Butantan: vacina da dengue é contraindicada para gestantes
Por precaução e ausência de testes clínicos, Butantan-DV não é indicada para gestantes e lactantes devido ao uso de vírus vivo atenuado
- Publicado: 31/05/2026 10:16
- Alterado: 31/05/2026 10:16
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Agência SP
O Instituto Butantan reforçou o alerta sobre as contraindicações da Butantan-DV, a vacina tetravalente de dose única contra a dengue. O imunizante, aprovado pela Anvisa em novembro de 2025, não deve ser administrado em gestantes, lactantes ou puérperas que estejam amamentando (até 45 dias após o parto).
A restrição é baseada no princípio da precaução, uma vez que não foram realizados testes clínicos específicos nestes grupos. Segundo Mayra Moura, gerente de farmacovigilância do Butantan e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a ausência de dados concretos impede que o órgão respalde a segurança da vacinação nessas condições, embora não existam indícios de eventos graves em bebês.
Risco teórico e orientações para gestantes

A preocupação com gestantes é comum a todas as vacinas atenuadas, aquelas produzidas com o vírus vivo enfraquecido. Existe o risco teórico de que o vírus atravesse a placenta e infecte o feto. Historicamente, casos de vacinação inadvertida (quando a mulher é vacinada sem saber que está grávida) com outros imunizantes atenuados, como o da rubéola, não registraram malformações, mas o monitoramento rigoroso permanece a regra.
Mulheres com intenção de engravidar são orientadas a esperar pelo menos um mês após a vacinação para tentar a concepção. No caso de aplicação acidental em gestantes, é mandatório notificar a unidade de saúde responsável e manter acompanhamento médico durante todo o pré-natal e o período pós-nascimento.
Lactantes e Puérperas

Para as lactantes, a contraindicação também é preventiva, devido à possibilidade teórica de transmissão do vírus pelo leite materno. Embora o Programa Nacional de Imunizações (PNI) não tenha contraindicado a dose para mães de bebês com mais de seis meses, o fabricante recomenda evitar o imunizante. A única exceção ocorre após uma análise individual de risco-benefício, caso a mulher esteja em uma situação de altíssima exposição à doença.
Já as puérperas que não estão amamentando podem receber a vacina normalmente. O impedimento só existe se houver a amamentação ativa, seguindo o mesmo critério das lactantes.
Como proceder em casos de vacinação inadvertida
O Instituto Butantan disponibiliza canais de monitoramento para pessoas vacinadas fora das recomendações de bula. Nestes casos, o procedimento padrão inclui:
- Notificação imediata: Informar a unidade de saúde onde a vacina foi aplicada.
- Contato com o SAC do Butantan: O fabricante realiza o monitoramento trimestral da gestante e acompanha o estado de saúde da criança até 60 dias após o nascimento.
- Acompanhamento médico: Informar o obstetra para que os exames pré-natais sejam avaliados sob a ótica da vacinação.
Atualmente, no estado de São Paulo, a Butantan-DV está liberada para profissionais de saúde das redes pública e privada, além da população geral com 59 anos. O cronograma nacional, iniciado em janeiro de 2026, foca no público entre 15 e 59 anos em cidades selecionadas.