de custo ao consumidor podem se intensificar até o final do ano“, conclui.